Eliminatórias da EurocopaEuropa

Turquia levou a lei do ex a outro patamar e complicou a Holanda por vaga na Eurocopa

O aumento do número de seleções na Eurocopa tornou as Eliminatórias muito mais simples para a maioria dos países. A maioria, eu disse. Porque a Holanda se complicou, e muito. Pior ainda: tomando um gol de um jogador que nasceu no país, mas preferiu defender a nação da sua etnia. Uma versão curiosa da lei do ex, que complicou muito a Holanda. A seleção, que agora é comandada por Danny Blind, já não tem mais chances de uma vaga direta e terá que sofrer muito para ficar com a vaga que leva à repescagem. Uma disputa que será justamente com a Turquia, que meteu 3 a 0 nos holandeses neste domingo.

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O holandês que ajudou a complicar o seu país de nascimento foi Oguzhan Özyakup, meio-campista de 22 anos. Ele nasceu em Zaandam, na Holanda, chegou a jogas nas categorias de base do Arsenal, jogou nas seleções sub-17 e sub-19 da Holanda, mas acabou optando por mudar de nacionalidade no futebol e fazer jus à sua origem étnica, que é turca.

Isso porque mesmo nascido na Holanda e tendo jogado na base do AZ e do Arsenal, a sua carreira só decolou quando ele se transferiu para o Besiktas, em 2012, aos 19 anos. Desde então, decidiu defender o país. Foi convocado para a seleção sub-21, em 2012, e de 2013 em diante passou a ser convocado para o time principal. Quis o destino que Ozyakup enfrentasse a Holanda nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2016 e, mais ainda, que fizesse contra a Holanda o seu primeiro gol pela seleção turca. Foi aos oito minutos do primeiro tempo, depois de um passe primoroso de Arda Turan.

Turan, aliás, foi decisivo. Se no primeiro gol ele fez o passe, no segundo ele resolveu por si só. Uma cobrança de lateral errada dos holandeses resultado no bote de Turan, que ficou com a bola, avançou dentro da área, aos trancos e barros, na força, e chutou. Nem foi muito forte, mas o goleiro Jasper Cillessen engoliu o chute no próprio canto. Eram 26 minutos de jogo.

Com uma situação tão desfavorável, a Holanda tentou ir para cima. Fazia uma força danada para vencer o ambiente hostil da Torku Arena, em Konya. Os holandeses tentaram, mas conseguiam criar pouco. Ficavam com a bola, no campo ofensivo, mas de forma inofensiva. Até que veio uma pontada mortal. Caner Erkin disputou com o lateral Gregory van der Wiel, fez falta ao puxar a camisa do lateral, mas o árbitro Antonio Miguel Mateu Lahoz mandou seguir. Erkin tocou então para Burak Yilmaz, que girou e chutou para marcar 3 a 0.

E agora?

A situação se complicou muito para os holandeses. Como a República Tcheca venceu e Letônia por 2 a 1 fora de casa, garantiu a classificação, com 19 pontos. A Islândia, com 18 pontos, precisa só de um empate com o Cazaquistão, ainda neste domingo, para também assegurar a sua vaga. Mesmo que perca, ainda poderá empatar com a Letônia, na próxima rodada, em casa para se garantir. Isso porque a Turquia só pode chegar a 18 pontos e a Holanda a 16.

A disputa, de fato, passará a ser pelo terceiro lugar, que dá uma vaga nos playoffs. E a briga é entre Turquia e Holanda. Com 12 pontos, a Turquia tomou o terceiro lugar do grupo A da Holanda, que tem apenas 10. Restam ainda duas rodadas para o fim da classificação, para definir as posições. A Holanda irá visitar o Cazaquistão em Astana, enquanto a Turquia enfrentará a classificada República Tcheca em Praga, ambos no dia 10 de outubro. Na última rodada, no dia 13 de outubro, a Holanda recebe em casa a República Tcheca, enquanto a Turquia receberá a Islândia em Bursa.

Os turcos têm um caminho mais difícil, mas também tem dois pontos a mais. A Holanda precisará vencer os dois jogos e torcer para a Turquia ao menos empatar um dos dois jogos que lhe restam. Uma situação complicada para o time que ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo, perdendo só na semifinal para a Argentina, nos pênaltis, e batendo o anfitrião Brasil na disputa de terceiro lugar.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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