Europa

Sem mortes por coronavírus, Ilhas Faroe é a primeira liga europeia a retomar futebol, mas sem público

As Ilhas Faroe passam longe de qualquer destaque no futebol europeu. Seus clubes e sua seleção são normalmente os conhecidos sacos de pancadas, sem passar nem perto de conseguir a classificação para as principais competições. Isso, porém, não significa que o pequeno território entre a Islândia e a Escócia não seja apaixonada por futebol. Sem mais novos casos da COVID-19 e com todos os doentes recuperados, a liga de futebol profissional do país foi retomada, com restrições. É a primeira liga europeia a oficialmente jogar depois da paralisação pelo coronavírus.

[foo_related_posts]

KI Klaksvik e B36 Torshavn entraram em campo no último sábado, dando reinício ao Campeonato Faroês. Em outubro, os dois times se enfrentaram para decidir o título, com mais de seis mil pessoas nas arquibancadas – o país tem população estimada em 52 mil pessoas. Desta vez, o confronto não teve público, exceto pelas pessoas que trabalhavam no estádio. Foi a primeira rodada de um campeonato, que está previsto para terminar no dia 6 de novembro. Por lá, a liga segue o calendário solar, como no Brasil, até pela dificuldade de se jogar no inverno, um país de baixas temporadas e que fica coberto de gelo boa parte do ano.

As Ilhas Faroe foram pouco impactadas pelo coronavírus. Foram 187 casos confirmados e todos já se recuperaram. Não houve mortes. Por isso, o governo local comemorou que o vírus foi vencido por lá. “Como nação, nós conseguimos o que poucos países conseguirem fazer”, disse o primeiro ministro faroês, Bardur a Steig Nielsen, em um comunicado, divulgado em matéria do Guardian. “Como sociedade, nós devemos ser gratos e orgulhosos do que nós conseguimos. Nós iremos em breve poder retomar a vida diária normal o tanto quanto pudermos sob essas circunstâncias anormais”.

O país não adotou um lockdown completo, mas criou restrições de circulação de pessoas. O governo chamou de “slow down”, uma diminuição, que começaram no dia 12 de março e tem um planejamento para afrouxamento. Uma delas foi o retorno do esporte neste fim de semana, algo que tinha sido previsto no dia 9 de abril, como um plano de saída da quarentena.

Em outubro, o KI venceu por 3 a 0 e garantiu a conquista do título. Naquele jogo, o KI jogou fora de casa e a vitória fez o time chegar aos 66 pontos, três a mais que o B36. O campeão vai para as fases preliminares da Champions League. Desta vez, a situação se inverteu. O B36 jogou fora de casa e venceu por 2 a 0.

Uma vitória emocionante, com os dois gols marcados no final. Aos 36 minutos, Sebastian Pingel tocou de cabeça e marcou. Os jogadores não respeitaram qualquer distanciamento: se abraçaram e comemoraram muito. No último minuto da partida, Meinhard Olsen marcou o segundo gol.

“Foi estranho. Eu não sabia para onde correr. Primeiro fui em direção à bandeirinha de escanteio, mas de repente eu lembrei que não há torcedores, então eu só gritei o mais alto que eu pude”, contou Pingel.

“Eu tentei apenas me concentrar no jogo e encorajar os meus companheiros como em qualquer outro grande jogo”, afirmou o capital do KI Joannes Bjartalid. “Nós sentimos falta dos nossos torcedores hoje. Eles normalmente nos dão uma certa vantagem e eu espero que eles possam voltar em breve”.

O primeiro jogo da liga, porém, foi jogado duas horas antes de KI e B36. O duelo entre NSI e TB Tvoroyri, clube mais antigo do país, jogado em Runavik, casa do primeiro. O jogo acabou 3 a 1 para o NSI, com o primeiro gol marcado depois da paralisação do coronavírus marcado por Jens Martin Knudsen. É a primeira liga europeia a ser retomada depois da paralisação.

Os clubes da primeira divisão usam campos abertos, que não possuem entradas – não são propriamente estádios como conhecemos. Por isso, tecnicamente não há como fechar os portões, apenas fechar arquibancadas. É possível ficar em volta do campo e havia o temor dos dirigentes que torcedores se aglomerassem para ver os jogos. Não aconteceu.

Os torcedores acompanharam os jogos pelo rádio, pela TV ou pela internet. Sem futebol na maior parte do mundo, a liga faroesa gerou uma atração inesperada. Países escandinavos, com alguma similaridade de cultura, Noruega, Suécia e Dinamarca transmitiram os jogos ao vivo na TV. Nunca antes na história deste país o Campeonato Faroês teve tamanho interesse.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo