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Três anos após disputar a terceira divisão, o tradicional AEK Atenas volta à Champions

Em meio à grave crise econômica que afetou a Grécia ao longo dos últimos anos, o AEK Atenas foi um dos clubes que mais penaram com a situação caótica. As dificuldades, tanto em suas contas quanto causadas pela violência de parte da torcida, levaram os aurinegros a recomeçar seu trabalho a partir das divisões amadoras. Em 2013/14, a Dikefalos Aetos disputou a terceira divisão, administrada por uma associação firmada entre torcedores e ex-jogadores, interessados em reerguer a equipe. A partir de então, os atenienses conquistaram dois acessos consecutivos. E, depois de se classificarem à Liga Europa em sua reestreia na elite, em 2015/16, nesta temporada se garantem na próxima edição da Liga dos Campeões. O terceiro maior campeão nacional retorna ao principal torneio continental após uma década de ausência.

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Apesar das penúrias recentes, por sua grandeza e por sua capacidade de investimento, o AEK voltou à primeira divisão com um elenco competitivo. Não o suficiente para desafiar o soberano Olympiacos, mas ao menos para se colocar no pelotão de frente, almejando as competições continentais. Na atual temporada, os aurinegros encerraram a fase regular na quarta colocação, garantindo-se no quadrangular que daria a segunda vaga na Champions. E o desempenho estrondoso nas últimas semanas fez a diferença. Com quatro vitórias e duas derrotas, os atenienses superaram a concorrência, terminando na ponta dos playoffs. PAOK, Panathinaikos e Panionios terão que se contentar com a Liga Europa. A classificação, todavia, aconteceu de forma dramática nesta quarta. Enquanto o AEK virou contra o Panionios aos 36 do segundo tempo, vencendo por 2 a 1, também dependeu da vitória do Panathinaikos sobre o PAOK por 3 a 2 – de virada, fora de casa e com o tento decisivo saindo aos 48 da etapa final.

Treinado pelo experiente Manolo Jiménez, o AEK fez uma campanha boa na Super League. Não fosse o excesso de empates, os donos do melhor ataque poderiam almejar um sucesso maior. De qualquer maneira, o time cresceu no momento decisivo e já tem um prêmio enorme com o retorno à Champions. Não será fácil, entrando na pesadíssima Rota da Liga, com os times que não foram campeões nacionais. Em sua última aparição no torneio, inclusive, caíram justamente nas preliminares, superados pelo Sevilla. Já a última participação na fase de grupos aconteceu em 2006/07, batendo o Hearts nas eliminatórias.

Em campo, o AEK Atenas precisa de reforços de nível. O time desta temporada foi um festival de medalhões ou refugos de grandes europeus: Dídac Vilà, Joleon Lescott, Dmytro Chgrynskiy, Tomás Pekhart, Sergio Araújo e Hugo Almeida estiveram entre aqueles que compuseram o grupo. Tarimba que pode ser importante em alguns momentos, mas não transmite tanta confiança para além das fronteiras. O protagonismo da equipe na atual campanha, aliás, esteve bastante difuso. Neste sentido, vale a menção ao capitão Petros Mantalos, meia de 25 anos que é um dos principais responsáveis pela organização ofensiva.

Independentemente das expectativas, a mera classificação à Champions serve de marco ao AEK Atenas. É o símbolo maior da recuperação de um clube a partir daqueles que construíram sua própria história: jogadores e torcedores. O que vier é lucro. Mas obviamente que os aurinegros não deixarão de aproveitar a oportunidade.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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