Europa

Resumo da Super Liga Suíça

Chegamos ao final da temporada 2008/09 no futebol suíço. Um campeonato de estádios novos e recheados graças ao efeito Eurocopa, mas também pela emoção da definição do título apenas nas últimas rodadas, e com três clubes envolvidos na disputa. Confira nas linhas abaixo um resumo do desempenho das dez equipes neste ano.

FC Zürich

Colocação final: Campeão, com 79 pontos (classificado para o 3º qualifying da Uefa Champions League)
Técnico: Bernard Challandes
Maior vitória: FC Vaduz 1×7 FC Zürich (9ª rodada)
Maior derrota: FC Zürich 1×4 FC Basel (4ª rodada)
Principal jogador: Almen Abdi (meia)
Decepção: Xavier Margairaz (meia)
Artilheiro: Almen Abdi (19 gols)
Copa nacional: Eliminado nas quartas-de-final pelo FC Basel
Competição continental: Copa da Uefa (eliminado na primeira rodada pelo Milan)
Nota da temporada: 9

Uma temporada de sonho. Assim foi 2008/09 para o torcedor do Zürich. Vindo de um bicampeonato, o clube amargou a terceira colocação no ano passado e promoveu uma reformulação, apostando principalmente em jovens jogadores. A tranquilidade que Bernard Challandes teve para conduzir seu trabalho foi fundamental e, com um estilo de jogo ofensivo, os leões azuis conquistaram o terceiro título em quatro anos, roubando do Basel o posto de maior potência do país. No total foram apenas cinco derrotas, três delas para o Basel, e ainda assim sete pontos separaram os dois times. O trio formado por Almen Abdi, Eric Hassli e Alexandre Alphonse foi responsável por 49 dos 80 gols do time, além de terem somados juntos 26 assistências.

Com números quase perfeitos, a temporada só não terminou com nota dez porque o FCZ caiu nas quartas da Copa da Suíça e enfrentou logo de cara o Milan na Copa da Uefa, perdendo a chance de chegar à fase de grupos. Talvez tenha sido para o melhor, pois dividir as atenções custou ao Basel o troféu, o 12º a ser enfileirado no Letzigrund Stadion.

Young Boys

Colocação final: Vice-campeão, com 73 pontos (classificado para o 3º qualifying da Liga Europa)
Técnico: Martin Andermatt (até a 3ª rodada), Erminio Piserchia (interino, até a 5ª) e Vladimir Petkovic (a partir da 6ª)
Maior vitória: Young Boys 6×0 FC Vaduz (31ª rodada)
Maior derrota: FC Zürich 3×0 Young Boys (30ª rodada)
Principal jogador: Seydou Doumbia (atacante)
Decepção: Thomas Häberli (atacante)
Artilheiro: Seydou Doumbia (20 gols)
Copa nacional: Vice-campeão (perdeu a final para o FC Sion por 3 a 2)
Competição continental: Copa da Uefa (eliminado na primeira rodada pelo Club Brugge)
Nota da temporada: 9

O vice-campeonato caiu no colo do Young Boys, certo? Nem tanto. A disputa pelo título pareceu polarizada o tempo todo entre Zürich e Basel, mas no início do quarto turno a diferença era de apenas três pontos. O que dificultou as coisas foi a largada muito ruim, com três derrotas nos quatro primeiros jogos, o que custou o cargo de Martin Andermatt. Vladimir Petkovic assumiu credenciado pela campanha do acesso do Bellinzona, mas sua falta de experiência e a ausência do ídolo Hakan Yakin pareciam obstáculos grandes demais.

Ao mudar o esquema para o 3-4-3, o croata resolveu os problemas da defesa e aumentou o poder de fogo da equipe. Emprestado pelo Kashiwa Reysol, Seydou Doumbia foi a grande revelação da temporada: o marfinense de 21 anos veio do banco em 24 dos 32 jogos em que atuou, mas marcou em quase todos os jogos e terminou como artilheiro do campeonato com 20 gols, além de 10 assistências. Graças a ele, os aurinegros terminaram com o melhor ataque e puderam gritar “vice de novo”, sem vergonha alguma.

