Europa

Único clube de Israel com dona mulher ganha seu primeiro título nacional em 40 anos

O futebol, como mero reflexo da sociedade, também está contaminado pelo machismo e não vê tantas mulheres em cargos de comando quanto deveria. A senegalesa Fatma Diouf Samoura quebrou uma barreira ao ser nomeada secretária-geral da Fifa, semana passada, pelo presidente Gianni Infantino. Poucos clubes do mundo são chefiados por mulheres. Margarita Louis-Dreyfus, dona do Olympique Marseille, é uma exceção. Alona Barkat, proprietária do Hapoel Beersheba, o mais novo campeão israelense, é outra.

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O Beersheba selou o título israelense no último sábado, com vitória por 3 a 1 sobre o Bnei Sahkhnin. Terminou o torneio com dois pontos a mais que o Maccabi Tel Aviv e reivindicou sua primeira conquista da liga nacional desde 1976, quando foi bicampeão.  Foi o resultado do bom trabalho tocado por Barkat, que comprou o clube da cidade de 200 mil habitantes, no sul de Israel, em 2007, quando ele estava preso à segunda divisão e com problemas financeiros.

Mulher de Eli Barkat, bilionário do ramo da tecnologia e irmão do prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, Alona pagou US$ 1,8 milhão pelo time e conquistou o acesso à primeira divisão dois anos depois, tornando-se a única dona de clube da elite de Israel. “Desde que era criança, sempre me interessei em ‘coisas de garoto’, como corridas de carro. E também desenvolvi um interesse pelo futebol”, afirmou, em entrevista ao Times de Israel. “Estive envolvida com filantropia e pensei que não haveria maneira melhor de promover valores educacionais e mudar a sociedade do que por meio do futebol”. O Beersheba trabalha com a comunidade local e tem programas que atendem a aproximadamente 600 jovens.

Barkat administra o quinto maior orçamento da Premier League israelense, por volta de US$ 13 milhões nesta temporada. O Maccabi Tel Aviv, por exemplo, gastou US$ 40 milhões. Não se trata de uma história de Cinderela, mas o Beersheba também não é dos mais ricos. Seus principais jogadores são os atacantes Ben Sahar, ex-Chelsea, e Elyaniv Barda, ex-Genk, artilheiro do time na temporada com 14 gols. O nigeriano John Ogu, com passagens pelo futebol português (União de Leiria e Acadêmica), foi eleito o melhor estrangeiro da liga depois do título.

O Beersheba vinha fazendo campanhas consistentes na primeira divisão há pelo menos duas temporadas. Foi vice-campeão em 2013/14 e terceiro colocado no último campeonato. Em ambas as ocasiões, classificou-se para a Liga Europa, mas foi eliminado na segunda fase preliminar pelo RNK Split, da Croácia, e pelo Thun, da Suíça, respectivamente. Agora, disputará a Champions League, também nas eliminatórias que precedem a fase de grupos.

A dona do clube não é de fugir da polêmica. Segundo o Times, ameaçou vender o clube, em 2010, quando torcedores agrediram o técnico Guy Azuri. Os fãs recuaram, e ela continuou no comando. Na última temporada, o Beersheba chegou à decisão da Copa de Israel, mas o treinador Elisha Levy, que não conseguiu passar do terceiro lugar, foi demitido uma semana antes da partida contra o Maccabi Tel Aviv. O Beersheba foi goleado por 6 a 2 na final.

“Para dizer a verdade, eu não sinto nenhuma diferença na maneira como as pessoas relacionam-se comigo. No começo, algumas pessoas achavam estranho, mas agora parece natural para todos. O fato de eu ser uma mulher não é mais um problema. Sou julgada pelos resultados”, afirmou.

E os resultados não poderiam ter sido melhores. O Beersheba venceu o campeonato com apenas três derrotas em 36 partidas, e Alona Barkat agora é dona do melhor time de Israel. Depois do título, desceu aos vestiários para comemorar com o elenco, pois, em suas próprias palavras, o fato de ela ser mulher já foi naturalizado, e o futebol deu mais um passo à frente na luta contra o machismo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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