Europa

Scott Brown, o capitão que marcou a década, deixará o Celtic para ser jogador-assistente no Aberdeen

Em 2 de fevereiro de 2010, o Celtic estava um pouco à deriva. Perdia do Kilmarnock por 1 a 0, um dos tropeços que permitiu que o Rangers fosse campeão. O treinador Tony Mowbray estava prestes a ser demitido e o capitão do time, Stephen McManus, havia se transferido para o Middlesbrough. Havia um vácuo de liderança e de direção. Na estreia de Robbie Keane, Scott Brown saiu do banco de reservas e assumiu a braçadeira que estava no braço de Glenn Loovens. E com ela ficaria durante mais de 12 anos, até anunciar que a deixará para um sucesso ao fim da temporada, quando sairá dos Bhoys para jogar no Aberdeen.

De certa forma, Brown marcou a década do Celtic. Não foi capaz de recuperar aquela temporada, embora o time tenha vencido as oito rodadas finais para terminar a apenas seis pontos do grande rival, e o Rangers também ficou com o troféu de 2010/11, mas, pouco depois da promoção de Brown, começou a sequência de nove títulos consecutivos do Celtic. E agora que ela acabou, Brown decidiu se reencontrar com o antigo colega de Hibernian, Stephen Glass, para começar a aprender a função de treinador enquanto disputa seus últimos jogos como profissional.

A próxima temporada será a 20ª consecutiva de Brown na elite do futebol escocês, desde que deu os primeiros passos pelo Hibs. Ao longo delas, precisou se adaptar ao próprio corpo e às exigências do time. Um meia criativo de lado de campo nos primeiros jogos, um meia com pulmão para cobrir as duas áreas no auge físico e um volante mais destruidor no ocaso da carreira. É conhecido pelo temperamento forte, por às vezes ser violento, mas sempre conseguiu negociar bem com a navalha. Apenas quatro cartões vermelhos diretos em 604 jogos pelo Celtics – por outro lado, mas também indicativo de que sabe medir exatamente a força das suas entradas, levou 164 cartões amarelos.

Quando surgiu no Hibernian, Brown era uma das grandes promessas do futebol escocês, uma das mais talentosas fora dos dois grandes. Chegou a haver interesse da Premier League. O Hibs até aceitou uma proposta do Reading, mas o jogador estava com medo de ser rebaixado. A manifesta vontade de vencer sempre foi uma das suas principais características. Em 2007, foi contratado por £ 4,4 milhões pelo Celtic, ainda hoje, mesmo com toda a inflação, a maior transferência entre dois clubes escoceses da história.

Quando usou a braçadeira de capitão pela primeira vez, havia acabado de voltar de lesão e tinha 24 anos. “Esta responsabilidade será boa para ele neste estágio da sua carreira”, explicou o então treinador Tony Mowbray. “Ele às vezes tem algumas explosões. É a personalidade dele. Quando Scott jogar, ele liderará o time. Ele quer vencer e se motivar a vencer. Isso precisa ser calibrado, claro, mas ele não deveria ser criticado por ter fogo na barriga”.

A passagem curta de Mowbray no comando do Celtic terminou no mês seguinte, mas ele deixou esse legado a Neil Lennon. Ele próprio um antigo capitão dos Bhoys, Lennon manteve Brown no cargo. “Eu herdei Scott como capitão. Ele foi importante na minha contratação”, disse Lennon, que assumiu como interino antes de ser efetivado. “Senti que devia a Scott uma chance. Eu também estava preocupado com como ele lidaria se a braçadeira fosse retirada dele. Ele amadureceu no papel. Ele determina o tom do time e é isso que você quer do seu capitão. Não vejo ninguém deste elenco tomando o lugar dele”.

Nem nos próximos. Brown manteve-se capitão durante toda a década. Ele igualou a lenda Billy McNeill ao capitanear o Celtic a nove títulos escoceses consecutivos. Aliás, com 11 temporadas seguidas e completas com a braçadeira de capitão, tem apenas uma a menos do que o líder do time de Jock Stein. Até poderia ter batido o primeiro recorde. Teria sido um jeito especial de se despedir. Mas uma temporada cheia de problemas e altos e baixos acabou prejudicando as intenções do Celtic de se tornar o primeiro clube escocês a emendar dez vitórias consecutivas no campeonato.

“É uma decisão imensa deixar este magnífico clube, que tem sido uma grande parte da minha vida há tanto tempo”, afirmou Brown, anunciando o fim da sua associação de 14 anos com o Celtic. “Mas esta é uma nova oportunidade para mim e um novo capítulo. O Celtic nunca me deixará e o clube para sempre ficará no meu coração. Ainda temos trabalho a fazer nesta temporada e isso, será, claro, meu foco. Tentaremos trazer mais sucesso à nossa torcida”.

Brown, agora com 35 anos, explicou a escolha pelo Aberdeen. “Eu tinha muito a considerar ao decidir meus próximos passos, especialmente após 14 anos de sucesso pelo Celtic. Mas eu não poderia deixar passar a oportunidade de jogar pelo Aberdeen, um clube que entra em um empolgante novo período, com meu ex-companheiro Stephen agora no comando. Eu ainda acho que tenho muita coisa para dar, não apenas em campo, mas em uma função mais ampla, embarcando na minha jornada de treinador”, disse.

O que não faltou nesses 14 anos de sucesso pelo Celtic foi…. bom, sucesso. Scott Brown conquistou 22: dez da primeira divisão, seis da Copa da Escócia, seis da Copa da Liga. Também teve 129 jogos entre Liga Europa e Champions League (contando as fases preliminares), mais do que qualquer outro jogador da história do clube. Na próxima semana, o Celtic enfrenta o Falkirk, pela terceira fase da Copa da Escócia. É a última oportunidade para Scott Brown dar adeus à torcida e ao clube sendo o que tantas vezes foi: um símbolo de vitórias.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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