Europa

Situação calamitosa

A notícia caiu como uma bomba na Romênia. Nesta semana, a poucos dias do reinício do campeonato nacional – a bola volta a rolar no próximo dia 27, após a parada de inverno –, a imprensa do país apontou que o Rapid Bucareste, atual sétimo colocado no certame, corre o sério risco de entrar em falência. Consumido por dívidas, que crescem dia a dia e atingem números milionários, o clube agoniza, podendo até mesmo ser rebaixado para a segunda divisão caso não resolva suas pendências financeiras até 31 de março. E isso, aparentemente, dificilmente acontecerá.

De acordo com o conceituado jornal Gazeta Sporturilor, estima-se que o Rapid possui uma dívida de aproximadamente € 4,5 milhões junto ao Estado. Além disso, os jogadores não recebem há meses – cerca de € 1 milhão em salários atrasados – e, se a situação não for contornada antes da partida contra o Gloria Bistrita, dia 1, poderão rescindir seus contratos. A afirmação é de Grigore Sichitiu, diretor-geral interino dos Giulesteni, campeões da Copa da Romênia na temporada retrasada e terceiros colocados na Liga 1 2007/08, atrás de Cluj e Steaua Bucareste.

A crise começou a agravar-se depois que o acionista Gheorge Copos vendeu 80% do capital do clube ao milionário jordaniano Fathi Teher, em março do ano passado. Com o time classificado para a atual edição da Copa Uefa, Teher bancou o técnico português José Peseiro, ex-Real Madrid, Sporting de Lisboa e Panathinaikos, que teve carta branca para contratar quem quisesse, num investimento sem precedentes. A aposta, porém, não deu certo, e, logo após a eliminação frente ao Wolfsburg, na primeira fase da competição continental, Peseiro acabou demitido.

O português deixou a capital romena sem receber quatro meses de salário, dívida quitada, curiosamente, poucos dias antes do risco de falência ser noticiado. O trabalho do técnico, marcado por quatro expulsões em 17 jogos, foi recheado de polêmicas, e atletas de sua confiança, como os defensores João Paulo, ex-Porto, e Ricardo Fernandes, ex-Nacional da Ilha da Madeira, não corresponderam às expectativas. Hoje, em meio à situação calamitosa, a equipe está sob comando do ex-jogador Marian Rada, que tem Nicolae Manea como seu auxiliar.

Caso a rescisão contratual seja o destino da maior parte do elenco, é possível que o Rapid Bucareste enfrente o Gloria Bistrita com um time de juniores. Seria mais uma humilhação dantesca para quem, no mercado de inverno, perdeu o atacante camaronês Pierre Boya para o modesto Grenoble, da França, e o lateral-direito Olubayo Adefemi para o Rheindorf Altach, último colocado do Campeonato Austríaco. Outro que deixou o clube foi o volante brasileiro Daniel Paulista, que retornou ao Sport Recife visando participação na Taça Libertadores da América.

Brasileiros, aliás, não faltam no Rapid. Ao todo, são cinco: o goleiro Elinton, ex-Vasco da Gama; os meias Juliano Spadacio, ex-Corinthians e Paulista de Jundiaí, e Cesinha, ex-Caxias; e os atacantes Júlio César, ex-AEK Atenas, e Cláudio Pitbull, ex-Grêmio. Juliano, Cesinha e Pitbull, convém salientar, estavam no futebol português e, engodados pelos supostos milhões de Fatih Teher, foram trazidos por José Peseiro. Agora, correm o risco de ficar desempregados, confirmando a máxima de que o futebol europeu, embora sedutor, nem sempre é uma boa pedida.

Derrota em casa

Em amistoso disputado na capital Bucareste, semana passada, a seleção romena foi derrotada pela Croácia, por 2 a 1, numa partida que marcou o retorno do brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva aos gramados. Ivan Rakitic e Niko Kranjcar fizeram os gols dos Vatreni, enquanto Ciprian Marica descontou. O técnico Victor Piturca não contou com Christian Chivu e Adrian Mutu, ambos lesionados. Mirel Radoi, que recentemente trocou o Steaua pelo Al Hilal, e Florin Costea, destaque do Universitatea Craiova, fardaram como titulares.

Atuando no convencional 4-3-3, a Romênia teve dificuldades nos minutos iniciais, com os atacantes Mladen Petric e Ivica Olic dando trabalho a Radoi e Gabriel Tamas. Aos 22, contudo, Marica abriu o placar após excelente trama ofensiva. A alegria durou pouco e, logo em seguida, Rakitic deixou tudo igual. Para o segundo tempo, Piturca voltou com Gheorge Ogararu, Banel Nicolita e Mihai Nesu nos lugares de Cosmin Contra, Razvan Rat e Florentin Petre, enquanto Slaven Bilic lançou Robert Kovac e Kranjcar nas vagas de Josip Simunic e Petric.

E foi ele, Niko Kranjcar, o autor do gol da virada. Aos 30 minutos da etapa complementar, o meia aproveitou assistência de Eduardo e garantiu os 2 a 1, para a alegria do sempre irreverente Bilic. Uma vitória que certamente servirá de motivação para o embate diante de Andorra, em abril, pelas Eliminatórias Européias da Copa do Mundo de 2010 – os romenos, por sua vez, encaram a Sérvia, em Constanta, e, por ocuparem a penúltima colocação do Grupo 7, precisam de um resultado positivo caso queiram manter vivas as chances de estar na África do Sul.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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