Europa

Vikings rumo ao Leste Europeu

Após treze meses de disputa, as eliminatórias para a Eurocopa de 2012 terminam com um saldo mais que positivo para as principais seleções escandinavas. Através de resultados fantásticos na última rodada, Dinamarca e Suécia carimbaram diretamente o passaporte para a Euro da Polônia/Ucrânia. A Noruega bateu na trave, mas fica a boa impressão pelo desempenho apresentado numa chave difícil.

Suécia: quarta Eurocopa consecutiva garantida

A arrancada final sueca rumo ao posto de melhor segunda colocada na fase de qualificação começou a ganhar corpo no dia 7, quando venceu a já eliminada rival Finlândia por 2-1, jogando em Helsinque. Descontados os resultados contra o saco de pancadas San Marino (como haviam grupos de cinco e seis equipes, as seleções das chaves mais numerosas tinham seus placares contra os lanternas desconsiderados pela UEFA, numa solução que igualava o número de partidas entre os times de diferentes grupos no momento de rankear os melhores segundos colocados), a Suécia chegava até a rodada final com 15 pontos, já garantida como segunda colocada de seu grupo e com uma vaga na repescagem, mas com um ponto a menos que Portugal na disputa pela vaga direta para o melhor segundo no geral. Para garantir o posto sem depender de outros resultados, a parada era dura: bater a quase imbatível Holanda, com 100% de aproveitamento até então.

Sem Ibrahimovic, suspenso, a mandante Suécia abriu o placar antes dos quinze minutos, com o meia Kim Kallström. Pouco depois, Huntelaar empatou para a Holanda – que viraria o placar logo no início do segundo tempo. A contagem adversa após sair na frente teria tudo para se transformar num fator de desequilíbrio emocional para um time que precisava da vitória. Era necessária uma reação imediata, que chegou no pênalti batido por Sebastian Larsson, convertido apenas dois minutos após o segundo gol laranja. E não parou por aí: passados outros dois minutos, o vira-vira mudou de lado quando Ola Toivonen colocou os donos da casa em vantagem novamente. Depois de uma primeira parte de segundo tempo frenética, o placar não se alterou novamente.

A confirmação da vaga na Eurocopa confirma o bom trabalho do treinador Erik Hamrén, que começou pressionado após a ausência na Copa do Mundo da África do Sul. Aos poucos, o treinador encontrou o time ideal, mesclando nomes já firmados, como Ibrahimovic e Kallström, veteranos que ainda mantêm a boa forma – vide Anders Svensson – e jovens em ascensão, caso de Rasmus Elm. Uma vaga conquistada através de uma virada sobre uma seleção de topo deve, com razão, aumentar a empolgação de atletas e torcida. Nas entrevistas após o jogo, Hamrén afirmou estar sentindo “uma alegria imensa e um orgulho enorme”. Por falar nisso, os suecos podem se gabar de um feito louvável: ser uma das raras equipes a terem vencido a Holanda nos últimos anos. Outro interessante feito sueco: após estrear em fases finais apenas em 1992, será a quarta Euro seguida da seleção azul e amarela.

Dinamarca atropela

No Grupo H, a Dinamarca recebeu Portugal para uma mini-decisão. Empatadas com os mesmos 16 pontos, quem vencesse estaria na Eurocopa. Ao perdedor, a vaga direta até poderia chegar, mas somente através de uma combinação de outros resultados.

E se a Suécia poderá se vangloriar de ter batido uma seleção grande e se classificado para mais uma Euro consecutiva, os dinamarqueses não ficarão atrás. Ok, Portugal não está no nível da Holanda atual, mas vencer uma seleção com estrelas do calibre de Cristiano Ronaldo e Nani não é tarefa fácil para um time que, embora tradicional, não possui a camisa de uma Alemanha.

Sabe aquela história de “placar mentiroso”? Foi exatamente o que se viu em Copenhague. O resultado de 2-1, aliado ao caráter decisivo da partida, pode sugerir um jogo equilibrado e dramático. Porém, não foi nada disso. Os daneses dominaram as ações desde o início e a vitória jamais pareceu ameaçada. O gol de honra luso, aliás, foi marcado por Ronaldo apenas no último minuto de partida.

A primeira colocação do grupo marca não somente o retorno da Dinamarca aos gramados da Eurocopa (após ausência em 2008), como também um “chega pra lá” na ressaca pós-Copa do Mundo que pairou sobre o futebol dinamarquês, após o terrível desempenho da equipe no Mundial da África do Sul. E um dado interessante: desde 1984, os dinamarqueses só não estiveram na Euro passada. Já contabilizando a do próximo ano, serão sete presenças nas últimas oito edições. Um feito silencioso, porém digno de nota.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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