Europa

Pela primeira vez na história

O que os campeonatos húngaro, romeno, tcheco e macedônico têm em comum? Primeiramente, eles fazem parte da coluna Leste Europeu na Trivela. Num segundo momento, e não menos importante, estas quatro ligas tiveram campeões inéditos na atual temporada de 2010/11. Os times que conseguiram a façanha são o Videoton na Hungria, o Otelul Galati na Romênia, o Viktoria Plzen na República Tcheca e o Skendija na Macedônia.

Esses quatro clubes também têm em comum não fazerem parte dos grandes centros futebolísticos de seus países, embora alguns sejam times tradicionais, como o Viktoria, já centenário.

O Videoton (70 anos de história) é da cidade de Székesfehérvár, localizada na região central da Hungria, a 65 km de Budapeste. O Otelul é da cidade de Galati, a sétima mais populosa do território romeno e fica perto da fronteira com a Moldávia. O Viktoria Plzen é de Plzen, quarto maior município da República Tcheca. No entanto, a cidade é mais conhecida por ser a sede da cerveja Pilsner Urquell, a primeira a produzir o tipo pilsen – Plzen traduzido do tcheco significa pilsen.

Já o Skendija é o mais novo destes campeões inéditos, com apenas 32 anos. Sua sede é na cidade de Tetovo, que tem 70% da população formada por albaneses. Os macedônios constituem apenas 23% da população de Tetovo. O Skendija inclusive é considerado o time dos albaneses na cidade. O Teteks, adversário local, tem sua torcida formada em sua maioria por macedônios, enquanto o Renova, campeão em 2009/10, tem uma mescla entre seus seguidores.

A conquista dessas quatro equipes, além do ineditismo, reflete uma possível mudança do eixo futebolístico, já que os times mais tradicionais – geralmente sediados nas capitais ou em cidades de maior população – estão perdendo força, sobretudo devido ao enfraquecimento do seu poderio econômico, e têm no atual momento que disputar espaço com equipes emergentes de outros centros.

Não significa que os chamados “grandes” desses países estão necessariamente em um processo incontornável de perda de soberania, mas é interessante notar que cada vez mais os chamados times “pequenos” estão conseguindo seu lugar, ainda que possa vir a ser algo esporádico e que demorará anos para se repetir nas histórias destas equipes.

Romênia

Desde 2007/08 o campeão não sai da capital Budapeste. Qual a relevância desse dado? Se levarmos em conta que entre as temporadas 1991/92 e 2006/07 todos os títulos ficaram com os times da capital, o peso deste jejum de quatro temporadas cresce bastante. No período de auge dos times de Bucareste, o Steaua ganhou nove Ligas, o Dinamo cinco e o Rapid outras duas.

Em 2007/08 e 2009/10, o campeão foi o Cluj da cidade de mesmo nome, a quarta maior do país. Em 2008/09 o título ficou com o Unirea, da cidade de Urziceni, de apenas 17 mil habitantes. É interessante notar que nas últimas quatro temporadas foram três campeões inéditos, sendo que o outro vencedor foi o Cluj, conquistando o bi na campanha passada.

No entanto o sucesso de equipes de centros menores e sem conquistas não significa que o processo que ocorre na Romênia (e em outros países também) será duradouro ou sem reviravoltas. A prova é o Unirea, que também foi vice em 2009/10, mesma temporada em que disputou a fase de grupos da Champions League, ficando a um ponto de avançar para as oitavas. Porém, na campanha atual ,o Unirea foi rebaixado para a segunda divisão romena depois do corte de investimento na equipe.

Hungria

Na Hungria, o enfraquecimento dos times mais tradicionais da capital Budapeste já está em curso há alguns anos, desde o fortalecimento do Debreceni, da cidade de Debrecen, a segunda maior do país. Dos últimos sete campeonatos, o Debreceni foi o vencedor de cinco. Antes desse período de hegemonia, o clube nunca havia conquistado a Liga Húngara. Vale destacar que o Debreceni possui 109 anos de história e antes de se tornar centenário no ano de 2002, só havia levantado um caneco: a Copa da Hungria em 98/99.

Na atual temporada, o domínio foi posto à prova, no entanto, não foi por nenhum dos grandes vencedores da Hungria, o MTK Budapest (23 troféus) e o Ferencvaros (28 troféus), e sim pelo modesto Videoton, que jamais havia conquistado um título de Liga.

O jejum do Ferencvaros vem desde a temporada 2003/04. Logo em seguida, o Debreceni engataria seu tricampeonato. Na temporada 2007/08, o MTK Budapeste conseguiu quebrar a sequência do time de Debrecen e ergueu seu último caneco, contudo o Debreceni venceria mais duas ligas nas campanhas seguintes.

O mau desempenho dos grandes também tem se estendido a Copa da Hungria. O Ferencvaros não ganha o torneio desde 2003/04, quando conseguiu seu último doblete, enquanto o MTK desde 1999/00. Por sinal, o campeão da atual edição do torneio nunca havia erguido uma taça: o Kecskeméti bateu o Videoton. O campeão é da cidade de Kecskeméti, a oitava maior da Hungria.

E como desgraça pouca é bobagem, o MTK Budapeste terá de disputar em 2011/12 a segunda divisão, já que terminou em 15º na atual edição entre os 16 competidores.

República Tcheca

Já na República Tcheca, o feito do Viktoria Plzen mostra o primeiro sinal de quebra da hierarquia dos papa-títulos no país. Sparta Praga e Slavia Praga, os maiores detentores de troféus, haviam levantado as últimas quatro taças, duas para cada equipe. Neste período dos quatro títulos dos times de Praga, em três oportunidades o vice-campeonato também ficou entre essas duas equipes. A exceção foi justamente na temporada passada, quando o Jablonec foi o segundo colocado. A equipe, aliás, nunca conquistou uma Liga. Foi fundada em 1945 e tem apenas uma Copa da República Tcheca (1997/98).

Se levarmos em consideração o retrospecto desde a criação da Liga Tcheca em 93/94, o feito do Plzen merece ainda mais destaque. Dos 18 títulos, apenas quatro não ficaram com a dupla (o Sparta levantou impressionantes 11 títulos). Os outros ganhadores, além do Plzen, foram o Slovan Liberec (2001/02 e 2005/06) e o Banik Ostrava (2003/04).

Macedônia

Na Macedônia, nos últimos cinco campeonatos foram cinco vencedores distintos. Em 2006/07, o tradicional Pobeda levantou o caneco, seu segundo desde o surgimento da Liga Macedônica em 92/93. Vale lembrar que o país se tornou independente da antiga Iugoslávia em 1991. Antes, o Pobeda havia sido campeão em 2003/04, mas é detentor de sete títulos da Liga da República Macedônica, disputada na época da antiga Iugoslávia entre 45 e 92, com a participação apenas de times macedônicos. O Pobeda é da cidade de Prilep, a quarta maior do país.

Em 2007/08, o vencedor foi o Rabotnicki, ganhador de três Ligas Macedônicas e de outras dez Ligas da República Macedônica. O Rabotnicki é da capital Skopjie. Em 2008/09 o título ficou com o tradicional Makedonija, outro time da capital e fundado em 1932. Antes o clube havia vencido apenas uma Liga da República Macedônica em 1991.

Em 2009/10, o título ficou com o Renova, time da mesma cidade do Skendija. O Renova também nunca havia levantado uma taça, seja nos moldes da atual liga, seja na época da antiga Iugoslávia. Portanto, já são dois títulos seguidos inéditos no país.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo