Europa

Reiterando seu domínio recente na liga local, o Club Brugge conquista o bicampeonato belga

Depois de ser campeão com o fim antecipado do campeonato passado, o Club Brugge amplia seu sucesso, com o quatro títulos em seis anos

O Club Brugge conquistou o Campeonato Belga na temporada passada sem entrar em campo, com o fim antecipado da liga por conta da pandemia. Nesta quinta, ao menos, a festa pôde acontecer no estádio – ainda que fosse do rival. Com o empate por 3 a 3 contra o Anderlecht, o clube azul e preto confirmou o bicampeonato nacional. É o quarto título nas últimas seis temporadas, reforçando um período dominante dentro do cenário doméstico. Além do mais, o Club Brugge também confirma seu lugar na próxima edição da Champions League, mais uma vez entrando direto na fase de grupos.

Não seria a campanha mais linear do Club Brugge. O time perdeu dois dos três primeiros jogos e só depois disso engrenou, com seis vitórias consecutivas. A liderança não duraria tanto, com uma série instável na metade final do primeiro turno. Mas, a partir do começo do segundo turno, veio uma guinada importante. Foram oito vitórias seguidas, além de uma invencibilidade que durou 13 jogos. Com isso, o Club Brugge não deixaria mais o topo. A equipe fechou a temporada regular com 16 pontos de vantagem. Assim, o excesso de empates na fase final não atrapalhou – com o quadrangular decisivo reunindo os quatro primeiros, contando pela metade a pontuação acumulada na etapa anterior da liga.

Mesmo com apenas seis pontos conquistados nos últimos cinco jogos, a gordura acumulada pelo Club Brugge permitiu a conquista com uma rodada de antecedência. Foi um jogo animado contra o Anderlecht, em que os campeões chegaram a abrir dois gols de diferença, mesmo cedendo o empate por 3 a 3 nos acréscimos do segundo tempo. O ponto conquistado nesta quinta, ainda assim, já valia para a festa. O Genk, principal perseguidor do Club Brugge, segue três pontos atrás na tabela e leva a pior no principal critério de desempate, o desempenho na fase inicial da liga. Assim, não teria mais chances de uma reviravolta.

Philippe Clement dirige o Club Brugge desde 2019 e é um dos responsáveis por essa ótima sequência recente dos bicampeões. A maneira como o trabalho se sustenta, mesmo com a venda de jogadores importantes, é algo bem relevante. Na atual campanha, o elenco perdeu nomes relevantes como Krépin Diatta e Emmanuel Dennis. Antes disso já tinham saído Wesley, Arnaut Danjuma, Marvelous Nakamba e Stefano Denswil. O sucesso se mantém com a revelação de talentos e também com contratações de mais peso. Na atual temporada, por exemplo, a diretoria acertou em cheio ao emprestar Noa Lang junto ao Ajax. E não que o elenco se concentre apenas em garotos, com Bas Dost desembarcando como novo comandante do ataque em janeiro.

Bas Dost aproveitou muito bem seus meses no Club Brugge, com nove gols anotados. Noa Lang foi outro que contribuiu positivamente e teve lampejos de craque no ataque, muito provavelmente o melhor jogador do campeonato. Entre os mais jovens, o zagueiro Odilon Kossounou e o meia Charles De Ketelaere apresentam bom potencial. De qualquer maneira, há outros jogadores mais rodados que lideram o grupo. O capitão Ruud Vormer permanece como referência no meio-campo. Além disso, Simon Mignolet voltou a desfrutar de bons momentos no retorno ao país e Hans Vanaken desequilibra na faixa central, mesmo caindo de nível em relação à temporada passada. Não à toa, ambos foram convocados para a Eurocopa e serão os únicos dois jogadores do futebol local na seleção belga.

O Club Brugge chega a 17 títulos no Campeonato Belga. É o segundo maior campeão, mas com metade dos 34 troféus do Anderlecht. O atual sucesso, de qualquer forma, tem um peso histórico ao clube. Apenas no fim dos anos 1970 que o Club Brugge viveu um período tão significativo dentro da liga. A observação de talentos ajuda, assim como a contratação de jogadores mais experientes para garantirem casca ao elenco. E a vaga direta na fase de grupos da Champions, trazendo uma grana a mais na conta, alimenta esse ciclo para que a equipe mantenha sua força.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo