Copa da França

O Lille fez 12 a 0 em um time de Martinica na Copa da França, e isso reflete bem as ideias de seu treinador

Com um estilo de jogo imposto por Paulo Fonseca, o Lille passou por cima do modesto Golden Lion na Copa da França, reforçando as ideias do treinador

O Lille estreou em 2024 com o pé direito. Na Copa da França, o time comandado pelo português Paulo Fonseca encarou o Golden Lion, time semi-amador da Martinica, pequena ilha do Caribe. A história já era incrível pelo feito do time caribenho, e acabou com um resultado de 12 a 0 para os campeões da Ligue 1 21/22, o que reflete as ideias de seu treinador.

O sonho do Golden Lion, que viajou quase 7 mil km até a França para encarar o Lille, foi incrível. Mas a ilusão de fazer história e eliminar um time da Ligue 1 durou apenas 11 minutos, que foi quando os Dogues abriram o placar. Dali pra frente, saíram mais seis gols no primeiro tempo, com o complemento de mais cinco na etapa final. No fim, os jogadores do time caribenho ainda deixaram o campo sob aplausos da equipe de Paulo Fonseca, fechando assim o seu conto de fadas.

– Fizemos uma partida séria, isso foi o principal. Respeitamos o adversário e o público. Era importante fazer uma partida com intensidade. O mais importante era vencer e se classificar. Hoje fizemos muitas coisas boas, pressionamos alto e criamos muitas chances. Estávamos falando muito sério — afirmou Paulo após o jogo.

O resultado do Lille, que não teve dó de golear um time extremamente inferior, vai muito de encontro com o que pensa o técnico Paulo Fonseca. Em entrevista ao The Athletic, ele falou sobre como gosta de trabalhar, revelando um estilo bem Fernando Diniz de ver o futebol. No time francês desde junho de 2022, tendo chegado após uma temporada em que o clube foi campeão francês, o português já colhe grandes frutos, com uma classificação para a Conference League e um importante 5° lugar na atual edição da liga nacional.

Fonseca conseguiu ainda a melhor sequência como mandante da história do Lille, que ficou 22 jogos sem perder em casa. O clube francês é apenas a 6ª maior folha do país e, mais do que disputar ou ganhar títulos, sonha em implementar um modelo de jogo que encante o país e o mundo, algo que bate muito de frente com as ideias do treinador português.

– Não somos o maior clube da França. Não temos a mesma capacidade que alguns dos outros clubes. Mas podemos ser fortes se escolhermos os jogadores certos e se conseguirmos construir uma equipe com coragem — afirmou Paulo.

Estilo Diniz com coragem para jogar

Como citado, o Lille quer ter um modelo de jogo que encante, e Paulo Fonseca pensa o mesmo: “Para mim, nunca se trata apenas do resultado. É sobre o processo. O que criamos e como o criamos. Isto é muito importante para mim. Quero criar algo que permita que você aproveite o jogo”. Diante desse cenário, ele implementa em seu time um estilo muito parecido com o que estamos acostumados a ver os times de Fernando Diniz fazer no Brasil.

Os times de Fonseca constroem seu jogo com “saídas ousadas” da defesa, buscando vantagem numérica no meio-campo, atraindo os adversários para explorar os espaços deixados no campo: “Nosso jogo é atração”, declarou Fonseca. Esse tipo de jogo, como é sempre debatido no Brasil, também pode gerar muitos riscos e erros. O treinador português sabe disso, mas encoraja seus comandados cada vez mais e assume a culpa se algo der errado.

– Queremos que as equipes nos pressionem para podermos encontrar espaço. E assim corremos muitos riscos, principalmente quando construímos, porque a nossa primeira fase é o que nos permite dominar. Este tipo de jogo não é para jogadores fracos. Os jogadores têm que saber que vão cometer erros, mas insisto sempre que tentem. Saber que podem falhar, mas apenas dentro das intenções do time. Se der errado, a culpa é minha. Direi isso à mídia: ‘Eu sou o culpado aqui, não eles.' Estou pedindo aos meus jogadores que corram esses riscos — disse o português.

Quero criar algo espetacular. Algo para as pessoas realmente gostarem – Paulo Fonseca

Paulo Fonseca destacou ainda a importância de ter um time muito jovem que acredita e compra a ideia de futebol que ele tem, o que, segundo ele, é uma “sensação incrível”. Até o momento, as coisas estão saindo quase que perfeitamente como o planejado, e ele está orgulhoso disso. O treinador espera que a equipe dele siga encantando a França, a Europa e, quem sabe, o mundo.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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