Rummenigge basicamente disse que Superliga é um delírio de Real Madrid e Barcelona
Rummenigge, ex-jogador e dirigente do Bayern, fez ferozes críticas a Real Madrid e Barcelona, hoje os grandes defensores de uma Superliga na Europa
Karl-Heinz Rummenigge é um dos jogadores mais importantes de todos os tempos, super vitorioso com Bayern de Munique e Alemanha. Ex-diretor geral dos bávaros e atualmente membro do Comitê Executivo da Uefa como representante da Associação de Clubes Europeus, ele tem sido uma das vozes mais constantes e contrárias à disputa da chamada Superliga, que viverá dia decisivo neste 21 de dezembro.
Explicamos: é nesta quinta-feira que será julgado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia uma ação que pode colocar um fim definitivo no projeto da Superliga — ou dar vida real a ele, a depender da decisão final. Rummenigge falou ao jornal italiano Gazzeta dello Sport e fez duras críticas ao projeto, a maior parte delas voltadas a Real Madrid e Barcelona, hoje os principais defensores da liga.
— Barcelona e Real Madrid [são os únicos a favor da Superliga]. A Juventus está fora, pelo menos é o que me parece. A Europa toda rechaçou o projeto. Só falta a confirmação legal. Talvez tenhamos entendido melhor Florentino [Pérez, presidente do Real Madrid], ele tem uma visão principalmente econômica sobre tudo — afirmou o ex-jogador.
Para Rummenigge, Superliga transformaria campeonatos dos países em segundas divisões
Rummenigge ainda seguiu os ataques à dupla espanhola ao afirmar que todos os campeonatos nacionais disputados na Europa seriam desvalorizados e ‘se tornariam segundas divisões’ em caso da Superliga acontecer. Para ele, isso acontece como um projeto espanhol de desvalorizar a Premier League, já que a liga inglesa, hoje, é a mais rentável do planeta.
— A Serie A se tornaria a Serie B e a Bundesliga a segunda divisão. Torneios mais fracos. E você sabe por quê? Para prejudicar a Premier League, que arrecada mais simplesmente porque é melhor. Principalmente os espanhóis, quiseram prejudicá-la e inventaram este torneio, o único que contaria. Adeus a um Juve-Cagliari, adeus a um Bayern-Bielefeld — explicou Rummenigge.
O ex-jogador alemão ainda crê que a Champions League em novo formato, que será disputada a partir da próxima temporada, vai suprir todas as necessidades que foram apresentadas como argumentos por Florentino Pérez em suas diversas defesas em favor da criação de uma Superliga.
— Todas foram rejeitadas culturalmente, no futebol e economicamente. A Uefa oferece o melhor torneio possível, a nova Champions League com 36 times será ainda mais espetacular e aberta. Você viu as celebrações do Copenhagenpor se classificar para as oitavas de final? Supostamente, deveriam terminar em último lugar, se classificaram e sentiram como se fosse Natal para eles. Será que os mesmos sempre têm que ganhar? No futebol, não; no futebol, está o impensável, a emoção. Não é matemática. Ninguém na Alemanha iria para a Superliga, haveria uma revolução dos torcedores — ponderou.
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Nem decisão favorável à Superliga na Justiça assusta Rummenigge
Com todas as atenções voltadas à decisão que a corte da União Europeia vai tomar, Rummenigge diz estar tranquilo mesmo caso a justiça permita a criação da Superliga — o que ela mesma vetou em dezembro do ano passado. Para o ex-jogador, trata-se de um sistema ultrapassado e que não tem espaço no futebol atual, argumento literalmente oposto ao que Florentino vem falando.
— Não chegaria muito longe [a criação da Superliga]. Há 30 anos, o sistema teria abraçado a novidade, agora é diferente. Os britânicos, alemães e franceses nunca participariam. Acredito que os italianos e os espanhóis também não, a menos que haja algum presidente que pense que pode deitar e acordar no dia seguinte no meio do ouro. Poderiam fazer o torneio o Real Madrid e o Barcelona…



