Pênalti é cobrado cinco dias depois de ser marcado, e essa história não é inédita

Pelas eliminatórias da Eurocopa feminina Sub-19, a Inglaterra perdia por 2 a 1 para a Noruega, no sábado, quando teve um pênalti a seu favor aos 51 minutos do segundo tempo. Leah Williamson cobrou e anotou o gol, mas a invasão à área por parte de uma de suas companheiras anulou o tento. Em vez de repetir a cobrança, a árbitra alemã Marija Kurtes anotou tiro livre indireto para as norueguesas, revoltando as inglesas, que com o 2 a 1 não iriam para a Euro. E não é que cinco dias depois a Inglaterra teve sua segunda chance?
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A FA queixou-se com a Uefa pela decisão da árbitra e exigiu a realização dos 18 segundos finais novamente. Nesta quinta-feira, portanto, Inglaterra e Noruega retornaram ao Estádio Seaview, em Belfast, e retomaram o jogo justamente a partir do pênalti. Gol de Williamson, mais alguns segundos de bola rolando e fim de partida. Com o empate em 2 a 2, as inglesas se classificaram para a Eurocopa Sub-19. Por mais incrível e aparentemente inédita que possa parecer a situação, essa não foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu.
A regra diz que, em caso de invasão do time que cobra o pênalti, a cobrança deve ser repetida se houver gol. Se o invasor for do time que defende a penalidade máxima e houver gol, o tento é mantido. Se não há gol e os defensores invadem a área, a cobrança deve ser refeita.
Nas Eliminatórias da Ásia para a Copa do Mundo de 2006, Uzbequistão e Bahrein passaram por situação ainda mais extrema. A competição por vagas no continente era composta por dois pentagonais, e os terceiros colocados de cada chave se enfrentariam em uma repescagem para poder disputar o playoff contra o quarto colocado da Concacaf.Na partida de ida, vitória dos uzbeques por 1 a 0, mas não por muito tempo.
Um erro do árbitro japonês Toshimitsu Yoshida, idêntico ao de Kurtes, fez o Uzbequistão reclamar com a Fifa, que acabou ordenando que o jogo fosse feito novamente. No “replay” da partida, pior para a seleção uzbeque: empate em 1 a 1, seguido de uma derrota por 1 a 0 no jogo de volta. O Bahrein então avançou, mas acabou eliminado por Trinidad e Tobago, que entrou no grupo B da Copa de 2006, com Inglaterra, Suécia e Paraguai.
Talvez a Uefa tenha aprendido a partir do erro da entidade máxima do futebol. Se o erro foi cometido tão tarde no jogo, a segundos do fim, por que realizar toda a partida desde seu início? Sorte das inglesas que a decisão tomada possibilitou a classificação à competição. Ainda que seja uma pena que tenha vindo de fora das quatro linhas. Em primeiro lugar, devidamente treinada, a árbitra não cometeria o erro.
Confira a cobrança de Williamson que classificou a Inglaterra para a Euro Sub-19:



