Pausa de inverno

Aquecimento global à parte, ainda faz frio – e muito – nos Alpes suíços e austríacos. Por isso, a pausa de inverno nos campeonatos locais é um pouco maior do que no restante da Europa. Após a rodada do último final de semana, a bola só volta a rolar oficialmente nos gramados alpinos na primeira semana de fevereiro, na Suíça, e somente no dia 21 do mesmo mês, na Áustria. Enquanto os jogadores descansam nas famosas estações de esqui, é hora de ver como foi a primeira metade da temporada 2008/09.
O homem do ano
Já foi tema desta coluna e continua sendo: em qualquer lugar que se fale da Bundesliga Austríaca, o nome que aparece é Marc Janko. O grandalhão de 1,96m fez nada menos que 30 gols em 20 jogos e sua transferência para um grande centro europeu é dada como certa em janeiro. O destino? Provavelmente Tottenham, Middelsbrough ou Blackburn. Mas o Ajax já ofereceu dez milhões de euros pelo atacante e o leilão promete ser intenso. Certo mesmo, só uma coisa: sua transferência deverá ser a mais cara da história do futebol austríaco.
Com tantos gols, não é surpresa que o Red Bull Salzburg lidere o campeonato com quatro pontos de vantagem para o vice-líder – e com um jogo a menos. E haja goleadas: Mattersburg, Kapfenberg e até o tradicional Áustria Viena foram alguns dos que sentiram a fúria do ataque dos touros.
Os números de Janko fazem a temporada excepcional de Stefan Maierhofer, do Rapid Viena, passar desapercebida. O atacante de 26 anos já marcou 19 gols e tem sido o principal responsável pelos atuais campeões continuarem no páreo. A eliminação logo de cara no qualifying e o mau início na liga colocaram o time sob suspeita, mas desde a vitória no clássico contra o Áustria, na sétima rodada, os verdes não abandonaram as primeiras posições.
Muito bem no campeonato e vivo na briga pelo caneco está o Sturm Graz, que engatou uma seqüência de sete vitórias em oito jogos e pode ficar a um ponto do Red Bull, caso vença o jogo adiado contra o Áustria Kärnten. Além dos gols do veterano Mario Haas, a presença do bósnio Samir Muratovic na linha de frente foi fundamental para a recuperação na tabela. O Áustria Viena tem a mesma pontuação, em um empate triplo na vice-liderança, e as performances do trio ofensivo formado por Acimovic, Bazina e Okotie são a garantia de que a equipe brigará até o final. Faltando quatorze rodadas, o campeonato ainda está totalmente aberto.
Na parte de baixo da tabela, o Altach de Zé Elias e Aílton reagiu, e agora está empatado com o Mattersburg de Carsten Jancker na briga contra o descenso. Queixada andou fazendo seus golzinhos e o time não aparece mais como único candidato ao rebaixamento. Quem está em crise é o LASK Linz, que perdeu nove partidas seguidas e está em uma zona morta, longe das vagas nas competições européias e da queda. Para um time que liderou na reta de largada e completa cem anos, o desempenho é decepcionante.
Fator Liga dos Campeões
Quem dissesse ao início da temporada que o Basel teria dificuldades e viraria a metade do campeonato longe da liderança seria chamado de louco. Mas o atual campeão tem dado mostras de que, afinal, não é tão poderoso assim. Passadas exatas 18 rodadas e terminados dois turnos, os Rotblau amargaram uma derrota vexatória para o Luzern por 5 a 1 – apenas a terceira vitória do lanterna até agora.
O principal motivo para a péssima campanha (ao menos para os padrões do clube) está no desempenho pífio na Liga dos Campeões: o pior dentre os 32 times da fase de grupos, com apenas um empate, dois gols marcados e dezesseis sofridos. Curiosamente, o único ponto ganho foi justamente no jogo que, em tese, seria o mais difícil. Jogando no Camp Nou, a equipe arrancou um empate diante de um Barcelona já classificado e com time misto.
Além do fator psicológico, também abalou o elenco o cansaço físico da maratona de jogos. Esta é, aliás, uma das principais críticas ao trabalho de Christian Gross: a preparação física não foi a ideal e os jogadores estariam cansados já no meio da temporada. A defesa titular, por exemplo, atuou em 16 dos 18 jogos da Super Liga e só descansou na Liga dos Campeões na última rodada. A falta de peças de reposição seria uma desculpa, não tivesse o clube um abastado cofre pronto para contratações.
Cofre que estava vazio no Zürich no início da temporada, o que obrigou o clube a voltar-se às categorias de base. O resultado é melhor que o esperado: a invencibilidade chega a 15 rodadas e o ataque é disparado o melhor da Super Liga. A dupla de ataque formada pelos franceses Alexandre Alphonse e Eric Hassli já fizeram junta 21 gols. Além deles, Almen Abdi, meia de 22 anos e cria das categorias de base do Züri, tem sido o principal jogador do campeonato e marcou outros nove, completando o trio dos principais artilheiros.
Mas apesar da emoção, o título deverá ficar mesmo entre os dois. O Young Boys sentiu demais a saída de Hakan Yakin e deve mesmo brigar pela segunda vaga na Copa da Uefa com o Grasshopper, que faz boa campanha apesar da crise financeira (destaque da última coluna). O Aarau, que começou muito bem, caiu de produção e não parece ter fôlego para acompanhar os dois.
Finalmente, a briga para fugir do rebaixamento promete ser acirrada. O Luzern parecia morto, mas após a goleada sobre o Basel, acendeu o alerta nos rivais e já está a apenas três pontos dos recém-promovidos Bellinzona e Vaduz. Nem mesmo Xamax e Sion, no meio da tabela, estão a salvo. Promessa de muita emoção quando a neve derreter e a bola voltar a rolar.
Confira os blogs deste colunista:
http://jornalismoesporteclube.blogspot.com
http://febremundialista.blogspot.com



