Europa

Sorensen encerra uma carreira respeitável, digno de ser recordado por tanta gente

Peter Schmeichel sempre será o sinônimo da meta da seleção dinamarquesa. Por sua grandeza, por sua história e por seu protagonismo na Euro de 1992, o simbolismo do craque de luvas é natural. No entanto, Schmeichel teve um sucessor digno na posição. Thomas Sorensen não era tão bom quanto o seu “mestre”, longe disso. Contudo, também marcou seu nome. Será sempre lembrado como uma das referências do futebol dinamarquês ao longo da última década. Foram quatro competições internacionais e 101 partidas pela equipe nacional. Representatividade inegável, em ciclo que se completou nesta segunda. Sorensen já tinha deixado a seleção em 2012. Agora, aos 41 anos, anuncia também a aposentadoria da carreira profissional, após passar as duas últimas temporadas no Melbourne City, da Austrália.

Sorensen cresceu como goleiro no início dos anos 1990. E certamente tinha Schmeichel não apenas como uma inspiração, mas também como um norte palpável. Começou a carreira no Odense, embora tenha se firmado profissionalmente durante seus empréstimos ao Vejle e ao Svendborg. Enquanto isso, também despontava nas seleções de base, visto como o futuro da equipe nacional. Passou por todos os níveis até ganhar sua primeira chance no elenco adulto em 1999. Estrearia em novembro, aos 23 anos, substituindo justamente a velha lenda, que precisou deixar o campo por conta de uma lesão.

Neste momento, Sorensen já tinha iniciado sua trajetória pelo futebol inglês. Aposta do Sunderland, foi contratado justamente por recomendação de Schmeichel. Não só ajudou o clube a conquistar o acesso à Premier League, como marcou época na meta dos Black Cats por sua segurança e sua explosão. Já a idolatria veio de vez ao defender um pênalti de Alan Shearer nos minutos finais de um clássico contra o Newcastle.

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Enquanto brilhava no Stadium of Light, Sorensen ascendeu na hierarquia da seleção dinamarquesa. Em 2000, acompanhou Schmeichel na última competição internacional do veterano. Dois anos depois, seria a sua vez de assumir a posição na Copa do Mundo de 2002. E teve um desempenho razoável na fase de grupos, apesar de ter se saído mal na eliminação dos nórdicos para a Inglaterra nas oitavas de final. Independentemente disso, sua posição na equipe nacional seria incontestável, como se manteve até o início da década seguinte.

A passagem pelo Sunderland durou cinco temporadas, se aproximando das 200 partidas. Seguiu para um passo maior na época, contratado pelo Aston Villa. E também viveu bons momentos no Villa Park a partir de 2003, por mais que a sua equipe se mantivesse como mera coadjuvante na Premier League. Enquanto defendia os Villans, também participou da Euro 2004, em campanha na qual a Dinamarca eliminou a Itália, até cair para a República Tcheca nas quartas de final. Já a estadia em Birmingham chegou a um fim após uma séria lesão, que o relegou ao banco e acelerou sua saída para o Stoke City.

Em Stoke-on-Trent, Sorensen foi contratado como um dos líderes para o retorno do clube à primeira divisão. E cumpriu o esperado, participando de temporadas bastante consistentes em seus primeiros anos no Estádio Britannia. Na mesma época, teve sua última grande oportunidade pela Dinamarca. Apesar de uma contusão que colocava em risco sua participação na Copa do Mundo de 2010, se recuperou a tempo para jogar como titular. O time de Morten Olsen, porém, não passou da primeira fase.

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A presença na África do Sul foi o começo do fim da carreira de Sorensen. No Stoke City, perdeu a posição para goleiros mais jovens, mas pôde auxiliar na ascensão de Asmir Begovic e Jack Butland. Manteve-se como um reserva útil e respeitado nos últimos anos. Já pela seleção, suas aparições derradeiras aconteceram às vésperas da Euro 2012. Todavia, não figurou na convocação final, por conta de uma lesão sofrida em maio. Em agosto, anunciou sua despedida da equipe nacional, oitavo em total de partidas e atrás apenas de Peter Schmeichel entre os arqueiros. Dedicaria-se exclusivamente ao Stoke.

O fim da passagem de 17 anos pelo futebol inglês aconteceu em 2015. Mesmo aos 39 anos, o dinamarquês tinha mais lenha para queimar, em uma liga menor. Rumou à A-League, jogando pelo Melbourne City por duas temporadas. Na primeira delas, ainda foi eleito o melhor goleiro do campeonato. Um final feliz para um arqueiro que pode não ter sido um dos melhores do mundo, mas será lembrado por muita gente. “Foi uma jornada fantástica, com muitas pessoas a agradecer. Família, amigos, clubes, técnicos, jogadores e torcedores: muito obrigado. Serei eternamente grato pelo apoio de vocês”, declarou, em suas redes sociais. Orgulho condizente por tudo o que construiu em mais de duas décadas atuando profissionalmente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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