Europa

“Times-empresas” austríacos

Nas últimas décadas o futebol austríaco mostrou-se com um equilíbrio até então nunca antes visto, com apenas cinco títulos da tradicional dupla de Viena nos últimos 17 anos, em oposição aos 15 títulos de Rapid e Austria Viena de 1976 à 1993. Neste período mais recente, se destacam o tri-campeonato do falido Tirol Innsbruck (que ressurgiu como Wacker Innsbruck, campeão da última First League), o bi do Sturm Graz e o principalmente os seis títulos da cidade de Salzburg.

Isso porque com apenas 5 anos de vida, o Red Bull Salzburg já igualou o número de conquistas do antigo SV Austria Salzburg, o time que Dietrich Mateschitz comprou em abril de 2005. E rapidamente o time das latinhas se intrometeu de vez na luta dos rivais da capital pela supremacia do futebol local.

E justamente quando chega mais uma vez na última eliminatória para a fase de grupos da Champions League, uma declaração cai como uma bomba. O próprio Mateschitz falou sobre os seus planos para o futuro no futebol, e a importância do RB Leipzig (o RB vem de Rasenballsport – algo como “esporte da bola no gramado” numa tradução livre – justamente para poder manter a ligação da marca em caso de competições europeias. O Red Bull é chamado de FC Salzburg pela UEFA).

Só que essa importância maior do time de Leipzig, recém promovido para a quarta divisão alemã, teria resultados profundos no “irmão” de Salzburg, que segundo Mateschitz, seria relegado a uma posição de time de base para o Leipzig, sendo compostos por jogadores com menos de 21 anos, uma “encubadora de talentos”, porém com poderio para disputar o título austríaco.

O prazo? Assim que o Leipzig subir para a Bundesliga alemã. Ou seja, os torcedores ainda tem quatro anos no mínimo para torcer que Mateschitz, que mora em Salzburg (inclusive a sede da empresa fica numa cidade aos arredores), mude de idéia, ou então que o antigo Austria Salzburg volte à primeira divisão. O time violeta está na Landesliga West, a terceira divisão, após quatro acessos consecutivos.

Enquanto o Red Bull se vê um processo de reviravolta em sua curta história, outro time surge na esteira do projeto de Mateschitz. É o Wiener Neustadt, time que surgiu após uma série de fusões e do investimento de Frank Stronach, fundador da Magna, empresa de aparelhos automotivos.

A equipe chegou à Bundesliga na temporada passada e conseguiu uma quinta posição, incluindo uma vitória em casa contra o Austria Viena e um empate fora contra o Red Bull, sem contar com a final na ÖFB-Cup, quando perdeu por 1 a 0 para o Sturm Graz. E nesta temporada está no terceiro lugar, com 7 pontos em 4 jogos, incluindo a recente derrota para os taurinos de Salzburg.

A equipe do leste da Áustria aposta em jogadores jovens, ao contrário do Red Bull que investe pesado em jogadores e técnicos estrangeiros. E isso tem resultado num time ofensivo, com o melhor ataque até agora da Bundesliga. Os comandados do ex-jogador do Rapid Peter Schöttel
já marcaram 9 gols em 4 jogos, passando em branco apenas no empate contra o Austria Viena em casa.

Mas o que a pequena cidade de cerca de 40 mil habitantes espera é se o Wiener Neustadt poderá ter momentos como o do Sturm Graz, do Tirol Innsbruck e que passa atualmente o Red Bull, e que veja com o que pode ser mudado para evitar o baque que esses clubes sofreram e podem sofrer.

Já a UEFA precisa observar com cuidado essas associações entre empresas privadas controlando clubes falidos ou à beira de extinção. Semanas atrás inclusive foi noticiado um encontro entre funcionários do alto escalão da Red Bull com dirigentes do Torino, o que alimentou especulações sobre o surgimento de um Red Bull Torino, que se tornaria mais um braço da franquia austríaca.

É claro que o futebol é ávido por recursos financeiros, mas a hora de estabelecer regras novas e claras sobre o assunto se aproxima cada vez mais, assim como a dos milionários que entram e saem dos clubes com a maior facilidade.

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Equipe Trivela

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