França

Socos, chutes e insultos racistas: Jogadores do Nice são agredidos por torcedores em protesto

Terem Moffi e Jérémie Boga foram colocados em licença médica após ataque de grupo de ultras do clube francês

O Nice vem de uma sequência de seis derrotas na temporada. Após o tropeço para o Lorient por 3 a 1, no último sábado (29), fora de casa, pela Ligue 1, um grupo de cerca de 400 ultras foi até o CT do clube francês para protestar, porém, Terem Moffi e Jérémie Boga acabaram agredidos, além de sofrerem insultos racistas.

Segundo a “ESPN”, tudo aconteceu na noite do domingo (30) no horário local. Torcedores recepcionaram o retorno da delegação do Nice em um clima de grande tensão. Duas pessoas chegaram a invadir o ônibus para expressar seu descontentamento com a má fase da equipe.

No desembarque dos atletas, os mais veteranos pararam para atender os ultras tentando explicar a queda de rendimento na temporada. Entretanto, os atacantes nigeriano e marfinense foram visados pelo grupo e sofreram ataques físicos e morais.

Lance de Lorient x Nice, pela Ligue 1 (Foto: Icon Sport)
Lance de Lorient x Nice, pela Ligue 1 (Foto: Icon Sport)

Tanto Moffi, quanto Boga receberam cusparadas, socos, chutes e ofensas preconceituosas, conforme relatado por pessoas presentes no local. No dia seguinte às agressões, a dupla do Nice foi até à polícia para registrar uma queixa contra seus agressores.

Além de Terem Moffi e Jérémie Boga, Florian Maurice, diretor esportivo, também foi atacado pelos torcedores. O dirigente precisou ser escoltado por seguranças para chegar até seu carro.

Por que ultras bateram em Moffi e Boga?

O jornal “L’Equipe” relata que alguns jogadores foram empurrados e agarrados pela camisa enquanto tentavam entrar nas instalações do clube. Entretanto, a confusão se agravou quando o grupo de torcedores do Nice percebeu a aproximação dos dois atacantes.

Nas últimas semanas, Moffi e Boga foram acusados de falta de comprometimento. Boga, por exemplo, foi duramente criticado pelos ultras na semana passada por distribuir ingressos para torcedores do Olympique de Marseille — clube de sua cidade natal. A partida terminou com o Nice sofrendo 5 a 1 em casa.

O marfinense foi agredido no peito, na cabeça e na virilha. Já Moffi havia sido cobrado por ter sido filmado rindo ao lado de Loïc Féry, presidente do Lorient — clube onde jogava antes de se juntar à Riviera Francesa –, após a última derrota. Uma testemunha classificou o ataque ao nigeriano como chocante.

— Arrancaram o boné dele, puxaram seu cabelo e ele levou uns dez socos, alguns na virilha — relatou uma fonte em anonimato.

Florian Maurice, diretor esportivo do Nice (Foto: Icon Sport)
Florian Maurice, diretor esportivo do Nice (Foto: Icon Sport)

Maurice também foi alvo de ataques devido à insatisfação dos ultras com seu papel na última janela de transferências. O dirigente é um dos responsáveis pelas vendas e contratações do clube, cuja atuação no mercado não agradou parte da torcida.

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Atacantes recebem licença médica do Nice, que se posiciona

A dupla foi colocada em licença médica pelo Nice para se recuperar do trauma. Terem Moffi foi afastado por uma semana, e Jérémie Boga foi liberado das atividades por cinco dias. Os atacantes não devem ficar à disposição para o jogo contra o Angers no domingo (7), às 11h (horário de Brasília), na Allianz Riviera, pela 15ª rodada do campeonato.

Em nota oficial na última segunda-feira (1), o clube reconheceu “a frustração” pelas recentes más atuações, mas condenou os “excessos” cometidos pelos ultras, cujos ataques foram “inaceitáveis”. O Nice também manifestou seu “seu total apoio” aos funcionários agredidos e condenou os “atos de maior veemência”.

Ainda segundo a “ESPN”, fontes próximas ao elenco comandado por Franck Haise culparam o clube pela falta de segurança durante os protestos dos torcedores. Um jogador, que pediu para não ser identificado, confidenciou que os atletas estão “assustados” com a selvageria.

— Como é possível que eles não nos protejam mais? Foi inacreditável e assustador.

O Nice está na 10ª posição da Ligue 1 com 17 pontos, seis acima da zona de rebaixamento. O time de Haise também é o lanterna da Liga Europa com nenhum ponto em cinco partidas.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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