Futebol europeu

Uefa ameaça Infantino com processo após plano de vender direitos da Copa do Mundo

Entidade europeia notificou outros envolvidos para preservar documentos relacionados ao projeto abandonado, e crise aprofunda ruptura entre as duas maiores organizações do futebol mundial

A crise política entre Uefa e Fifa ganhou um novo capítulo. Após liderar a oposição ao projeto de venda de participações comerciais da Copa do Mundo para investidores privados, a entidade que comanda o futebol europeu agora ameaça Gianni Infantino com medidas judiciais e exige que o presidente da Fifa preserve todos os documentos relacionados ao plano.

Segundo informações do jornal inglês “Telegraph”, a Uefa enviou notificações formais não apenas a Infantino, mas também a outros envolvidos como Joshua Kushner, Greg Maffei, JP Morgan e OpenEconomics, informando que avalia abrir processos judiciais, arbitragens e até denúncias regulatórias em razão da proposta, que acabou sendo retirada pela Fifa após forte reação do futebol mundial.

O chamado Fifa Forward Enterprise (FFE) previa a venda de participações comerciais da Copa do Mundo e de outros torneios da Fifa para um grupo de investidores privados. O projeto foi abandonado no último sábado (1) após enfrentar uma rebelião liderada pela Uefa.

Uefa exige preservação de provas e Infantino tem cinco dias para responder

De acordo com o Telegraph, a carta enviada pela Uefa a Infantino tem tom duro e determina que a Fifa preserve imediatamente toda a documentação relacionada ao projeto. No documento, a entidade afirma estar “considerando ativamente ações judiciais, procedimentos arbitrais e/ou denúncias regulatórias” envolvendo o FFE.

Além disso, faz um alerta direto para que nenhum arquivo seja apagado: “Você e a Fifa devem tomar medidas imediatas para identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações eletrônicas descritos nesta notificação.”

Infantino é o presidente da Fifa. Foto: IMAGO / STEINSIEK.CH

A Uefa acrescenta que essa obrigação se sobrepõe inclusive às políticas internas de retenção de documentos da Fifa e alerta que qualquer destruição de provas poderá ter consequências legais.

Segundo a entidade, a exclusão, alteração ou ocultação de documentos após o recebimento da notificação poderá ser interpretada como destruição de provas em um eventual processo judicial.

Ainda segundo o Telegraph, a Uefa concedeu cinco dias úteis para que Infantino confirme formalmente o recebimento da notificação. A entidade quer que a Fifa informe:

  • que recebeu e compreendeu o conteúdo da carta;
  • quais medidas foram adotadas para preservar os documentos;
  • quem ficará responsável por supervisionar esse processo;
  • e se algum material relevante já foi destruído ou apagado.

A carta também cita outros dirigentes da Fifa que, segundo a Uefa, podem possuir documentos importantes relacionados ao projeto. Entre eles estão o diretor de desenvolvimento global do futebol, Arsène Wenger, o secretário-geral Mattias Grafström e o diretor de operações Kevin Lamour.

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Crise se agravou após ameaça de boicote à Fifa

O plano da Fifa já havia provocado uma das maiores crises institucionais da história recente do futebol. Antes mesmo da desistência do projeto, a Uefa anunciou que suas 55 federações filiadas estavam dispostas a boicotar futuras edições da Copa do Mundo caso a iniciativa fosse levada adiante.

O movimento representou um desafio direto à liderança de Infantino e expôs a divisão entre as principais confederações do futebol mundial. Desde então, dirigentes europeus também passaram a defender publicamente uma mudança no comando da Fifa.

Gianni Infantino, presidente da Fifa
Gianni Infantino, presidente da Fifa. Foto: IMAGO / STEINSIEK.CH

O Telegraph também revelou os principais nomes envolvidos na estruturação do FFE. Entre eles está Joshua Kushner, cujo irmão, Jared Kushner, é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo a publicação, o fundo controlado por Joshua Kushner aparecia como principal candidato para liderar o grupo de investidores interessados na operação. Outro nome citado é Greg Maffei, ligado ao fundo Bann Ventures e ex-presidente da Liberty Media, grupo que controlou comercialmente a Fórmula 1.

Também participaram das discussões a instituição financeira JPMorgan Chase e a consultoria OpenEconomics, apontadas como participantes da busca por investidores para viabilizar o projeto.

Embora o plano tenha sido abandonado, a ofensiva jurídica da Uefa indica que o caso está longe de ser encerrado e pode desencadear uma disputa institucional sem precedentes entre as duas principais entidades do futebol mundial.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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