Voa, canarinho, voa!

O Bursaspor parece ter sentido o peso da responsabilidade. A equipe seguiu por sete rodadas consecutivas na liderança e estava próxima de um feito histórico: ser o quinto clube a escrever o nome na história da Super Lig como campeão turco. Nas últimas rodadas, entretanto, os Yesil Timsah perderam a consistência e não conseguiram dar sequência à série de 11 jogos sem serem derrotados que os levara ao topo da tabela. Com três tropeços consecutivos nos jogos fora de casa, o time perdeu a vantagem que mantinha sobre os rivais e, após o empate com o Galatasaray, acabou relegado à segunda posição.
Sem ter interesse algum nos problemas internos de seus adversários, o Fenerbahce aproveitou-se da situação e assumiu a liderança da Super Lig. Agora, a três rodadas do encerramento do campeonato, os Sar? Kanaryalar (Canários Amarelos) transformam-se nos principais postulantes ao troféu nacional.
O time treinado por Cristoph Daum, é verdade, poderia ter traçado um caminho menos turbulento para chegar ao fim do torneio com chances reais de título. Até a vigésima rodada, o Fenerbahce havia ficado por treze rodadas não consecutivas na primeira colocação da competição. Porém, dois empates e duas derrotas seguidas (uma destas para o Bursaspor) jogaram o clube de Istambul quatro posições abaixo na tabela.
O choque da mudança drástica, ao que parece, gerou resultados imediatos e despertou os Sar? Kanaryalar na disputa pela liderança. Desde então, o clube não perdeu mais um jogo sequer e acumulou apenas um empate em oito partidas. Para motivar ainda mais o elenco, vieram duas vitórias em clássicos. Primeiro, fora de casa, bateu o Galatasaray por 1 a 0 e superou os velhos inimigos na tabela de pontuação. Três rodadas depois veio o êxito sobre o Besiktas, que consolidou ainda mais o clube na briga com o Bursaspor.
Dentre os principais trunfos apresentados pelo Fenerbahce nos últimos jogos, o principal deles é a consistência defensiva da equipe. O paredão formado pela linha de zaga não sofre gols há oito partidas, exatamente a sequência invicta do clube. Coincidência ou não, a boa fase da defesa ocorreu logo após a volta de Diego Lugano ao time. O uruguaio esteve ausente nos três reveses anteriores ao início da boa fase.
Outro ídolo do futebol brasileiro que se destaca na campanha do time de Cristoph Daum é o armador Alex. O capitão da equipe tem sido decisivo nos últimos confrontos. Nos três jogos mais recentes, participou de todos os quatro tentos anotados pelo Fenerbahce, provendo três assistências e marcando o gol da vitória no clássico contra o Besiktas. Não por menos, Alex é o líder em passes para gol e o artilheiro do clube. Até o momento, são doze assistências e dez gols marcados – somente um deles de pênalti, aliás.
O fato de o meia-armador ser o maior goleador do time, no entanto, expõe uma das maiores carências do elenco: a falta de um matador. O espanhol Daniel Guiza, contratado há duas temporadas para o posto, ainda não agradou. Mesmo tendo balançado as redes por nove vezes em 24 partidas da Super Lig, o centroavante ainda não é considerado confiável o suficiente pela crítica.
Entretanto, se Cristoph Daum sofre com a ausência de alguém que coloque a bola nas redes em alguns momentos, ao menos o treinador alemão conta com a participação do restante do grupo nas jogadas ofensivas do time. Sinal disso é que, ao todo, quinze jogadores já balançaram as redes ao longo do campeonato, o que contribui para que o time tenha o terceiro ataque mais efetivo na competição.
Em seus três jogos restantes no torneio, o Fenerbahce ainda tem a vantagem de atuar por duas vezes em seu próprio estádio. Jogando no ?ükrü Saraco?lu, o clube possui aproveitamento de 84,4% dos pontos disputados. Além disso, de todos os seus adversários, o único com algum interesse no campeonato é o Trabzonspor. O rival na última partida, todavia, poderá perder as chances de conseguir uma vaga na Liga Europa já na próxima rodada.
E se a Super Lig é o objetivo maior para os Sar? Kanaryalar, uma dobradinha não deixa de ser cogitada para esta temporada: o clube também garantiu passagem para a final a Türkiye Kupas?, a Copa da Turquia. A classificação foi conquistada após empate com Manisaspor por 1 a 1 e, durante a partida, Alex mais uma vez demonstrou ser vital ao clube. O brasileiro foi o autor do tento que igualou o placar, uma pintura na qual deu uma caneta no marcador antes de passar por mais dois defensores com um lindo giro e arrematar no canto do gol. A decisão será realizada no dia 5 de maio, em jogo único contra o Trabzonspor, sediado no campo neutro de Sanliurfa.
Grécia: Realidade Alternativa
À vista da previsibilidade de suas últimas edições, o título do Panathinaikos foi uma das grandes novidades reservadas para a atual temporada da Super League. No entanto, surpresa maior ainda é a possibilidade de o Olympiacos ficar de fora da próxima Liga dos Campeões, fato este que, por si só, já tira o futebol grego da rotina estabelecida ao longo da última década.
