Supercopa Europeia, o torneio criado para sublinhar a força do Ajax e do futebol total

A Supercopa Europeia está distante de ser a maior glória do futebol europeu. Conta mais como um título festivo, como a transição entre a pré-temporada e o início dos trabalhos que realmente valem. Mas que pode também ter um significado além, a ratificação entre as forças do continente. É o que o Sevilla espera fazer diante do Real Madrid, nesta quarta, em duelo que será disputado na cidade de Trondheim, na Noruega. É o que conseguiu, por exemplo, o Atlético de Madrid ao golear o Chelsea por 4 a 1 há quatro anos. É o que queriam os holandeses, quando idealizaram a criação do torneio.
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O nascimento da Supercopa Europeia aconteceu em 1972, quando Feyenoord e Ajax vinham de três títulos consecutivos na Copa dos Campeões. Para sublinhar a supremacia do país, o principal jornal esportivo holandês, De Telegraaf, sugeriu o confronto com o vencedor da antiga Recopa Europeia. “Era algo novo. A ideia foi concebida na era do futebol total. Mais do que dinheiro ou glória, eles queriam ser chamados de melhores. Mas qual era o time mais forte da Europa? Em princípio, era o vencedor da Champions. Mas até o futebol é relativo e, por isso, pode ser uma arte imprecisa. Então por que não botar em campo os ganhadores da Champions e da Recopa? Por que não desafiar o Ajax?”, afirmou Anton Witkamp, ex-editor do periódico, em entrevista à Uefa.
Em 1972, Ajax e Rangers se enfrentaram em partidas de ida e volta. Melhor para os holandeses, que comprovaram aquilo que seus compatriotas pediram, com duas vitórias sobre os escoceses. Já no ano seguinte, o torneio começou a ser sancionado pela Uefa. Para outro triunfo inapelável do Ajax, que, embora tenha perdido por 1 a 0 no San Siro, amassou o Milan por 6 a 0 em Amsterdã. Até 1997, a competição permaneceu disputada em duas partidas (salvo exceções). Depois disso, começou a ser realizada em confronto único, até 2012 em Monaco. A partir de então, a Uefa abriu as fronteiras do torneio e passou a realizar em estádios que, por conta de sua capacidade, não teriam chances de receber a final da Champions ou a Liga Europa. Nova oportunidade de levar a elite do futebol continental a outros cantos.
Nesta terça, o Real Madrid inicia a temporada para ratificar a força demonstrada em 2015/16. Não contará, entretanto, com sua força máxima. Nomes que brilharam nos torneios continentais, Cristiano Ronaldo e Gareth Bale ficaram de fora da convocação final. Enquanto isso, o desafio vale bastante ao Sevilla. É o primeiro passo para demonstrar o sucesso na nova era, com a transição de Unai Emery para o comando de Jorge Sampaoli. A Supercopa servirá de cartão de visitas ao argentino.



