Pé quente: Santa Cruz marca e coloca Málaga nas quartas
O Málaga não entrou para se render à tradição do Porto. Em La Rosaleda, a partida que definiu quem dois dois seguiria na Liga dos Campeões foi repleta de emoções e até de vontade, excessiva em algumas divididas. Os Boquerones lutaram demais para sair na frente e igualar o agregado, favorável aos Dragões antes do apito inicial. Vencendo por 2 a 0, os albiazules seguem fazendo história na Europa.
Foi acima de tudo um jogo muito brigado. Vários carrinhos e faltas na lateral mostravam que os portugueses estavam com os nervos à flor da pele e em menos de trinta minutos levaram três cartões amarelos, com Alex Sandro, Otamendi e Defour, todos eles mostrando certo destempero com o clima do duelo na Andaluzia.
Encurralando o Porto, o Málaga trabalhava bem a bola até chegar na área de Hélton, que foi obrigado a salvar sua equipe com boas defesas. Até que Isco acertou um chute de longe, no ângulo, para abrir o placar. A essa altura, os portugueses se abalaram e abdicaram do ataque, tendência que marcou boa parte da segunda etapa.
Com a expulsão de Defour no começo da etapa complementar, os Dragões ficaram com a sua criação comprometida, somando isso à saída de João Moutinho no intervalo. Por outro lado, defensivamente, os Boquerones não correram muitos riscos, apertando bem a marcação e não se adiantando muito em campo.
Sem uma referência ativa lá na frente, o Málaga ficou refém de seu marasmo nos 45 minutos finais. Joaquín não conseguia ficar com a bola, nem Isco, que teve poucos espaços. O jeito para Manuel Pellegrini foi mesmo colocar Roque Santa Cruz na vaga de Júlio Baptista, e a alteração não poderia surtir melhor efeito: no primeiro toque do paraguaio na bola, uma cabeçada firme no canto da meta de Hélton: 2 a 0.
Desesperado, o Porto partiu para o campo adversário com passes longos e sem técnica. Controlando muito melhor as iniciativas, os mandantes administraram bem a vantagem que servia para garantir a vaga nas oitavas. Foi justíssimo o resultado, visto que os lusos não apresentaram grande desafio nesta tarde.
Quase falido e sofrendo sanções da UEFA pelos problemas financeiros, o Málaga chegou até aqui com muita vontade e consciência, comprovada com a postura de hoje do seu elenco. Será que o encanto continua ou as quartas de final serão o capítulo final dos albiazules na Europa?
Formações iniciais
Destaque do jogo
Isco se movimentou muito bem, rodou por toda a extensão do meio-campo e criou boas chances. Foi o elo entre a meia e o ataque, especialmente quando acertou o chute que abriu o placar da partida. É muito perigoso e se não for marcado, pode decidir os jogos do Málaga. Responsável por marcar um e dar assistência para o outro gol de sua equipe, o meia esquerda de 20 anos foi crucial contra o Porto.
Momento-chave
28 do segundo tempo. O jogo estava frio e dava pinta de que iria para o tempo extra. Manuel Pellegrini saca um Júlio Baptista inativo para promover a entrada do centroavante Roque Santa Cruz, conhecido matador. O paraguaio não foi acionado até os 32 minutos, quando num escanteio, Isco cruzou na área. Cabeçada, fundo das redes, Málaga nas quartas.
Os gols
43/1T – GOL DO MÁLAGA!
Isco carrega e acha espaço perto da meia lua, chuta forte e acerta o ângulo de Hélton!
38/2T – GOL DO MÁLAGA!
Escanteio alçado na área do Porto e Santa Cruz sobe sozinho para cabecear no canto!
Curiosidade
É a primeira vez desde 2003 que três espanhóis chegam entre os oito melhores da Liga dos Campeões. Outro dado interessante é o baixo número de nativos de Espanha e Portugal nas duas equipes. Pelo Málaga, apenas três espanhóis começaram jogando. Pelo Porto, apenas dois portugueses.






