Europa

Ramsey recusou propostas da Premier League e poderá viver uma experiência marcante no Rangers

Sem espaço na Juventus, Ramsey acerta por empréstimo com o Rangers, que terá opção de compra ao final da temporada

O melhor bonde da carreira de Aaron Ramsey passou. O meio-campista não teve a importância para o Arsenal que um dia se imaginou e deixaria a Juventus pela porta dos fundos. Mas, aos 31 anos, o galês retorna ao Reino Unido para tentar escrever seu nome por um clube histórico. A mudança para o Rangers pode parecer um passo para trás em relação aos grandes palcos. Em contrapartida, é um negócio de peso para os Teddy Bears e também a chance para Ramsey se tornar ídolo de uma torcida fanática. Os Gers contarão com o jogador por empréstimo durante os próximos seis meses, com opção de compra. Na Escócia, o acerto é apontado como o mais importante desde a compra de Paul Gascoigne nos anos 1990, até porque Ramsey recusou ofertas da Premier League para atuar em Glasgow.

“Estou muito satisfeito por me juntar a um clube como o Rangers, onde há muito para buscar até maio. Tinha várias ofertas na mesa, mas nenhuma se comparava à magnitude desse clube e à chance de jogar diante de 50 mil torcedores todas as semanas. Tive conversas fantásticas com o técnico e com a direção. Estou realmente ansioso para trabalhar com eles e conhecer os torcedores”, afirmou Ramsey, em sua primeira entrevista. Terá a chance de estrear, inclusive, na Old Firm contra o Celtic na próxima quarta.

O Rangers será o quinto clube da carreira de Ramsey. O meio-campista surgiu no Cardiff City e passaria por empréstimo pelo Nottingham Forest, enquanto grande parte de sua trajetória se passaria no Arsenal. O galês permaneceu uma década no norte de Londres e disputou 371 partidas, com 65 gols e 65 assistências. Seria um jogador importante em diversos momentos e recebeu reconhecimento internacional. Mas o período de vacas magras não o afirmou exatamente como uma figura histórica dos Gunners. Mesmo eleito o melhor jogador do clube em duas temporadas distintas e acumulando títulos nas copas, a impressão é de que poderia ser maior do que realmente foi.

Num momento em que permanecia bem cotado, Ramsey não renovou seu contrato com o Arsenal e assinou de graça com a Juventus. O acerto garantiu um salário mais alto e a perspectiva de conquistar títulos de mais peso. O meio-campista até adicionou a Serie A na lista de troféus, mas passou longe de se tornar unanimidade nos bianconeri. Era um jogador em declínio num clube que necessitava de reformulação e que mudou de técnico constantemente nos últimos três anos. Virou um tiro na água. Tanto é que, na atual temporada, esteve em campo apenas seis vezes. Massimiliano Allegri não contava mais com ele e o caminho seria buscar um novo destino.

As portas para Ramsey nos maiores clubes da Europa pareciam fechadas, pela falta de serviços prestados na Juventus, por mais que ele continuasse rendendo bem com Gales. Clubes médios da Premier League, ainda assim, pareciam confiar na sua contratação. Mas por que não vestir a camisa de um gigante como o Rangers e experimentar um nível competitivo mais baixo na Escócia, mas com a chance de protagonizar feitos grandiosos? Foi uma escolha totalmente plausível, em que levou em conta mais as perspectivas esportivas do que propriamente o dinheiro oferecido pelos ingleses. Se recuperar sua forma, Ramsey por reinar no Campeonato Escocês. Também terá a oportunidade de seguir na vitrine internacional, com a campanha dos Teddy Bears pela Liga Europa.

Aos 31 anos, dificilmente Ramsey se colocará de novo num clube que sonha com o título da Champions League. Seguir para o Rangers é uma boa decisão entre as possibilidades, seja pelo nível de jogo que disputará, seja pela nova forma como poderá escrever seu nome. No futuro, o grande momento da carreira de Ramsey a ser lembrado é a campanha até as semifinais da Euro 2016 com Gales. Valorizar-se também com a camisa de um clube tão tradicional pode entrar nessa conta. E, em termos de experiência, Ramsey representará bastante ao elenco essencialmente jovem dirigido por Gio van Bronckhorst em Ibrox.

Van Bronckhorst, aliás, não escondeu a satisfação por levar Ramsey: “Estou absolutamente satisfeito por termos conseguido contratar um jogador da qualidade, da experiência e da liderança de Aaron. Assim que discutimos a possibilidade de trazê-lo, eu estava realmente ansioso para que tentássemos de tudo pelo acordo. Um grande crédito deve ser dado à diretoria pelo trabalho”.

Ramsey foi a quarta contratação do Rangers na janela de inverno. De resto, o clube apostou em jovens. O principal nome foi o ponta Amad Diallo, do Manchester United, emprestado para ocupar a lacuna do lesionado Ianis Hagi. Também chegaram o zagueiro James Sands (New York City) e o lateral Mateusz Zukowski (Lechia Gdansk). A principal venda foi do lateral Nathan Patterson, negociado com o Everton. Ainda saiu o veterano Jeremain Defoe, que encerrou o seu contrato com os Teddy Bears.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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