Por que não há favorito em Bayern x Juventus
Às vésperas de um dos duelos mais interessantes pelas quartas de final da Liga dos Campeões entre Bayern x Juventus, uma discussão se faz necessária: será mesmo que os alemães são tão favoritos assim para avançar na competição?
Quase campeões da Bundesliga, os bávaros claramente já ligaram o piloto automático no campeonato nacional. Com 20 pontos de vantagem sobre o Borussia Dortmund, o Bayern por pouco não levou a salva de prata já neste sábado ao golear o Hamburg por 9 a 2 em casa. O desinteresse na maioria dos compromissos pode ser perigoso caso Jupp Heynckes não deixe claro qual é o real objetivo desta temporada.
Com duas derrotas em decisões da LC nos últimos três anos, é hora de fazer valer a superioridade e o alto nível técnico mostrados. Dono de uma das melhores defesas europeias, o Bayern poderia muito bem chegar a um recorde, mas tirou o pé e levou sete gols nos seus últimos quatro jogos.
O padrão ofensivo continua o mesmo. A troca de passes, a objetividade e o alto número de finalizações ainda estão lá. Mandzukic segue fazendo muitos gols e a aproximação dos meias como Ribéry, Robben, Kroos e Schweinsteiger é parte vital na construção das ofensivas. Os nove gols diante do Hamburg são o recado de que o Bayern vem afiado para enfrentar os italianos.
Teoricamente, nesta Liga dos Campeões o Bayern só passou aperto (decidindo vaga) no segundo jogo contra o Arsenal. Com o agregado e a moral a seu favor, os alemães levaram 2 a 0 e se classificaram com o famigerado gol fora. Mais cinco minutos e os Gunners poderiam ter complicado tudo. Sonolento e relaxado, o time de Heynckes não fez sombra à força apresentada em Londres, quando o 3 a 1 saiu com facilidade.
Na prática, a consciência e o poder de decisão são as armas que o Bayern tem à disposição. E por estar sempre em grandes partidas, talvez não haja tanta tensão. Coisa que a Juve certamente sente falta.
Juventus: Consciência tática e ausência de jogos decisivos na Europa
Desde 2008/09 a Juventus não encara uma partida de mata-mata na Liga dos Campeões. Derrotada pelo Chelsea, que avançou até as semifinais, a equipe italiana sente o peso de estar sem a vivência europeia. As más campanhas nacionais até a última temporada tiraram a Velha senhora do mapa dos principais clubes do continente. O que pode preocupar neste encontro com o Bayern é justamente este tempo sem ser protagonista ou sequer coadjuvante.
Campeões italianos com muito mérito, os bianconeri chegaram nesta edição da LC e passaram em primeiro na chave com Shakhtar e Chelsea como concorrentes. Peitando os ingleses, atuais campeões e fazendo grandes jogos diante dos ucranianos, a Juve não se contentou e demoliu o Celtic em Glasgow, nas oitavas de final.
Pirlo coordena um dos melhores setores de meio campo no futebol atual. Volante e armador clássico, o camisa 21 ainda conta com assistentes que sabem chutar muito bem e fazer bom uso da velocidade, como Marchisio e Vidal. Giovinco fecha o quarteto com sua habilidade e boa chegada na grande área.
Importante ressaltar também a consciência tática dos pupilos de Antonio Conte. Dificilmente a Juventus comete erros infantis de marcação ou precipitação nas suas ofensivas, mas sofre quando enfrenta alguém que concentra suas forças no ataque. É a velha máxima de quem está acostumado a controlar e não sabe lidar com o outro lado da moeda. Apesar da ausência internacional nos últimos anos, o preparo mental e físico bianconeri pode ser um fator que equilibra a balança dos pontos positivos e negativos.
Se em seus domínios a formação italiana consegue imprimir um ritmo de jogo que intimida os rivais, fora de casa o panorama não muda muito. Um exemplo claro foi a partida diante do Celtic, em Glasgow. Enquanto o Barcelona tinha 80% de posse contra os escoceses, sofria uma derrota por 2 a 1. Na ocasião que a Juve foi visitar os Hoops, a tendência era de muita pressão e finalizações ao gol de Buffon. Decidida e eficiente, a Velha senhora terminou o confronto com 3 a 0 de forma cirúrgica, trabalhando nas falhas do sistema defensivo oponente, especialmente Efe Ambrose, em péssima noite.
Acima de tudo, Bayern e Juventus são rivais muito parecidos. Se compararmos setor a setor, talvez os alemães levem vantagem no ataque e na defesa, mas a margem é muito pequena. Não à toa este é o duelo mais esperado desta fase de quartas de final da Liga dos Campeões. Tudo indica que teremos equilíbrio total hoje na Allianz Arena. Fugindo do roteiro, vantagem de um gol para os bávaros, no máximo. Na volta, em Turim, ninguém é de ninguém.



