Europa

Sem dignidade

Uma vergonha. É o mínimo que se pode dizer das campanhas de Bursaspor e Panathinaikos na Liga dos Campeões da Europa. Apesar da diferença evidente para as potências de seus grupos – Manchester United e Barcelona, respectivamente, ambos desempenharam um futebol pobre contra o restante de seus adversários. Como consequência, o campeão turco e o campeão grego não chegaram nem mesmo a terceira posição de seus grupos, distante até de uma vaga na Liga Europa.

As campanhas vergonhosas remetem invariavelmente à ideia de decadência dos clubes da região. Afinal, na última temporada, apenas o Olympiacos tinha feito jus aos países, chegando às oitavas-de-final da Champions League. Patamares como os alcançados pelo Fenerbahçe de 2008 (quartas na UCL), pelo Galatasaray de 2000 (campeão da Copa da UEFA) e pelo Olympiacos de 1999 (quartas na UCL), parecem glórias longínquas.

É lógico que os investimentos das equipes gregas e turcas estão distantes daqueles feitos nos grandes campeonatos da Europa Ocidental, mas também não são tão modestos assim. Boas contratações foram feitas nos últimos anos, a exemplo de Milan Baros, Djibril Cissé ou Mamadou Niang. Se não são atletas de ponta para as forças do continente, também não podem ter seus talentos desconsiderados.

O problema é que, tanto Bursaspor quanto Panathinaikos se portaram bem aquém daquilo que poderiam ter feito na Liga dos Campeões. Comparadas às atuações no fim da última temporada, ambas as equipes estiveram bem longe de seu melhor desempenho. O nível doméstico, é claro, é bem menor, mas sempre se espera um pouco mais de um time que foi campeão nacional.

Analisando os casos específicos, o Panathinaikos demorou a acertar o ingresso de seus novos contratados. Govou e Boumsong pareciam acomodados no novo clube, longe de empenhos maiores. Com o time ultradependente de Cissé, o antigo técnico Nikos Nioplias não conseguia dar novas opções ao ataque. E, com o francês neutralizado, os gregos se transformavam em presas fáceis.

Prova da inoperância ofensiva, o único gol do PAO saiu dos pés do francês. E, acuado em seu próprio campo, com um sistema defensivo que esteve longe da melhor forma no começo do ano, o resultado foram as derrotas. O Barcelona, algoz esperado, fez água e anotou oito gols em dois jogos. Nem mesmo em casa, contra o teoricamente frágil Kobenhavn, o gol de Tzorvas foi protegido. Contra os dinamarqueses, apesar de jogar um pouco mais à frente, o Trifilis não conseguiu fechar os espaços e levou gols nas únicas duas chances que os adversários tiveram.

Já o Bursaspor se apequenou na Liga dos Campeões. Desde a primeira partida, os Yesil Timsah mantinham uma postura medrosa, longe daquela apresentada nos clássicos da última e também desta temporada. Apesar de contratações bem colocadas, estas não renderam e até mesmo os astros no primeiro título nacional do clube caíram de produção. A linha defensiva, ponto forte do time na Super Lig, teve média até aqui de quase três gols por jogo. O experiente Dimitar Ivankov cansou de falhar debaixo das traves, assim como jogadores de prestígio, como Omer Erdogan.

Contra o Manchester, mesmo com Alex Ferguson escalando times mistos, o Bursaspor temeu se arriscar. Também não foi páreo para o Rangers, adversário mais tragável do grupo. E contra o veloz time do Valencia, duas goleadas. Ao menos o desastre na Champions não piorou ainda mais a situação do time no Campeonato Turco, no qual é o vice-líder.

Apesar dos sinais, ainda é difícil afirmar em uma queda no nível dos clubes gregos e turcos. Alguns deles fizeram bons papéis neste ano, como o Aris, que venceu o Atlético de Madrid pela Liga Europa, ou o Trabzonspor, que dificultou os lados do Liverpool nas fases qualificatórias da mesma competição. Nestes dois últimos casos, porém, percebeu-se vontade entre os atletas, sentimento bem distante do medo ou da falta de iniciativa de Bursaspor e de Panathinaikos. Que fiquem os maus exemplos para trás.

Guia de classificação na Europa League

Sem mais chances na Champions, os quatro clubes da região ainda podem se classificar no segundo torneio mais importante do continente. Dentre estes, vida realmente difícil para o Aris. Besiktas e PAOK dependem de si mesmos para passar de fase, enquanto o AEK está próximo da vaga, apesar da briga equilibrada em sua chave. A penúltima rodada da Liga Europa tem início na próxima quarta.

Grupo B: O Aris é o terceiro de seu grupo, com quatro pontos, três a menos que Atlético de Madrid e quatro a menos que o Bayer Leverkusen. E apesar de colocarem água no chope do Atlético de Madrid, atual campeão da Liga na Europa, logo na estreia, os Deuses da Guerra viram as suas chances minguarem. Os colchoneros, próximos adversários, praticamente asseguram a vaga com um empate no Vicente Calderón. Se ainda restar chances na última rodada, o Aris decide em casa com o lanterna Rosenborg.
Retrospecto contra os adversários: 1×0 Atlético de Madrid (c), 1×2 Rosenborg (f).

Grupo D: O PAOK lidera ao lado do Dinamo Zagreb, com oito pontos, e ainda tem um a mais que o terceiro, o Villarreal. Como joga na Grécia contra o lanterna do grupo, o Club Brugge, tem chances de colocar um pé na próxima fase já na quinta-feira. Caso o Submarino Amarelo bata o Dinamo, a decisão fica mesmo para a última rodada, quando o time de Ioakim Havos enfrenta os croatas em Zagreb.
Retrospecto contra os adversários: 1×1 Club Brugge (f), 1×0 Dinamo Zagreb (c).

Grupo G: Com o Zenit classificado, o AEK briga pela vaga restante. Está empatado em com o Anderlecht, mas possui um saldo desfavorável, além de possuir um ponto a mais que o Hajduk Split. Na próxima rodada, os Dikéfalos podem despachar os croatas jogando fora de casa. Depois, tentam a classificação contra um desinteressado Zenit – não perde mais nem o primeiro lugar – em Atenas.
Retrospecto contra os adversários: 3×1 Hajduk Split (c), 2×4 Zenit (f).

Grupo L: Único turco com vida nas competições continentais, o Besiktas está a uma vitória da classificação. Três pontos atrás do líder Porto, os Kara Kartallar possuem quatro de vantagem para os dois times logo abaixo, Rapid Viena e CSKA Sofia, além de um saldo três gols superior. Com uma vitória simples sobre o CSKA em Sofia ou um empate, somado a empate ou derrota do Rapid, carimba o passaporte. De qualquer forma, ainda pode despachar os austríacos na última rodada jogando em Istambul. Sonho distante somente o de se classificar na ponta da chave, já que não encontra mais com o Porto.
Retrospecto contra os adversários: 1×0 CSKA Sofia (c), 2×1 Rapid Viena (f).

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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