Sete anos após começar sua carreira como treinador, Clarence Seedorf não conseguiu até aqui trabalhos longevos e agora aponta para uma desigualdade de oportunidades entre técnicos brancos e negros no futebol europeu como parte do motivo – expandindo o argumento também para cargos de alto escalão no esporte.

Seedorf teve sua primeira oportunidade como técnico no início de 2014, assumindo o com um contrato de dois anos e meio, mas acabou demitido após apenas quatro meses. Desde então, suas oportunidades foram escassas. “Joguei na Itália por 12 anos. Depois do Milan, apesar de ter feito um grande trabalho, não recebi chamadas. A Holanda é meu país e, ainda assim, nenhuma chamada”, queixou-se em à Gazzetta dello Sport.

“Quais são os critérios de seleção? Por que grandes campeões não têm chances na , onde escreveram páginas da história do futebol? Por que o Vieira tem que ir para Nova York e o Henry para o Canadá?”, questionou, evocando a situação dos dois ex- da seleção francesa. Vieira começou sua carreira de treinador no New York City FC, mais tarde assumindo o Nice, onde ficou por dois anos e meio, até o fim de 2020. Já Henry passou pelas comissões técnicas dos juniores do Arsenal e da seleção belga principal, tendo uma primeira chance como treinador no Monaco, mas sendo demitido apenas três meses depois, em janeiro de 2019. Desde o fim daquele ano, está à frente do Montreal, na MLS.

“Não existem oportunidades iguais para os treinadores. Se olharmos para os números, não há pessoas negras em posições de maior poder no futebol”, apontou Seedorf, reforçando um discurso já levantado por no passado recente. Na Inglaterra, especificamente, iniciativas que buscam dar um maior equilíbrio na oferta de oportunidades foram implementadas, com a English Football League introduzindo uma regra que exige que os clubes entrevistem ao menos um candidato de minoria étnica para qualquer cargo de comissão técnica de sua equipe principal.

Dados revelados pelo jornal Independent em julho de 2020 mostraram que negros e pessoas de outras minorias étnicas ocupavam apenas 12% da força de trabalho da Premier League, e a liga conta com apenas um treinador negro, Nuno Espírito Santo, do Wolverhampton.

“É algo que diz respeito a toda a sociedade. Todos, especialmente aqueles que podem mudar as coisas, precisam sentir a responsabilidade de criar um mundo meritocrático e manter todas as portas abertas, se aspirarem por excelência. Os melhores resultados podem vir da diversidade”, completou Seedorf.

Desde sua passagem pelo Milan, Seedorf teve ainda mais três trabalhos: passou seis meses no Schenzhen, da China, entre julho e dezembro de 2016, três meses no Deportivo La Coruña, na reta final da temporada 2017/18, e onze meses na seleção camaronesa, entre agosto de 2018 e julho de 2019.