Europa

Vexame em casa

Os 37.500 torcedores que lotaram o St. Jakob Park, na Basiléia, na última quarta-feira, podem ter ficado entusiasmados quando a escalação oficial foi anunciada e, apenas pela segunda vez na temporada, o FC Basel começou a partida com Marco Streller e Eren Derdiyok jogando lado a lado. Uma formação mais ofensiva, com dois atacantes, era a esperança dos rotblaus para conseguir, em casa, os primeiros pontos na Liga dos Campeões. A aposta dera certo na sexta anterior, pela Copa da Suíça, quando o time goleou o FC Bulle, da terceira divisão, por 4 a 1.

Mas bastaram vinte e dois minutos para que a esperança se transformasse em desespero. Se o técnico Christian Gross buscava a reação naquela noite chuvosa, recebeu da pior maneira um recado claro e direto: do outro lado, estava outro FCB, também azul e vermelho e até com origem próxima ao time basiléio. Com cinco gols, o Barcelona impôs a maior goleada desta edição da UCL, igualando seu melhor resultado na história da competição e marcando a pior derrota em casa da história do time suíço em competições européias – superando os 5 a 1 aplicados pelo Celtic em 1963 na extinta Copa dos Campeões das Copas.

Gross optou por abandonar o tradicional esquema 4-1-4-1 da equipe, utilizado em 13 dos 15 jogos do time na Super League e na UCL. Com Streller novamente em forma e Derdiyok recuperado de uma lesão no joelho, o treinador optou por utilizar o australiano Scott Chipperfield na meia-esquerda, sacando o alemão Jürgen Gjasula do meio-campo e avançando o único volante de contenção do time, Benjamin Huggel, para a segunda linha de quatro homens. Sem o meia-direita Carlitos, machucado, o atacante chileno Eduardo Rubio foi testado novamente na posição.

O que se viu foi uma equipe completamente perdida em campo, envolvida facilmente pelo rápido e sedutor toque de bola catalão, reforçado pela grande habilidade individual de jogadores como Messi e Bojan. Sem a referência de Huggel à frente, a lenta linha de zaga permaneceu indecisa durante todo o jogo, oferecendo condições para lançamentos em profundidade e arremates. Isto pôde ser visto claramente em três dos cinco gols espanhóis, mas especialmente nos dois primeiros, onde linhas de cinco homens marcaram a bola e deixaram Messi e Busquets livres para receber e marcar.

Para piorar, o volante suíço não se encontrou na segunda linha e pouco combateu Xavi, que fez grande partida pelo lado direito com Daniel Alves. O sérvio Ergic, que se destacou na fase preliminar e também na liga doméstica, foi titular pela primeira vez desde agosto e sentiu a falta de ritmo.

A mudança tática em si não foi o principal erro de Gross. Contra o Aarau, pela Super League, ele não tinha Streller e Derdiyok e colocou um ataque rápido, com Ohran Mustafi e Rubio, reduzindo a linha média para três homens e mantendo Huggel recuado. O resultado foi um 2 a 0 com atuação convincente. O problema é testar uma formação nova justamente na segunda partida mais difícil do ano – a primeira, obviamente, será no Camp Nou.

As entrevistas pós-jogo refletiram o estado de espírito dos atletas. “É normal que percamos para o Barcelona, mas não desta maneira. Mas ter a partida já perdida tão cedo foi decepcionante”, afirmou Ergic. A decepção, estampada na cara de Gross a cada gol espanhol, refletiu também na entrevista do técnico. “Nos entregamos muito rapidamente. O nível do Barcelona é outro, mas equipes muito mais fortes como o Atlético de Madrid também foram goleadas. Erramos nos passes e na posse de bola”, analisou. E ao menos nisto, acertou: ao final do jogo, o Basel ficou com a bola no pé apenas 20 dos 63 minutos efetivos de bola rolando (ou seja, 32% do tempo).

O resultado em si pode não influenciar muito na seqüência de Gross no comando da equipe que ele liderou com sucesso nos últimos seis anos, tendo conquistado quatro título nacionais. A derrota até já era esperada, como se pode ver pelas declarações. A questão é até que ponto a campanha pífia na UCL (pior defesa com nove gols sofridos e segundo pior ataque com apenas um marcado) pode interferir na Super League. Atualmente, o time divide a ponta com o FC Zürich, mas fica atrás no saldo de gols. Nas duas últimas partidas, derrota em casa para o Young Boys e empate fora com o Grasshoppers.

Que Gross fique de olho, pois apesar dos serviços prestados, novos vexames em casa poderão não ser perdoados.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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