Logicamente, o rumor da ausência na principal competição continental soa o alarme de emergência em Pireu. Os Thrylos participam ininterruptamente da Champions League desde a temporada 1997/98 e, durante esse período, fizeram a sua melhor campanha na história do torneio – chegaram às quartas-de-final na temporada de 1999. Mais que vaidade, porém, a competição significa um rendimento certo para os cofres do clube ao menos na primeira metade da temporada.
Tomando como exemplo a sua última participação na Liga dos Campeões, o Olympiacos lucrou 9,9 milhões de euros somente em sua passagem pela primeira fase da competição. Na etapa seguinte, eliminado pelo Arsenal, garantiu ainda mais 3 milhões por ter chegado até as oitavas-de-final. Ao todo, os Thrylos receberam 12,9 milhões, o suficiente para cobrir os pouco mais de 8 milhões de euros gastos com contratações de jogadores ao longo da temporada.
O presidente e principal financiador da equipe, Socratis Kokkalis, já deve ter noção do prejuízo que pode ter no próximo ano. Além da crise econômica com a qual convive na economia grega, o bilionário precisará controlar também a crise futebolística vivida em Pireu.
Entretanto, antes que tamanho desfalque financeiro seja considerado na folha de pagamentos do Olympiacos, o clube ainda disputará o quadrangular final da Super League. E nos próximos seis jogos é que será definida a participação da equipe na Liga dos Campeões 2010/11, bem como a todo o planejamento para a próxima temporada.
Esta será, inclusive, a primeira vez que os Thrylos jogarão o quadrangular decisivo do campeonato grego, sistema que define os últimos classificados para as competições européias há três anos. A inexperiência no esquema, no entanto, não deve prejudicar tanto o time.
Além disso, o Olympiacos já entra em leve vantagem na tabela de classificação da etapa final. Conforme o regulamento da Super League, cada equipe tem direito a uma pontuação específica no quadrangular, calculada a partir dos pontos obtidos durante as 30 rodadas do campeonato regular. Assim, os Erythrolefki partem com quatro pontos na tabela, enquanto PAOK, AEK e Aris, seus adversários na competição, iniciaram com três, um e zero pontos, respectivamente.
A questão principal é que, se a largada na frente dá impressão de gordura a queimar ao longo das decisões, o retrospecto histórico mostra que nem sempre aquele que sai na frente é o beneficiado com a vaga na Champions League. Nas outras duas oportunidades em que o quadrangular foi realizado, os líderes iniciais, AEK e PAOK, acabaram superados pelo Panathinaikos.
Dentro de campo, o que mais deverá pesar para o Olympiacos é a falta de efetividade do ataque, que registrou a pior média de gols desde a Alpha Ethnik de 87/88, quando o clube não passou da oitava colocação geral. Nas 30 rodadas da Super League, o time marcou quatro ou mais gols em apenas uma partida, número baixíssimo quando consideramos a diferença no nível técnico dos times gregos.
Em relação ao confronto direto com os rivais na disputa do quadrangular derradeiro, o Olympiacos possui aproveitamento de 50% dos pontos disputados, com três vitórias e três derrotas. Dois desses reveses, porém, aconteceram em Pireu, o que alerta o desempenho abaixo do esperado nos jogos feitos em seus domínios.
Contudo, em um torneio curto como este, mais vale a motivação do momento que qualquer retrospecto anterior. Motivo suficientemente importante para que os Thrylos esqueçam os maus bocados que passaram este ano e, ao menos, tentem salvar financeiramente a temporada que vem.
Chipre: A um ponto do título
Faltando apenas duas rodadas para o fim da Marfin Laiki League, o Omonia garante o título nacional com um empate em seu próximo confronto. Cinco ponto à frente do Anorthosis, o vice-líder do quadrangular final, o clube jogará em seus próprios domínios contra o APOEL, terceiro colocado, para tentar garantir a taça.
A despeito da proximidade da conquista, entretanto, os Kifines têm um desempenho apenas regular na fase decisiva do campeonato cipriota. Dos quatro jogos feitos até aqui na presente etapa da competição, venceram apenas um, o primeiro deles, e empataram os outros três. Ao menos como alento para os torcedores, vale lembrar que a única vitória foi exatamente ante o APOEL, em partida disputada na casa dos rivais.
Somando quatorze jogos de invencibilidade, o Omonia tem sua folga na classificação explicada pela boa campanha feita na fase “geral” da competição. Como na Marfin League as equipes carregam para o quadrangular final a pontuação atingida ao longo primeira fase, os Kifines agora tiram proveito dos quatro pontos de vantagem que obtiveram anteriormente.
Além do mais, os principais adversários dos “quase-campeões” também cambalearam durante o quadrangular final. O Anorthosis, segundo colocado, conseguiu apenas cinco de 12 pontos colocados em jogo e o Apollon Limassol fez somente dois pontos. O APOEL é o único com aproveitamento superior ao do Omonia na fase decisiva e, mesmo assim, ainda está distante seis pontos dos líderes.
Ao que parece, dificilmente os Kifines deixarão escapar o êxito na competição nacional. Caso ganhe, a equipe quebra um jejum de sete anos na Marfin Laiki League. Mais ainda, com a vigésima taça no campeonato cipriota, o clube poderá se tornar, ao lado do APOEL, o maior vencedor da história do certame.



