Segredo de campeão

Sob o olhar de Solskjær e de cerca de 20.000 torcedores, Lyn e Valerenga se enfrentaram e novamente os bastinonens, torcedores do time azul e vermelho, deixaram o Ulevaal em festa. Mesmo a frente do marcador com um gol marcado por Grindheim, o Valerenga não conseguiu impedir a virada protagonizada por três garotos que nem eram nascidos quando o Lyn perdeu para seu maior rival pela última vez. Simonsen, 19 anos, Ighal, 18 e Holmen, 25, marcaram os gols que confirmaram um tabu que já dura 26 anos.
Mas a grande surpresa da 24°rodada estaria por vir. Apesar da derrota inesperada por 2 a 1 para o Aalesund, no sábado, o que estragou a já programada festa do título, o Brann garantiu a conquista da Tippenligaen na última segunda-feira, após a derrota também por 2 a 1 do Stabæk para o Viking, em Stavanger.
Apesar da tradição, o time da cidade de Bergen não triunfava na competição nacional desde 1963 e comemorou como nunca o terceiro Seriemester de sua história. Com uma campanha surpreendentemente regular, a equipe esteve nas primeiras colocações em toda a temporada. O sucesso não foi simples obra do acaso, muito menos divina, foi fruto de um processo de reformulação que começou em 2005.
Quando a participação da equipe na Liga se limitava apenas a tentar fugir do rebaixamento, o presidente do clube, Bjørn Dahl, foi à Trondhein pedir conselhos a Nils Arne Eggen (uma espécie de Vanderlei Luxemburgo em versão viking), treinador que havia conquistado doze títulos a frente do Rosenborg e que poderia dividir com o rival um pouco de sua filosofia vitoriosa. A partir daí, iniciava-se o processo de afirmação de valores como humildade, entusiasmo e busca por metas que envolveu dirigentes, funcionários, treinadores e jogadores. O resultado: a conquista da Liga em 2007.
Com a auto-estima elevada, a garantia de participação na Liga dos Campeões e os cofres cheios é bem possível imaginar que uma nova hegemonia esteja começando no futebol norueguês: A Era Brann.
Uma situação similar aconteceu na vizinha insular Finlândia. No sábado, o Tampere empatou em casa com o Myllykosken Pallo-47 por 1 a 1 e para tristeza dos torcedores adiou a comemoração pelo bicampeonato. Mas no domingo, o vice-líder, FC Haka acabou colaborando para a festa antecipada ao empatar por 1 a 1 com o FC Lahti. Em sua curta, mas endinheirada história, o time fundado em 1998 garantiu seu terceiro título da Veikkausliiga.
O clube, que pertence à segunda cidade mais importante da Finlândia, apostou na manutencão do elenco formado por jogadores locais – exceção ao nigeriano Daniel Nwoke- e apesar de ter perdido o argentino Aristides Pertot e Ville “Hoolie” Lehtinen, principais referências da equipe, jovens jogadores apareceram e o esquema 4-2-3-1 proposto pelo treinador Ari Hjelm, deu certo mais uma vez, já que o time mostrou bom futebol e superioridade diante dos rivais.
Na Suécia, uma reta final histórica na Allsvenskan. Com duas equipes empatadas até a última rodada. A vitória por 2 a 0 contra o Trelleborg fez com que após 11 anos, o IFK Göteborg se tornasse campeão. No início da competição era improvável imaginar que os “Blåvitt” chegariam ao título. Enquanto o AIK recheava seu elenco com atletas argentinos, o Kalmar contava com reforços brasucas e o Elfsborg vinha empolgado com o título no ano anterior, o IFK investia em garotos formados no próprio clube. O processo para a conquista teve início há três anos quando o time venceu a Copa da Suécia e passou a acreditar que poderia ir além. A troca de seu diretor de esportes, Håkan Mild e, um ano depois, o técnico Arne Erlandsen por o Stefan Rehn e Jonas Olsson (sim, a equipe tem dois treinadores)também foram pontos decisivos para a volta por cima.
Já nas Ilhas Faroe, a vez foi do NSI Runavik que venceu o VB/Sumba por 3 a 1 e também de forma antecipada festejou pela primeira vez o título. O brasileiro Anderson Castilho, atacante da equipe (sim, tem brasileiro também por lá) deve ter ficado feliz com a oportunidade de disputar a LC.
Para os dirigentes brasileiros, uma lição. Mesmo sem contar com o talento natural do jogador brasileiro os clubes escandinavos mostram que bom planejamento e organização são os segredos para ir mais longe.
E agora, RBK?
Na semana passada, a diretoria do Rosenborg e Knut Tørum tomaram uma atitude no mínimo contestável. Em comum acordo, o contrato do treinador foi rescindido justamente um dia depois da vitória por 2 a 0 em cima do Valencia, no Lekerdal, resultado que deixou o RBK na segunda posição do Grupo B e com chances reais de classificação para a segunda fase da LC.
O motivo do rompimento: o clima já não era dos melhores nos bastidores há algum tempo devido a má campanha do time de Trondhein na Liga Nacional e observou só de longe a conquista do torneio pelo Brann. Em sua despedida, lágrimas e até a dúvida em seguir a carreira como treinador.
Se já não adianta chorar pelo leite derramado não seria prudente dar continuidade ao treinador pela campanha surpreendente na principal competição européia?
Na UEFA
Com a final mais empolgante dos últimos anos na Liga, os torcedores suecos não se entusiasmaram com a partida entre Elfsborg x AEK de Atenas pela Copa UEFA. Apenas 4.000 espectadores compareceram ao Borås Arena. Quem foi não se arrependeu, assistiu um bom jogo, com destaque para um interessante duelo tático em uma partida com muitas oportunidades de gol criadas pelo time da casa, mas perdidas pela ausência de um goleador e pelas boas defesas do goleiro brasileiro Moretto.
Outro “svenska” que esteve em campo na última rodada foi o Helsinborg,que jogou melhor que o seu adversário, o Panionios, mas empatou por 1 a 1. Destaque para o belo gol de Niclas Kundvall e para gol de empate de Larsson, que saiu só a dez minutos antes do final da partida
De ressaca, o Brann recebeu o Hamburgo e perdeu por 1 a 0. O recém campeão norueguês, mostrou falta de ritmo e dificuldade para enfrentar um adversário nitidamente melhor se contentando apenas em assistir ao domínio alemão.
Quase lá
Uma vitória contra a Irlanda do Norte bastaria para que a Suécia garantisse antecipadamente sua classificação para a Euro 2008. Mas o time comandado por Lars Lagerback apenas empatou em 1 a 1 Ainda na liderança, um ponto já garante a Suécia na competição européia.
A Noruega é outra equipe bem próxima da classificação. Líder do grupo C, o tudo ou nada acontece no dia 17 de novembro na partida contra a Turquia em casa. Um empate garante a vaga e a derrota pode complicar a situação.