FC Basel

Colocação final: 3º, com 72 pontos (classificado para o 2º qualifying da Liga Europa)
Técnico: Christian Gross
Maior vitória: FC Basel 5×0 FC Vaduz (25ª rodada)
Maior derrota: FC Luzern 5×1 FC Basel (18ª rodada)
Principal jogador: Yann Sommer (goleiro)
Decepção: Davide Abraham (zagueiro)
Artilheiro: Scott Chipperfield (12 gols)
Copa nacional: Eliminado na semifinal pelo Young Boys, nos pênaltis
Competição continental: Eliminado na fase de grupos da Uefa Champions League (1E, 5D, 2GP, 16GC)
Nota da temporada: 3

O fim de uma era. Assim pode ser considerada a temporada 2008/09 para o Basel, que chegou para defender o título como grande favorito e classificado para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Com a perda do caneco e a pior colocação desde 2000/01, Christian Gross se despediu de St. Jakob Park após dez anos e com quatro campeonatos na bagagem. Entretanto, uma conquista nos últimos quatro anos é muito pouco para os planos do clube. A participação na UCL pareceu prejudicial à equipe, que apesar de ter se reforçado e ter atuado com seus principais jogadores a maior parte do tempo, teve um péssimo final de ano – foi goleado pelo então lanterna Luzern por 5 a 1. Nem mesmo a vantagem no confronto direto com o Zürich foi suficiente e o título foi perdido com três derrotas nas últimas cinco derrotas. Como a reformulação deve ser grande, não irá sobrar ninguém para explicar o que aconteceu.

Grasshopper

Colocação final: 4º, com 50 pontos
Técnico: Hanspeter Latour
Maior vitória: FC SIon 1×4 Grasshopper (32ª rodada) e Grasshopper 4×1 FC Basel (35ª rodada)
Maior derrota: AC Bellinzona 6×2 Grasshopper (24ª rodada)
Principal jogador: Eldin Jakupovic (goleiro)
Decepção: Ricardo Cabanas (meia)
Artilheiro: Raul Bobadilla (8 gols)
Copa nacional: Eliminado nas quartas-de-final pelo Young Boys
Competição continental: Eliminado no 2º qualifying da Copa da Uefa pelo Lech Poznan (POL)
Nota da temporada: 5

O Grasshopper fez o que pôde nesta temporada. Sem dinheiro para competir com os rivais, foi definitivamente relegado à quarta força do futebol suíço nos últimos anos. O entrosamento entre Cabanas e Bobadilla não foi tão eficiente quanto no ano passado, e o time já não brigava pelo título na metade do campeonato – a diferença para o líder era de 14 pontos e terminou em 29, a maior desde 2004/05. A primeira perna até que foi boa, mas a falta de reservas à altura pesou e a consistência defensiva da equipe foi para o espaço com a lesão do zagueiro capitão Boris Smiljanic. O meia Davide Callà, destaque por sua velocidade, também se machucou e fez muita falta. O quarto lugar ficou de bom tamanho, mas com o fim da Copa Intertoto, os gafanhotos terão que melhorar muito para voltarem às competições continentais, afinal ainda são os maiores vencedores da história da Liga.

FC Aarau

Colocação final: 5º, com 44 pontos)
Técnico: Ryszard Komornicki
Maior vitória: FC Aarau 4×0 FC Vaduz (11ª rodada)
Maior derrota: FC Zürich 4×0 FC Aarau) (12ª rodada), Young Boys 4×0 FC Aarau (21ª) e FC Luzern 4×0 FC Aarau (31ª)
Principal jogador: Ivan Benito (goleiro)
Decepção: Rogério (atacante)
Artilheiro: Patrick Bengondo (8 gols)
Copa nacional: Eliminado no 16-avos pelo St. Gallen
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 5

O Aarau terminou o campeonato na mesma posição da temporada passada, o que pode ser considerado um grande resultado, já que as equipes médias têm protagonizado um revezamento muito grande na primeira divisão. Entretanto, após a boa campanha em 2007/08, esperava-se um desempenho um pouco melhor – o time ficou mais perto do quarto colocado, mas mais longe dos líderes e de uma vaga na Liga Europa, o objetivo do ano. Após um início arrasador com três vitórias (uma inclusive sobre o Zürich), a equipe caiu de produção e perdeu sete de onze jogos no meio do calendário. A dupla de ataque formada por Ianu e Rogério, que foi sensação na temporada passada, rendeu apenas 11 gols e o destaque acabou sendo o goleiro Ivan Benito, com importantes defesas na reta final. Mas, como o dinheiro era escasso e muitos destaques haviam sido negociados, o resultado foi bastante satisfatório.

