Europa

Retrospectiva da Süper Lig

Se o tempo é de retrospectivas e eleições de melhores do ano, a coluna não deixa por menos. Nesta semana, retomamos o Campeonato Turco falando dos grandes personagens do primeiro turno, além das projeções para a segunda metade da competição.

Melhores do primeiro turno

O Craque do Inverno: Alex (Fenerbahçe) – O meia sempre honra a própria condição de craque, mesmo com o seu time mal das pernas. Depois de o acusarem de criar rachas no elenco, o capitão do Fener demonstrou em campo o porquê da moral que tem com a torcida e foi o diferencial para que o clube se não caísse pelas tabelas. Especialmente nas últimas rodadas, quando marcou oito tentos em cinco jogos, o brasileiro tem solucionado a queda de produção dos atacantes de sua equipe. Ao todo, já soma 12 gols, sendo o artilheiro da competição ao lado de Emmanuel Emenike. Para coroar a grande forma, Alex ainda atingiu a marca histórica de 300 jogos pelos Sari Kanaryalar.

O Matador: Emmanuel Emenike (Karabükspor) – O empréstimo de Emenike já tinha sido um golpe de mestre na temporada passada. Por insignificantes 50 mil euros ele chegou do FC Cape Town, sendo campeão e vice-artilheiro da segunda divisão turca, com 16 gols. Em julho o Karabükspor fez outro grande negócio: assegurou o nigeriano definitivamente por apenas 300 mil euros. Como resultado, o atacante mais que compensa o investimento. O artilheiro da Süper Lig fez 12 gols em 17 rodadas e, além de garantir a boa campanha de seu time até aqui, também deve dar um bom lucro aos cofres do clube em breve.

O Garçom: Pablo Batalla (Bursaspor) – Se o seu time caiu de produção em relação à temporada passada, o argentino fez o caminho inverso. Em seu segundo ano em Bursa, Batalla está ainda mais decisivo. Sem somar tantos gols como em 2009/10, o meia tem preferido que os seus companheiros balancem as redes. Já deu oito assistências em 16 partidas, o dobro da marca registrada na última temporada.

A Muralha: Onur Kivrak (Trabzonspor) – Quem disse que goleiro bom é goleiro experiente? Com apenas 22 anos, Kivrak contraria esta máxima. Orientado por Senol Günes, ninguém menos do que um dos maiores goleiros da história da Turquia, o camisa 35 já se candidata para o futuro da seleção turca. Na Süper Lig, em sua segunda temporada como titular, soma dez partidas nas quais a sua meta passou invicta. Além disso, com apenas 10 gols tomados em 17 jogos, registra uma das melhores médias da Europa atualmente.

A Revelação: Necip Uysal (Besiktas) – O meio-campista de 19 anos vem confirmando em campo o que já era previsto a seu respeito. No fim da temporada passada, o jovem ganhou algumas oportunidades na reta final da Süper Lig. O suficiente para que cavasse uma vaga no time e, titular absoluto, encantasse a torcida. Bom na cadencia e na organização do jogo, Uysal soma também duas convocações para a seleção principal turca.

Da mediocridade ao estrelato: Burak Yilmaz (Trabzonspor) – Poucos lembram dele com as camisas de Besiktas e Fenerbahçe. Outrora promissor defendendo os pequenos, Yilmaz nunca vingou nos grandes de Istambul. No Besiktas só foi bem na temporada de estreia, enquanto que no Fenerbahçe fez pouco mais do que uma dúzia de jogos. Na temporada passada, foi vendido ao Trabzonspor, onde fez boas partidas. Nesta temporada, entretanto, é que Yilmaz está arrebentando. Deslocado mais ao ataque, o meia fez nove gols em 15 jogos e a sua chegada ao ataque é uma das principais armas dos líderes do Campeonato Turco.

O Insubstituível: Selçuk Inan (Trabzonspor) – Não ficar de fora de um minuto sequer de seu time é um feito para poucos, ainda mais para um jogador de linha. Referência do meio-campo do Trabzonspor, Inan esteve em campo em todas as partidas do Trabzonspor até aqui. E como não poderia deixar de ser, a sua principal característica tem sido a regularidade. Distribuindo o jogo com perfeição, criou sete passes para gols de sua equipe.

A Grande Contratação: Mamadou Niang (Fenerbahçe) – Contratar o artilheiro do último Campeonato Francês deu certo. Os 8 milhões de euros empregados pesaram, mas valeram a pena. Principalmente nas primeiras nove rodadas, o atacante aliviou as responsabilidades de Alex no ataque, marcando sete tentos e dando quatro assistências. Depois disso, uma lesão no abdômen prejudicou o ritmo do senegalês, mas de forma alguma fez com que os torcedores do Fener lamentassem a transferência.

A Maior Pechincha: Florin Cernat (Karabükspor) – O romeno chegou ainda jovem ao Dynamo Kiev, mas nunca conseguiu se firmar entre os titulares. Depois de seis anos, rumou ao Hajduk Split, onde atingiu certo protagonismo, tornando-se o principal armador da equipe. Mesmo assim, o clube croata não segurou o meia e o repassou ao Karabükspor por somente 500 mil euros. Uma verdadeira ninharia, levando-se em conta os cinco gols e as cinco assistências que Cernat proporcionou em apenas oito jogos pelo Campeonato Turco.

O Grande Retorno: Ibrahima Yattara (Trabzonspor) – Velho conhecido da torcida de Trebizonda, o meia sofreu com o tornozelo na última temporada. Ficou parado de julho de 2009 até abril de 2010, participando de apenas cinco jogos. A volta, todavia, não poderia ser mais triunfal. Com a aposentadoria de Rigobert Song, logo herdou a braçadeira de capitão. E se firmou como líder do time, combinando também grandes atuações em campo, como no êxito sobre o Fenerbahçe por 3 a 2, na qual fez um gol e deu o passe para o tento da vitória.

O Redimido: Rodrigo Tabata (Besiktas) – Depois de estourar no futebol turco defendendo o Gaziantepspor, o meia brasileiro foi levado com grande alarde pelo Besiktas. Afinal, foram pagos 8 milhões de euros por sua transferência, a segunda maior da história do clube. Na primeira temporada nos Kara Kartallar, no entanto, decepcionou, apontado como um dos piores negócios da história do clube. O retorno à boa forma só veio nos últimos meses, sem tantas expectativas sobre o ex-santista. Mesmo iniciando alguns jogos no banco, Tabata é o melhor passador do seu time, com sete assistências.

O Rei da Prancheta: Senol Günes (Trabzonspor) – Montar uma equipe com o melhor ataque e a melhor defesa dos campeonatos é algo para poucos treinadores. Perder um jogo em dezessete também, bem como manter excelente a média de 2,47 pontos/partida. Ídolo eterno da torcida do Trabzonspor, Günes apresenta números de campeão. E, com o grupo coeso que tem em mãos, é desta forma que ele pretende encerrar a temporada.

Professor Pardal: R?za Çal?mbay (Eskisehirspor e Sivasspor) – O treinador vinha de uma boa campanha na temporada passada com o Es-Es, mas decepcionou nas primeiras rodadas da Süper Lig 2010/11. Mesmo com o elenco reforçado, foram apenas três pontos em sete partidas. Ameaçado pelo rebaixamento, não escapou na demissão. Porém, três rodadas depois, Çal?mbay virou a solução para os problemas do também capenga Sivasspor. Foram cinco jogos até encontrar a primeira vitória – mas ao menos o seu novo time respira aliviado, uma posição acima da zona da degola.

Ex-craque em atividade: Nihat Kahveci (Besiktas) – Um dos maiores jogadores turcos na última década, Nihat apresentou números pífios na temporada de retorno ao clube que o revelou. Dificuldades na adaptação após tanto tempo na Espanha, diziam uns. Mero engano. O atacante está ainda mais decepcionante e não fez um mísero gol em oito jogos pela Süper Lig 2010/11.

O Açougueiro: Tozo (Karabükspor) – O meio-campista brasileiro, que por aqui passou por clubes como Náutico e Mogi Mirim, foi o mais solicitado pelos árbitros do Campeonato Turco. Ao todo, foram oito cartões recebidos, todos eles amarelos. A honraria para o mais avermelhado fica por conta de Sedat Bayrak, do Sivasspor. O beque foi expulso por duas vezes – além de advertido em outras quatro ocasiões.

Muleta de ouro: Arda Turan (Galatasaray) – Duas lesões sérias, uma no tornozelo e outra no músculo da coxa, impediram que o capitão dos Aslanlar desse sequência a sua temporada. Ao todo, foram apenas quatro jogos na Süper Lig, três deles nas primeiras rodadas. De certa forma, a ausência do meio-campista serviu para afundar ainda mais o clube na crise vivida no campeonato nacional.

Dinheiro jogado fora: Zvjezdan Misimovic (Galatasaray) – O meia do Wolfsburg foi a forma encontrada pelo presidente Adnan Polat para aplacar a fúria da torcida. Sem grandes nomes até a chegada do bósnio, o clube desembolsou 8,5 milhões de euros para solucionar os problemas de criatividade em campo – a contratação mais cara da janela de transferências na Turquia. Contudo, até o momento, Misimovic serviu apenas uma assistência aos companheiros ao longo dos 650 minutos que atuou na Süper Lig.

O que esperar para o segundo turno

Quem briga pelo título – Com cinco pontos de vantagem, é mais que óbvio que o Trabzonspor nada de braçada pela conquista. Uma queda de produção, no entanto, não seria surpreendente, ainda mais pelo alto nível mantido no primeiro turno. Aí, quem pode incomodar é o Bursaspor, que depois de não repetir as boas atuações do primeiro semestre, deve retornar concentrado no campeonato nacional. Já o Fenerbahçe ainda pode cogitar brigar pela ponta, mas antes precisa se livrar da dependência de Alex vista nas últimas rodadas e contar com o empenho de outros jogadores do elenco.

Quem pode subir de produção – Pelas contratações até aqui, o Besiktas desponta. Hugo Almeida e Simão tornam o clube forte por uma vaga nas competições europeias. Tirar a diferença dos líderes, contudo, é serviço hercúleo, já que são 12 pontos de desvantagem. Quem também desponta graças às transferências é o Gaziantepspor, oito pontos abaixo do G-4, que trouxe o meia brasileiro Wagner. Mais abaixo, depois de começos ruins, Eskisehirspor e Manisaspor se recuperam e devem se firmar na parte de cima da tabela

Quem pode cair pelas tabelas – O Kayserispor, depois de um belo começo de campanha, já dá sinais de fraqueza. Com a contusão de alguns de seus principais jogadores, foram quatro jogos de jejum e a queda do segundo para o quarto lugar. A tentativa agora é a de que o rendimento não comprometa uma vaga nas competições europeias. O mesmo caso se aplica ao Istanbul B.B., que desceu algumas posições por conta da tabela complicada no final do turno. E como atenção nunca é demais, o sinal de alerta ainda soa no Galatasaray. Mesmo com a volta de alguns de seus principais jogadores, o clube mantém-se em risco. Gheorghe Hagi, levado para livrar o time da má fase, possui um aproveitamento desanimador – somente nove pontos em sete partidas.

Brigam contra o rebaixamento – A luta deve se concentrar mesmo em cinco times. O lanterna Kasimpasa, que fez ultrajantes oito pontos ao longo do primeiro turno, é o candidato mais forte. Bucaspor e Konyaspor, que subiram na última temporada, tentam evitar o retorno à First League, mas está difícil. O Sivasspor, outro fortemente ameaçado, conseguiu escapar da zona perigosa após 10 rodadas no limbo. E o Genclerbirligi, de raras vitórias até aqui, precisa mudar de atitude se quiser evitar o pior.

Postulantes ao acesso – Finalizado o primeiro turno da TFF First League, o equilíbrio é a ordem que impera. Do primeiro ao nono colocado, apenas cinco pontos de diferença. Se o campeonato terminasse hoje, o tradicional Denizlispor e o Çaykur Rizespor, outro time cativo na primeira divisão, teriam seus acessos garantidos.

Como está a Copa – A Türkiye Kupas? encerrou a segunda rodada de sua fase de grupos. Nesta etapa, cinco clubes se dividem em quatro chaves e se enfrentam em turno único, no qual apenas os dois primeiros de cada grupo passam às quartas-de-final.
Pelo que passaram até o momento, Bursaspor e Galatasaray não devem ter o que temer. Com quatro pontos em dois jogos, ambos já despontam na liderança de grupos sem grandes desafios. O Fenerbahçe, por sua vez, se complicou logo de início e pode se considerar fora. Somando duas derrotas, os Sari Kanaryalar já teriam que torcer por uma combinação de resultados para evitar a eliminação. Por fim, no Grupo B, Besiktas e Trabzonspor disputam o mesmo páreo. Como ambos estão fora da zona de classificação, o confronto direto, na última rodada, deverá ser decisivo para que um dos dois não vá para a etapa seguinte.

Enquanto isso, na Liga Europa – O Besiktas é o único clube turco que permanece disputando uma competição europeia. Classificado na segunda posição de seu grupo na Liga Europa, o desafio na próxima fase é o Dynamo Kiev. A primeira partida, sediada em Istambul, está marcada para 17 de fevereiro.

Dez nomes para ficar de olho no segundo turno

Umut Bulut (Trabzonspor) – Há cinco temporadas ele é a referência no ataque da Karadeniz Firtinasi. Tendo marcado mais de dez gols nos últimos três campeonatos, a regularidade é o seu trunfo. Vice-artilheiro do time, com oito gols, além de cinco assistências, Bulut será decisivo para que o Trabzonspor mantenha o ritmo e a liderança.

Volkan Sen (Bursaspor) – Principal nome no título de 2009/10, o camisa 10 não manteve o status nesta temporada. Com apenas um gol e uma assistência em 12 partidas, luta para recuperar a forma. Sua volta em grande estilo pode culminar numa guinada do Bursaspor em perseguição ao bicampeonato.

Semih Sentürk (Fenerbahçe) – O tarimbado atacante atuou bem nas primeiras rodadas, mas desapareceu nos últimos jogos. Sempre um dos goleadores de seu time, Sentürk é um dos mais indicados a diminuir a dependência ofensiva de Alex e fazer com que o Fenerbahçe recupere a predominância no campeonato nacional.

Furkan Özcal (Kayserispor) – O meia de 20 anos não é nem mesmo titular, mas não se pode tirar os seus méritos. Afinal, foi ele quem decidiu as partidas contra Fenerbahçe e Besiktas, marcando os gols da vitória. Sem Cángele até março e com Zalayeta voltando de lesão, o Kayserispor precisará da estrela do garoto para buscar uma vaga nas copas continentais.

Simão Sabrosa (Besiktas) – Durante a pré-temporada, Guti e Quaresma causaram agitação no Besiktas, mas ambos justificaram a repercussão. O espanhol se encaixou bem no meio-campo e o português, se ainda não desequilibra sempre, tem se apresentado bem. Agora, terão a companhia de Simão e Hugo Almeida, mais dois ibéricos que adicionam poder de fogo ao ataque e tentarão alçar o time mais acima na tabela.

Yücel Ildiz (Karabükspor) – Ao invés de um jogador, quem precisa fazer a diferença no clube, campeão da segundona em 2009/10, é o técnico. O Karabükspor tem se dado bem com as contratações e, com Cernat e Emenike, mantém uma honrosa sexta posição. Para ficar na parte de cima da tabela, Ildiz precisará manter a motivação de seu elenco, o mais barato de toda a Süper Lig.

Wagner (Gaziantepspor) – Pretendido por vários clubes brasileiros, o ex-cruzeirense acabou saindo do Lokomotiv para o futebol turco. A esperança da torcida com a sua chegada é que o meia repita o sucesso que Tabata fez por lá há duas temporadas. Em sétimo, o Gaziantepspor começa a almejar as competições europeias.

Milan Baros (Galatasaray) – Parte do fracasso do clube deve ser creditado ao atacante. Não pode alguém tão decisivo como o tcheco jogar menos da metade das partidas no primeiro turno. Quando entrou, no entanto, resolveu: foram seis tentos em somente oito partidas. Seu retorno de uma lesão no pé só deve acontecer em março, mas mesmo assim será o nome do Galatasaray para a reta final da Süper Lig, seja em qual parte da tabela o time estiver.

Josh Simpson (Manisaspor) – Com o clube em ascensão, o canadense é quem deve emplacar mais uma temporada entre os destaques da Süper Lig. O meia tem contribuído para escalada na tabela com gols e, se assim se mantiver, deve levar o Manisaspor à parte de cima da tabela.

Batuhan Karadeniz (Eskisehirspor) – Antes considerado uma das maiores promessas da Turquia, o atacante acabou relegado no Besiktas. Sem espaço em Istambul, foi emprestado e depois levado em definitivo pelo Eskisehirspor. Recuperando o status anterior, Karadeniz tem crescido junto com a equipe e, com 19 anos de idade, ainda tem muita lenha para queimar.

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Equipe Trivela

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