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Quais os feitos os quadrifinalistas da Liga Europa e da Conference podem almejar com uma grande campanha

Com o início das quartas de final nos dois torneios, olhamos as perspectivas históricas que as campanhas podem representar

A quinta-feira é um dia ainda mais repleto ao redor da Europa na atual temporada. A Liga Europa ganhou peso com a mudança de regulamento recente e apresenta um nível claramente superior. Há também a adição da Conference, que permite a mais times e, importante, a mais países sonharem com um troféu continental. As quartas de final se abrirão com uma série de equipes que já fazem campanhas históricas para os seus parâmetros. E o que cada quadrifinalista pode almejar em termos de feitos? Olhando para o passado de cada clube ou de cada liga nos torneios continentais, falamos um pouco das marcas que podem ser alcançadas e quebradas com desempenhos ainda melhores nesta reta final. Confira:

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West Ham: Primeira semifinal europeia em 46 anos

O West Ham é um clube cujos grandes feitos se concentram nas copas. E os Hammers também construiriam uma grande história continental através da extinta Recopa. Foram os campeões em 1964/65, com a base de craques que auxiliou a Inglaterra a ser campeã do mundo no ano seguinte e que seria semifinalista do mesmo torneio de clubes também em 1965/66. Já em 1975/76, os londrinos perderam a decisão da Recopa para o Anderlecht com outra geração de ídolos em Upton Park. O time atual de David Moyes já consegue reviver essa história, com a caminhada até as quartas de final, no melhor desempenho europeu do time em 41 anos. Mas há margem para reconectar ainda mais o passado glorioso vivido pela agremiação.

Lyon: A decisão continental que tanto escapa

Pela representatividade que o Lyon adquiriu no futebol francês durante este século, até demora para que o clube alcance uma decisão continental. O feito seria inédito. Quando emendavam seu heptacampeonato na Ligue 1, os Gones costumavam ser considerados como candidatos até mesmo ao troféu da Champions. Todavia, a expectativa nunca se cumpriu. O clube participou ininterruptamente das competições europeias de 1997/98 a 2019/20, com direito a duas semifinais de Champions e uma de Liga Europa no período. Nunca foram além. Ainda há uma longínqua semifinal de Recopa Europeia em 1963/64. Se a sequência de participações acabou quebrada no último ano, o retorno à Liga Europa nesta temporada traz um Lyon (ao menos no torneio) com futebol de candidato ao troféu.

Eintracht Frankfurt: A terceira final europeia

O Eintracht Frankfurt está entre os clubes alemães com mais feitos europeus. Foi importante a campanha recente até a semifinal da Liga Europa em 2018/19, quando as Águias eliminaram Shakhtar, Internazionale e Benfica, até a queda nos pênaltis para o Chelsea. Mesmo assim, uma decisão seria até mais condizente com o passado da SGE. Famoso pelo copeirismo no país, o Frankfurt levou a Copa da Uefa em 1979/80, quando bateu Bayern de Munique e Borussia Mönchengladbach na reta final. Também seria o vice na mítica decisão da Champions de 1959/60, que selou o penta do Real Madrid. Ainda teve outras duas semifinais, na Copa das Cidades com Feiras de 1966/67 e na Recopa de 1975/76. Considerando como muitas vezes os alemães têm dificuldades nos torneios secundários da Uefa, essas boas campanhas recentes das Águias são exemplares.

Barcelona: O título que falta

Nenhum torcedor queria ver o Barcelona na Liga Europa, sejamos francos. Os blaugranas pertenceram à Champions durante quase duas décadas e não disputavam o torneio secundário desde 2003/04. Foi neste intervalo, além do mais, que os catalães construíram realmente sua reputação com a Orelhuda em mãos. Mas, com a queda precoce na LC, o que resta é não deixar a oportunidade passar no segundo nível do futebol europeu. Pela bola apresentada do time de Xavi, é o favorito nesta reta final. E pode preencher uma lacuna, com um troféu inédito. Além das cinco Champions, o Barça também possui quatro troféus da Recopa e três da antiga Copa das Cidades com Feiras. Desde que a Uefa assumiu esta última competição e a transformou em Copa da Uefa, porém, só frustrações. São quatro eliminações nas semifinais e outras duas nas quartas de final em participações passadas.

RB Leipzig: O nono alemão a vencer um torneio continental

Se o RB Leipzig alcançar a semifinal da Liga Europa, mas não passar disso, a semifinal da Champions de 2019/20 continua como um feito maior. Além disso, seguirá à sombra do Red Bull Salzburg, vice do torneio secundário. O objetivo dos Touros Vermelhos é mesmo mirar a taça, que representaria um troféu inédito à agremiação e também a entrada no seleto rol de clubes alemães campeões continentais. Apenas oito times possuem tal feito. A primeira prateleira é composta por Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Hamburgo, os únicos que levaram a Champions. Borussia Mönchengladbach, Schalke 04, Eintracht Frankfurt e Bayer Leverkusen ganharam Copa da Uefa – assim como o próprio Bayern. E a lista de campeões da Recopa, além de incluir os três vencedores da Champions, ainda adiciona Werder Bremen e Magdeburgo. Um troféu faria o Leipzig passar à frente de muito clube tradicional que, no máximo, foi vice – como Colônia e Stuttgart.

Atalanta: Repetir a semifinal depois de 34 anos

A Atalanta vive seu momento mais importante na Serie A, disso não há discussão. O time de Gian Piero Gasperini se estabeleceu nas primeiras posições na tabela e emendou classificações continentais. A Dea também registrou seu maior feito na Champions com as quartas de final de 2019/20. Porém, há barreiras a se superar nos torneios secundários. Durante os abastados anos 1980 e 1990 no Calcio, mesmo que os Orobici fossem um time de meio de tabela normalmente, foram semifinalistas da Recopa em 1987/88 (temporada em que ganharam a vaga pelo vice na Coppa, mas jogavam a Serie B) e também quadrifinalistas na Copa da Uefa de 1990/91. Levando em conta as distâncias no atual Campeonato Italiano, o objetivo nesta reta final de temporada é o europeu.

Braga: Voltar à semifinal após 11 anos

O Braga permanece firme como principal força do Campeonato Português além do trio de ferro neste século, o que já representa bastante. Os Arsenalistas se meteram duas vezes na Champions League, embora o costume esteja nas boas campanhas pela Liga Europa. E, até pensando em termos de ranking para o país, chegar longe na competição é importante. Essa será a terceira vez dos Minhotos nas quartas de final, a primeira em seis anos. De qualquer forma, o parâmetro continua sendo a decisão alcançada em 2010/11, quando os bracarenses desbancaram o Benfica na semifinal e perderam o troféu para o Porto.

Rangers: Tentar o título que escapou há 14 anos

O Rangers costuma ser ofuscado pelo Celtic em termos continentais, por causa da Champions de 1966/67 que os rivais conquistaram. Mas os Teddy Bears também possuem vários orgulhos além das fronteiras. Foram campeões da Recopa em 1971/72, além dos vices na competição em 1960/61 e 1966/67. Já na Copa da Uefa, aconteceu a decisão europeia mais recente. E aquele vice para o Zenit, em 2007/08, é praticamente uma fronteira antes da bancarrota dos Gers e da reconstrução a partir da quarta divisão. Obviamente, o passo a passo é importante neste momento de restabelecimento, mas uma nova decisão seria bastante representativa. Também seria uma bela homenagem a Walter Smith, técnico lendário que conduziu aquele time e faleceu recentemente.

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PSV: Primeira semifinal continental em 17 anos

O PSV tem o troféu da Champions em sua estante, com a pragmática campanha conduzida por Guus Hiddink em 1987/88. Também possui o título da Copa da Uefa de 1977/78, em tempos de afirmação continental com outras boas campanhas nos demais torneios. E, em páginas não tão amareladas, um orgulho mais recente é a caminhada até a semifinal da Champions de 2004/05. Considerando o que o Ajax tem feito além das fronteiras, tentar equiparar tal sucesso seria importante. E, para a própria tradição dos Boeren, voltar a uma semifinal depois de 17 anos já uniria gerações. O futebol apresentado nesse momento é bom.

Leicester City: Superar sua melhor campanha continental

Não há título continental que supere a história do Leicester campeão da Premier League em 2015/16. Mas, se a campanha até as quartas de final em 2016/17 serviu de apêndice à façanha, o desempenho na Conference pode valer um novo livro às Raposas, junto com o bom trabalho de Brendan Rodgers e também a conquista inédita da Copa da Inglaterra na temporada passada. Não é que o time venha se dando tão bem além das fronteiras, com as eliminações relativamente precoces na Liga Europa passada e na atual. Porém, a Conference é caminho até mais aberto e, diante das faltas de ambições domésticas nesse momento, é onde as forças se concentram.

Roma: Primeira final continental em 31 anos

Ver a Roma chegando longe nas competições continentais virou até costume nas últimas temporadas, apesar do histórico de decepções. A Loba foi semifinalista da Champions e da Liga Europa nos últimos quatro anos. Falta reavivar um pouco mais o peso continental do clube, com uma final que escapa há 31 anos. Os romanistas têm um título da Copa das Cidades com Feiras em 1960/61 e também o vice da Champions dentro de casa em 1983/84. A decisão mais recente é a da Copa da Uefa de 1990/91, perdida para a Internazionale. Nestas mais de três décadas, a importância dos giallorossi dentro da Serie A pede mais nos torneios continentais. E o embalo do time nestas últimas semanas favorece.

Bodo/Glimt: Primeiro semifinalista norueguês

O Bodo/Glimt já está na primeira prateleira do futebol norueguês em relação às competições da Uefa. As melhores campanhas pararam nas quartas de final, e o Raio é o quinto clube a fazer isso. O pioneiro foi o Lyn, que perdeu para o Barcelona na Recopa de 1968/69. Já o período mais prolífico ocorreu nos anos 1990. Potência nacional na época, o Rosenborg se colocou entre os oito melhores da Champions em 1996/97, derrotado pela Juventus. Também em 1996/97, o Brann sucumbiu ante o Liverpool na Recopa. Já em 1998/99, o Chelsea deixou o Valerenga pelo caminho na última edição da Recopa. Até pelo retrospecto contra a Roma na fase de grupos, a missão dos aurinegros é palpável.

Feyenoord: Repetir o feito de 20 anos atrás

O Feyenoord possui sete semifinais continentais em seu passado. Tem como maior orgulho a conquista da Champions de 1969/70, pioneira entre os clubes holandeses, e aquele período áureo também rendeu a primeira Copa da Uefa para o país em 1973/74. As gerações mais jovens, porém, se apegam mesmo à reconquista da Copa da Uefa em 2001/02. Foi exatamente a semifinal mais recente ao clube de Roterdã, com o extra de vencer a final diante do Borussia Dortmund dentro do próprio Estádio De Kuip. A esta altura, depois de tanto tempo sem aparecer nem nas quartas de final, qualquer novo passo é lucro. Mas há um parâmetro para se sonhar.

Slavia Praga: Segundo tcheco numa semifinal

O Slavia Praga virou figurinha carimbada nas competições continentais durante os últimos anos. Esta será a terceira aparição dos alvirrubros nas quartas de final durante os últimos quatro anos, com as anteriores registradas na Liga Europa. Uma fronteira um pouco mais distante é a da semifinal da Copa da Uefa de 1995/96, em momento importante do clube. Aquela, aliás, foi a única vez que um clube da República Tcheca pós-separação conseguiu se colocar entre os quatro primeiros de um torneio europeu. Todas as outras aconteceram ainda sob a bandeira da antiga Tchecoslováquia. Aquela também é a melhor campanha do Slavia, mesmo contando sua história prévia.

Olympique de Marseille: Superar as três finais perdidas

O Olympique de Marseille é o único clube francês que pode encher a boca para dizer que conquistou a Champions. O problema é a vida dos celestes em outros torneios, mais especificamente na Liga Europa, que guarda um alto número de decepções. Os marselheses disputaram três finais do torneio nos últimos 23 anos. Em todas elas, acabaram com o vice. Perderam em 1999 para o Parma, em 2004 para o Valencia e em 2018 para o Atlético de Madrid. A Conference abre uma porta diferente, mas sem dúvidas seria importante à grandeza do OM e ao próprio futebol francês – além de alimentar a rivalidade com o PSG.

PAOK: Melhor campanha de um grego no século

Aconteça o que acontecer, esta já é a melhor campanha do PAOK nas copas europeias. As Águias de Duas Cabeças igualam as quartas de final da Recopa Europeia de 1973/74, quando perderam para o Milan. Um passo a mais para os tessalonicenses também seria fantástico ao futebol grego como um todo. A última semifinal de um clube do país aconteceu em 1995/96, com o Panathinaikos na Champions. Neste século, as únicas aparições entre os oito melhores foram do próprio Panathinaikos – na Champions 2001/02 e na Copa da Uefa 2002/03. Curiosamente, o Olympiacos nunca passou das quartas de um torneio europeu em sua história e sequer chega até lá desde 1998/99. Fazer algo que o maior vencedor do país nunca conseguiu seria um elemento para os alvinegros na rixa que existe entre os dois.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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