AC Bellinzona

Colocação final: 6º, com 43 pontos
Técnico: Marco Schällibaum
Maior vitória: AC Bellinzona 6×2 Grasshopper (24ª rodada)
Maior derrota: FC Zürich 3×0 AC Bellinzona (8ª rodada), AC Bellinzona 0x3 FC Zürich (17ª), Young Boys 3×0 AC Bellinzona (18ª e 23ª)
Principal jogador: Alessandro Mangiarratti (zagueiro)
Decepção: Genc Mehmeti (meio-campo)
Artilheiro: Mauro Lustrinelli (12 gols)
Copa nacional: Eliminado nas oitavas-de-final pelo Grasshopper
Competição continental: Eliminado na primeira rodada pelo Galatasaray
Nota da temporada: 7

Nem mesmo o Zürich, campeão desbancando o favorito Basel, tem tanto a comemorar quanto o Bellinzona. O clube só garantiu a vaga na primeira divisão após vencer o St. Gallen nos playoffs de pós-temporada, e teve o melhor desempenho de um recém-promovido desde 2003/04, quando a fórmula de disputa do campeonato foi reformulada. O time ainda foi razoavelmente bem na Copa da Uefa, e só deixou a desejar na Copa da Suíça. O responsável pelo sucesso foi o técnico Marco Schällibaum, que já tinha feito diversas boas campanhas na Super Liga. Apostando em nomes experientes como Mauro Lustrinelli e Gürkan Sermeter, Schällibaum conseguiu suportar o nervosismo das rodadas iniciais e, sem a pressão de lutar contra o rebaixamento, pôde conduzir o trabalho com calma. A força dentro de casa, onde chegou a golear o tradicional Grasshopper, também foi fundamental para o sucesso alcançado.

Neuchâtel Xamax

Colocação final: 7º, com 40 pontos
Técnico: Nestor Clausen (até a 18ª rodada) e Alain Geiger (a partir da 19ª)
Maior vitória: Neuchâtel Xamax 4×1 Grassopphers (30ª rodada)
Maior derrota: FC Zürich 3×0 Neuchâtel Xamax (10ª e 24ª rodada), FC Basel 3×0 Neuchâtel Xamax (27ª)
Principal jogador: Johnny Szlykowicz (meia)
Decepção: Hussein Sulaimani (zagueiro)
Artilheiro: Ideye Aide Brown (10 gols)
Copa nacional: Eliminado nas oitavas-de-final pelo FC Concordia
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4

Não é exagero dizer que o Xamax passou pela Super Liga sem ser notado. Time mais insosso da temporada, ficou o tempo todo oscilando entre a quarta e a sétima colocação, sem nunca brigar por uma vaga na Liga Europa ou mesmo ser ameaçado pelo rebaixamento. Na Copa da Suíça, também não foi notado: caiu ainda nas oitavas-de-final por um time da segunda divisão. Mesmo tendo sido um dos clubes que mais contratou para o campeonato, a sensação que fica é que este foi um ano de afirmação do clube da região francófona do país, após ter retornado na temporada passada e escapado do descenso apenas nas últimas rodadas. Com o investimento pesado em infra-estrutura e a chegada de jogadores promissores das categorias de base, a expectativa é subir um degrau por ano e, aí sim, passar a ser notado.

FC Sion

Colocação final: 8º, com 37 pontos (classificado para o play-off round da Liga Europa)
Técnico: Uli Stielike (até a 13ª rodada), Christian Constantin (da 14ª à 17ª), Umberto Barberis (da 18ª à 27ª) e Didier Tholot (a partir da 28ª)
Maior vitória: FC Vaduz 1×5 FC Sion (35ª rodada)
Maior derrota: Young Boys 5×0 FC Sion (11ª rodada)
Principal jogador: Olivier Monterrubio (meia)
Decepção: Álvaro Sabório (atacante)
Artilheiro: Olivier Monterrubio (11 gols)
Copa nacional: Campeão sobre o Young Boys (11º título)
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 5

Ninguém teve uma temporada tão conturbada quanto o Sion. Após iniciar com um técnico de nome e não engrenar, o excêntrico presidente do clube, Christian Constantin, assumiu o comando da equipe por quatro rodadas, anotando uma vitória, um empate e duas derrotas. Um novo treinador assumiu e o time chegou a frequentar a vice-lanterna, até que Didier Tholot (que montou o time que conquistou o acesso em 2005/06) chegou e afastou, ainda que com muita dificuldade, a ameaça do rebaixamento. Com jogadores de 16 nacionalidades diferentes, o time foi uma verdadeira Torre de Babel, e foi o que teve mais atletas utilizados na liga (29). Apesar de tudo isso, uma campanha irretocável na Copa da Suíça salvou o ano e garantiu o décimo primeiro título do torneio em onze finais disputadas – um feito tão incrível quanto os altos e baixos enfrentados.

FC Luzern

Colocação final: 9º, com 35 pontos (disputa vaga na próxima temporada com o AC Lugano, vice-campeão da Segunda Divisão)
Técnico: Ciriaco Sforza (até a 5ª rodada), Jean-Daniel Gross (interino, 6ª), Roberto Moririni (da 7ª à 12ª) e Rolf Fringer (a partir da 13ª)
Maior vitória: FC Luzern 5×1 FC Basel (18ª rodada)
Maior derrota: Young Boys 6×1 FC Luzern (15ª rodada)
Principal jogador: Joe Tex Frimpong (atacante)
Decepção: Jacopo Ravasi (atacante)
Artilheiro: Asamoah Frimpong (13 gols)
Copa nacional: Eliminado na semifinal pelo FC Sion
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4

A temporada do Luzern pode ser de fracasso total ou de uma volta por cima sensacional. Tudo depende dos dois jogos que faz com o Lugano, vice-campeão da Challenge League, para decidir a permanência na primeira divisão. Com um orçamento recorde e um ex-craque da seleção nacional no comando, o time não se encontrou e venceu a primeira apenas na 13ª rodada – exatamente quando o alemão Rolf Fringer chegou ao Allmend. Enquanto se virava com as contusões, ele teve a grande sacada de fixar Chiumiento como meia pela esquerda e sacou Ravasi, que chegou credenciado mas não vinha rendendo como centro-avante. Ao escalar Asamoah Frimpong com mais liberdade no ataque, descobriu o mapa da mina e o ganês marcou sete gols em sete jogos, ajudando na arrancada. O fim de temporada foi tão animador que por pouco a equipe não se classifica para a final da Copa da Suíça. Mas, como o começo foi horrível, terminou em nono e agora pode jogar tudo por água abaixo se perder na repescagem.

FC Vaduz

Colocação final: 10º, com 22 pontos (rebaixado para a Challenge League, classificado para o segundo qualifying da Liga Europa via Copa do Liechtenstein)
Técnico: Heinz Hermann (até a 13ª rodada) e Pierre Littbarski (a partir da 14ª rodada)
Maior vitória: FC Vaduz 3×1 Young Boys (24ª rodada)
Maior derrota: FC Vaduz 1×7 FC Zürich (9ª rodada)
Principal jogador: Michele Polverino (meia)
Decepção: Miguel Angel Mea Vitali (meia)
Artilheiro: Gaspar (6 gols)
Copa nacional: Campeão da Copa de Liechtenstein
Competição continental: Eliminado no primeiro qualifying da Copa da Uefa pelo Zrinjski Mostar (Bósnia)
Nota da temporada: 1

O objetivo era escapar do rebaixamento, mas em nenhum momento isto pareceu possível. A estreia na primeira divisão até veio com vitória, mas o Vaduz só não foi lanterna enquanto o Luzern não se arrumou. O time assumiu a última colocação a nove rodadas do fim, mas sempre esteve namorando a parte de baixo da tabela. Sem jogadores experientes e com a saída do goleiro Yann Sommer, que se destacaria no Basel, o time de Liechtenstein perdeu 24 de 36 jogos, acumulou goleadas (foram oito derrotas por três ou mais gols de diferença) e não pontuou nas últimas dez rodadas. A temporada só não foi perdida porque venceu a Copa de Liechtenstein – o que não é grande coisa. Fica a lição de que, para voltar e permanecer, será preciso muito mais.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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