Europa

Um dos clubes mais tradicionais da Escócia, o Hearts volta à elite após uma temporada na segundona

Rebaixados pela segunda vez em menos de dez anos, os grenás conseguiram voltar de imediato à elite

O Campeonato Escocês contará com o retorno de um de seus clubes mais tradicionais na próxima temporada. Neste final de semana, o Hearts confirmou o título na segunda divisão local, assim como sua promoção automática à elite. O time de Edimburgo goleou o Alloa por 6 a 0 na sexta e contou com tropeços de dois concorrentes para garantir a volta. Os grenás sustentam uma vantagem de 13 pontos sobre o segundo colocado, restando mais quatro rodadas para o final da competição. Na segundona escocesa apenas o primeiro colocado sobe diretamente, enquanto do segundo ao quarto ficam com vagas para os playoffs contra o penúltimo da elite.

Um dos clubes mais antigos do país, fundado em 1874, o Hearts soma quatro títulos no Campeonato Escocês. Porém, seu jejum perdura desde 1959/60. Os grenás atravessam décadas bem mais problemáticas neste século, com os sucessos limitados a dois troféus na Copa da Escócia. A equipe de Edimburgo já tinha caído em 2013/14, numa época em que convivia com sérios problemas financeiros, após 31 temporadas consecutivas na primeira divisão. O acesso foi imediato em 2014/15, numa edição duríssima da segundona em que Hibernian e Rangers fracassaram na tentativa de subir. No entanto, o Hearts não deu passos tão firmes na reconstrução e caiu cinco temporadas depois, com a lanterna no Escocesão 2019/20.

Embora o Hearts enfrente as consequências da crise provocada pela COVID-19, o último rebaixamento correspondeu mais ao mau desempenho esportivo. Os grenás foram finalistas da Copa da Escócia, mas fizeram uma campanha fraquíssima no Campeonato Escocês e venceram apenas quatro partidas em 30 rodadas. A diretoria ainda tentou acionar a justiça desportiva, dizendo que o time foi prejudicado pela pandemia, o que não colou. Como consequência do descenso, o comando foi inteiramente renovado em Edimburgo, com a chegada do treinador Robbie Neilson (antigo jogador do clube e responsável pelo acesso em 2014/15), assim como do conselheiro Jim Jefferies e do chefe executivo Andrew McKinlay.

Os novos ares fizeram bem ao Hearts, que buscou o acesso nesta edição da Championship. Os grenás venceram 15 das 24 partidas disputadas pela segundona, sustentando o melhor ataque, que rendeu 56 gols na competição. Assim, conseguiram disparar num campeonato sem tantos concorrentes tradicionais, apesar de algumas atuações pouco convincentes e também de uma eliminação caótica na Copa da Escócia diante do inexpressivo Brora Rangers, da quinta divisão. Raith Rovers, Dundee e Inverness ocupam atualmente a zona aos playoffs de acesso na segundona, enquanto Dunfermline e Queen of the South correm por fora pela promoção.

O principal nome do Hearts na Championship foi o atacante Liam Boyce. O norte-irlandês chegou em janeiro de 2020 e, mesmo sem evitar o descenso, virou artilheiro da segundona com 14 gols. Os grenás também contam com alguns veteranos conhecidos da seleção escocesa. O atacante Steven Naismith é o capitão, no clube desde 2018. Já um dos reforços em busca do acesso foi o goleiro Craig Gordon, de longa trajetória por Sunderland e Celtic, mas que havia começado a carreira no clube de Edimburgo e voltou depois de 13 anos longe.

Neste momento, o objetivo do Hearts é se restabelecer na primeira divisão do Campeonato Escocês. O clube chegou a ser terceiro colocado quando voltou em 2015/16, mas aquele impacto inicial não se preservou. Parece ser muito mais importante uma escalada gradual. O próprio Rangers serve de exemplo no país, embora as proporções entre os dois clubes sejam bastante diferentes. De qualquer maneira, voltar a figurar na parte de cima da tabela e almejar as copas europeias, como faz o rival Hibernian, seria um enorme alento à torcida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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