Europa

Real Madrid ignorou a mística e a história para vencer o Liverpool de forma avassaladora

As noites de Champions League em Anfield Road eram muito esperadas pelos torcedores do Liverpool, naquele período vitorioso no cenário europeu, entre 2005 e 2009, quando o clube chegou a duas finais e conquistou um título. Com o peso de uma camisa pentacampeã, fazia muitos jogos acima da sua capacidade e essa era basicamente a aposta para enfrentar o poderio do Real Madrid, que nunca havia feito sequer um gol contra os ingleses, e Cristiano Ronaldo, que nunca havia marcado no estádio. Em 23 minutos, tudo isso foi por terra, junto com qualquer esperança vermelha, e os espanhóis começaram a construir o placar da vitória tranquila por 3 a 0.

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Ao ignorar a mística e entrar no campo palpável da técnica e da coletividade dos dois times, a hierarquia fica clara. Depois de um começo de temporada turbulento, com as chegadas de James Rodríguez e Toni Kroos e a saída de Angel Di María, o Real Madrid começou a voar. Viajou para a Inglaterra com uma sequência de sete vitórias na bagagem, que inclui cinco goleadas. A transição do Liverpool da Era Suárez para a Era Balotelli está sendo muito mais demorada e complicada. Sem contar a diferença de investimento e de qualidade individual.

O máximo que o time da casa conseguiu fazer foi equilibrar a partida durante os primeiros 20 minutos. O ataque com Sterling, Coutinho e Balotelli não consegue replicar a velocidade e a objetividade da temporada passada. Suárez, claro, faz falta, mas Sturridge também, principalmente para dividir as atenções dos defensores. O melhor que os vermelhos conseguiram criar foi um chute de Gerrard da entrada da área, muito bem defendido por Casillas, no canto direito.

Sem a volúpia ofensiva, a fragilidade defensiva fica mais clara e pesada. O primeiro gol merengue não foi resultado de falhas individuais, mas de um passe brilhante de James Rodríguez, de cavadinha, fora do alcance de Lovren, e de uma finalização brilhante de Cristiano Ronaldo. Dividindo com Skrtel, bastou um tapa na bola para chegar a 70 gols na Liga dos Campeões, apenas um a menos que Raúl González, recordista absoluto da competição. O que não faltou foram chances para superá-lo. O Real Madrid tomou controle total da partida a tal incapacidade de se defender do Liverpool foi ficando visível. O português levou perigo com um chute da entrada da área e, pouco depois, Benzema ampliou em cruzamento perfeito de Toni Kroos, quando ficou muito clara a principal fonte das críticas que Balotelli vem recebendo desde que voltou para a Inglaterra.

Kroos recebeu a bola, e Balotelli deu as costas para ele, aquele movimento que todo mundo que joga pelada já realizou para fingir que está ligado na marcação. Falta muita intensidade ao italiano, que se movimenta pouco, mal participa da partida e não se posiciona dentro da área para aproveitar as chances. Seria injusto comparar a sua qualidade com a de Luis Suárez, mas talvez a maior diferença seja de postura. A volta de Sturridge (ainda longe de acontecer) pode ajudá-lo. Sua melhor partida foi na estreia, contra o Tottenham. Por enquanto, porém, está longe de ser um centroavante confiável. Foi substituído no intervalo.

Quando a partida foi retomada para o segundo tempo, Benzema já havia feito o terceiro do Real Madrid, em mais uma confusão da defesa inglesa com o goleiro Mignolet. Às vésperas do clássico contra o Barcelona pelo Campeonato Espanhol, os visitantes tiraram o pé. Deram a bola para o Liverpool, que ainda assim não conseguiu ameaçar Casillas seriamente. O jogo estava terminado, e a única expectativa era descobrir se Ronaldo conseguiria igualar Raúl. Teve a oportunidade de ouro, cara a cara com Mignolet, mas o goleiro belga salvou. Aos 30 minutos do segundo tempo, foi substituído por Sami Khedira. O recorde ficou para outra noite. A mágica do Liverpool, também.

Formações iniciais

campinho liverpool x real madrid

Momento-chave

A defesa do Liverpool não precisou nem falhar, como costuma fazer, para o Real Madrid abrir o placar. Um passe de brilhante presença de espírito de James Rodríguez achou Cristiano Ronaldo dentro da área, e o português foi ligeiro na hora de finalizar. Com um gol de vantagem no placar, o Real Madrid teve a tranquilidade de ditar o jogo da maneira como quis.

Os gols

23’/1T – GOL DO REAL MADRID! James Rodríguez recebe na entrada da área e passa, de cavadinha, com a perna esquerda. Skrtel chega para dividir, mas Cristiano Ronaldo dá um tapa rápido na bola e vence Mignolet.

30’/1T – GOL DO REAL MADRID! Kroos recebe na ponta da grande área e cruza com curva. Benzema, na segunda trave, completa de cabeça, por cima de Mignolet.

41’/1T – GOL DO REAL MADRID! Bola alçada na área. Há um desentendimento entre a defesa do Liverpool e Mignolet. Enquanto eles se resolvem, Benzema empurra para o gol.

Curiosidade

Foi a primeira vez que o Liverpool sofreu três gols no primeiro tempo de um jogo de Liga dos Campeões desde a final de 2005, em Istambul. Mas desta vez não deu para empatar.

Ficha técnica

Liverpool 0 x 3 Real Madrid

Liverpool
Simon Mignolet; Glen Johnson, Dejan Lovren, Martin Skrtel e Alberto Moreno; Steven Gerrard, Jordan Henderson (Emre Can, aos 22’/2T), Joe Allen e Philippe Coutinho (Lazar Markovic, aos 22’/2T); Raheem Sterling e Mario Balotelli (Adam Lallana, ao 1’/2T). Técnico: Brendan Rodgers

Real Madrid
Iker Casillas; Álvaro Arbeloa, Raphaël Varane, Pepe e Marcelo (Nacho, aos 40’/2T); Toni Kroos (Asier Illarramendi, aos 37’/2T), Luka Modric e Isco; Cristiano Ronald (Sami Khedira, 30’/2T), James Rodríguez e Karim Benzema. Técnico: Carlo Ancelotti

Local: Anfield Road, em Liverpool (ING)
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Gols: Cristiano Ronaldo (23’/1T), Karim Benzema (30’/1T e 41’/1T)
Cartões amarelos: Toni Kroos (Real Madrid)
Cartões vermelhos: nenhum

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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