Europa

Política, futebol e violência

O show de horrores protagonizado por torcedores sérvios em Gênova, onde a seleção sérvia visitava os italianos para uma partida pelas eliminatórias do Euro 2012, chamou mais uma vez a atenção da mídia aos problemas do país e de seus hooligans.

Há várias correntes que tentam explicar a violência. Uma delas cita os Ultra Boys, torcedores radicais do Estrela Vermelha, que usaram a partida em Gênova para protestar contra o goleiro Vladimir Stoijkovic, que foi revelado pelo Estrela Vermelha, mas agora atua pelo maior rival, o Partizan. Outros estariam protestando contra Tomislav Karadzic, presidente da Federação Sérvia de Futebol.

As duas versões foram ligadas ao líder dos protestos, Ivan Bogdanov, que foi detido, levado de volta a Belgrado e preso. A situação é grave a ponto das autoridades sérvias quererem que os grupos de hooligans sejam tratados da mesma forma que entidades de crime organizado, especialmente grupos como os já citados Ultra Boys, o Alcatraz e os “Headhunters”. De acordo com o ministro do interior sérvio, Ivica Dacic, muitos dos hooligans já identificados têm passagens pela polícia e estão sendo identificados.

Em geral, os hooligans sérvios são jovens que cresceram sob o regime pós-guerra civil de Slobodan Milosevic, que foi retirado do poder em 2000, mas ainda assim, o país ainda vive um cenário de pobreza, desemprego e futuro incerto, especialmente devido às relações do país com a região do Kosovo e com os tribunais internacionais de Haia. Essas questões impedem qualquer tentativa da Sérvia de entrar na União Europeia.

Junte tudo isso com a própria rivalidade do futebol, e temos em todos os clássicos entre Estrela Vermelha e Partizan, cujos estádios ficam bastante próximos na capital Belgrado, confronto dos torcedores e destes com a polícia, destruição dos estádios e, eventualmente, morte de torcedores. O francês Brice Taton, torcedor do Toulouse, morreu em setembro de 2009, após doze dias de internação, depois de ter sido espancado por torcedores do Partizan, que enfrentou o time francês pela Liga Europa da temporada passada.

As autoridades sérvias, além de terem que lidar com os vândalos que foram a Gênova, tiveram que encarar os mesmos grupos de extrema direira na Parada Gay em Belgrado, no último dia 10 de outubro, e terão um enorme trabalho neste sábado 23, no primeiro clássico entre Partizan e Estrela Vermelha da atual temporada. A diretoria do Estrela Vermelha, como maneira de reduzir eventuais estragos, mandou retirar de seu estádio as cadeiras dos setores ocupados pelos setores mais radicais das duas torcidas.

No próximo dia 28, a UEFA define a punição para a Sérvia para os incidentes em Gênova. Muitos apostam que a entidade máxima do futebol europeu dará vitória aos italianos por 3 a 0, enquanto os mais pessimistas falam que a seleção pode ser desclassificada das eliminatórias para o Euro 2012, e eventualmente até receber uma punição maior. Por outro lado, a Federação Sérvia quer que a partida seja realizada novamente.

Croácia: a velha rivalidade de volta

Após cinco títulos seguidos do Dinamo Zagreb, a temporada 2010-2011 da Prva HNL parece ter de volta uma velha rivalidade. O Hajduk Split, que passou os últimos anos em crise e fazendo temporadas abaixo da média, parece ter disposição para brigar pelo título com o rival até as últimas rodadas. Na atual classificação do torneio, após onze rodadas o Dinamo tem 26 pontos, um a mais que o Hajduk. E no primeiro confronto direto entre os dois, chamado de Dérbi Eterno, empate em 1 a 1, em Split.

O Dinamo tem em seu elenco uma mescla de croatas veteranos, como Igor Biscan e Ante Rukavina, com estrangeiros também rodados, como os argentino Leandro Cufré, ex-Roma, e Luis Ibañez, ex-Boca Juniores, e com os brasileiros Etto e Sammir, já há bastante tempo no clube, e Dodô, atacante que chegou ao futebol croata indicado pelo compatriota Eduardo da Silva, naturalizado croata que atualmente joga no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.

Já o elenco do Hajduk é quase todo formado por mão de obra local, à exceção do meia bósnio Senijad Ibricic.

E os dois rivais estão na fase de grupos da Liga Europa. O Dinamo tem quatro pontos em três partidas no grupo D: empatou em casa sem gols contra o Club Brugge, da Bélgica, e venceu os espanhois do Villarreal por 2 a 0. Fora de casa, perdeu, em Tessalônica, para os gregos do PAOK por 1 a 0. Já o Hajduk é o lanterna do grupo G, com três pontos, perdendo no saldo de gols e número de gols marcados para Anderlecht e AEK. O Hakduk venceu o Anderlecht por 1 a 0, e foi derrotado pelo AEK (3 a 1) e pelo Zenit São Petersburgo por 2 a 0.

Bulgária: outubro de baixas

Mal começou e a A PFG já teve quatro baixas entre os treinadores. O primeiro a demitir foi o Litex Lovech, que trocou o interino Petko Petkov pelo ex-atacante da seleção Luboslav Penev. Logo em seguida, o Minyor Pernik trocou Anton Velkov por Stoycho Stoev. E o Kaliakra trocou Filip Filipov por Anton Zdravkov.

A última das baixas veio no último dia 21 de outubro. Devido aos maus resultados no campeonato – é apenas o nono colocado – e na Liga Europa, o CSKA Sofia despachou o macedônio Gjore Jovanovski e por enquanto está com o interino Sasho Borisov.

O campeonato é liderado pelo Levski, com 25 pontos em dez partidas, seguido por Litex Lovech e Chernomorets Burgas, ambos com 22. O CSKA, como citado anteriormente, é apenas o nono colocado, com treze pontos.

República Tcheca: surpresa na liderança

Após doze rodadas, a Gambrinus Liga tem um surpreendente líder: o Viktoria Plzen, que tem 34 pontos, dez a mais que o Teplice, que tem uma partida a mais. Na terceira colocação, seguem empatados Sigma Olomouc e Sparta Praga, ambos com 22 pontos.

O principal nome do Viktoria é o veterano meia Pavel Horvath. Aos 35 anos, o meia começou sua carreira no Sparta Praga, e jogou no Jablonec, no Slavia Praga, nos portugueses do Sporting, nos turcos do Galatasaray e até no futebol japonês, onde defendeu o Vissel Kobe. Desde 2008 está no Viktoria.

Bósnia-Herzegovina: Borac na liderança

Após dez rodadas disputadas, o Borac lidera o campeonato bósnio, com 23 pontos, três a mais que o Sarajevo, segundo colocado. O Zeljeznicar e o Siroki Brijeg estão empatados com 18 pontos na terceira colocação.

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Equipe Trivela

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