Confederações se unem contra Infantino e colocam futuro do presidente da Fifa em xeque
Fracasso do plano para vender parte dos direitos da Copa do Mundo levou entidades a cobrarem mudanças no comando da Fifa
Gianni Infantino vem sofrendo uma grande pressão das confederações após anunciar um plano bastante controverso envolvendo a Copa do Mundo. O dirigente anunciou nos últimos dias que pretendia vender 30% dos direitos comerciais do Mundial para investidores privados.
Na prática, o projeto faria com que um grupo de empresários passasse a controlar parte dos interesses comerciais dos principais torneios organizados pela Fifa.
A decisão não foi aprovada pela maioria das confederações, que passaram a pressionar o dirigente para deixar o cargo de presidente da Fifa. A Uefa, por exemplo, acusou Infantino de “vender a alma do futebol”.
Segundo o “The Telegraph”, as 55 federações filiadas à Uefa estariam dispostas a votar pela destituição de Infantino do cargo, caso ele se recuse a deixar a presidência de maneira voluntária. A entidade europeia anunciou neste sábado (1) que perdeu a confiança na atual gestão da Fifa e cobrou mudanças.
A Federação Inglesa (FA) apoiou a posição da Uefa e lançou uma nota, afirmando que apoia a revisão dos cargos de liderança e governança da Federação Internacional de Futebol.
— Apoiamos totalmente a posição da Uefa. Chegou a hora de uma revisão completa e rigorosa da liderança e da governança da Fifa para garantir que o futebol mundial seja administrado de forma transparente, em benefício das 211 associações filiadas, com a preservação do esporte como prioridade — disse a entidade em nota.
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Uefa também emite nota repudiando Infantino
A confederação europeia também emitiu uma nota repudiando o presidente da Fifa. Para a entidade, eles não podem aceitar que planos feitos à pressa sejam colocados em prática.
— Não podemos continuar dessa forma, com planos secretos elaborados às pressas, criados por pessoas sem rosto e de benefício duvidoso para o futebol. Precisamos identificar os responsáveis e responsabilizá-los — afirmou.
A Uefa também afirmou que irá anunciar discussões com suas federações para entender como a situação chegou a esse ponto e impedir que episódios semelhantes aconteçam novamente.
— É correto que, nos próximos dias e semanas, a Uefa trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não volte a ocorrer. Essa revisão deve ser profunda e estrutural. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também de muitos outros membros da família do futebol — completou.
A Uefa também relembrou o período de eleições da Fifa, em que Infantino pediu votos para ser eleito, afirmando transparência, mas que isso não aconteceu e que promessas não foram cumpridas.
— Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das associações nacionais para ser eleito presidente da Fifa, afirmou: ‘É claro que precisamos ser transparentes. Fui transparente durante os últimos 15 anos na Uefa. Vocês participarão diariamente da vida da Fifa.’ Em seguida, declarou: ‘O dinheiro da Fifa pertence a vocês. Não é dinheiro do presidente da Fifa. É dinheiro das associações nacionais e deve servir ao desenvolvimento do futebol, e não a qualquer outra finalidade. Em ambos os compromissos, ele fracassou. O acordo obscuro, elaborado nos bastidores e que tentou impor, esteve muito longe de qualquer transparência — escreveu.
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Confederação Asiática também apoia Uefa
A AFC também anunciou apoio à Uefa e declarou oposição ao plano da Fifa. A Confederação Asiática declarou estar “em solidariedade com a Uefa e a Concacaf para proteger a Copa do Mundo da Fifa”.
Com isso, Infantino deixou de ter o apoio de mais da metade das 211 associações nacionais filiadas à Fifa, inviabilizando a aprovação da proposta levantada nos últimos dias.
Concacaf envia nota repudiando atitude da Fifa
Após a decisão da Fifa de retirar a proposta, a Concacaf também se posicionou, afirmando satisfação com a decisão da entidade em não seguir com o plano adiante.
— A Confederação também parabeniza suas 41 Associações Membro e toda a família do futebol pela coragem e união demonstradas nesta semana. Em um momento que exigia liderança pautada por princípios, nossos membros se uniram em defesa dos interesses de longo prazo do futebol e dos princípios da boa governança — escreveu em nota.
— Os acontecimentos dos últimos dias expuseram algo que agora não pode ser ignorado: o futuro da Copa do Mundo da Fifa, o maior patrimônio do futebol mundial, foi definido fora de qualquer estrutura de governança estabelecida, sem transparência, consulta ou devido processo legal. Uma proposta desta magnitude não chega a este ponto por acaso. É sintoma de uma liderança que deixou de priorizar o futebol. Este recente ato unilateral e flagrante de má gestão e liderança segue um padrão de erros e comportamentos semelhantes. Uma análise profunda desta presidência é imprescindível — seguiu.