Europa

Paulo Henrique: “O Palmeiras não confiou no meu futebol”

Apesar dos escândalos recentes que abalaram a federação e boa parte dos clubes turcos, a Süper Lig ainda se mostra como reduto confiável para os jogadores brasileiros. Nem mesmo as incertezas que rondavam o início da temporada afastaram o atacante Paulo Henrique do Trabzonspor. Após superar uma séria lesão no joelho, o jogador de 22 anos tem recuperado seu espaço na Karadeniz Firtinasi. 

Revelado pelas categorias de base do Atlético Mineiro, o paraibano está desde 2007 no futebol europeu, levado pelo Heerenveen. Depois de fazer seu nome na Eredivisie, Paulo Henrique teve uma infeliz passagem pelo Palmeiras, vendido poucos meses depois ao Westerlo. A boa forma no clube belga chamou a atenção do Trabzonspor, que trouxe o brasileiro na condição de reforço de peso para a Liga dos Campeões 2011/12.

Em entrevista à Trivela, Paulo Henrique comentou a sua adaptação aos diferentes estilos de jogo que experimentou na Europa, bem como o retorno fugaz ao futebol brasileiro. O jogador também falou sobre a situação de reconstrução vivida pelos clubes turcos e sobre os objetivos de sua equipe para o restante da temporada.

– Você saiu ainda muito novo do Brasil para o futebol holandês. Quais as suas maiores dificuldades de adaptação ao estilo de jogo no país?
Saí muito jovem do Atlético Mineiro, com poucas partidas no time profissional. Foi muito difícil minha chegada. Fui sozinho para lá, tive problemas com o frio. Por causa do clima, fiquei doente por um bom tempo e tive até que operar as amígdalas. Além disso, o futebol lá é bastante diferente. No Brasil, estava acostumado a jogar no 4-4-2. Na Holanda, a maioria dos times jogam com três no ataque. Não achava a minha posição ideal, demorou um tempo para que eu me acostumasse.

– Após uma breve passagem pelo Palmeiras, você retornou à Europa para atuar pelo Westerlo. O que pesou para a sua saída do Palestra Itália? O que ficou desse retorno ao Brasil?
Não tive oportunidades no Palmeiras. Não depositaram confiança no meu futebol. Eu queria atuar pelo clube, mas não me deram a chance necessária. Essa situação me deixou muito chateado. Quando surgiu a proposta do Westerlo, preferi retornar para a Europa o quanto antes possível. Lá eu sabia que teria chances suficientes para fazer o meu nome de novo.

– Você chegou ao Trabzonspor em um momento delicado no futebol turco, com o estouro do caso de manipulação de resultados. Você pensou em deixar o país em algum momento?
Não sabia do que havia acontecido na semana em que cheguei ao clube. Mas logo começaram os comentários sobre a manipulação. Eu preferi deixar esse assunto de lado, focar no início do meu trabalho no clube. Logo rolou a oportunidade de disputar a fase de grupos da Liga dos Campeões, o que me motivou ainda mais. Pouco depois me machuquei e estou voltando agora, mas sigo tranquilo com a situação do time.

– Quais as maiores diferenças que você sentiu entre o futebol praticado em Holanda e Bélgica e o futebol da Turquia?
O esquema aqui é parecido com o que eu tinha no Heerenveen e no Westerlo, com três atacantes. Aprendi a jogar nas duas posições, tanto como ponta quanto como centroavante, então consegui conquistar meu espaço por rapidamente.

– Como é a sua relação com a torcida turca?
Quando cheguei aqui, não sabia de todo o fanatismo que existia. Quando desembarquei no país, umas mil pessoas foram me receber no aeroporto de Istambul, que é longe de Trebizonda, e fizeram uma grande festa comigo. “Caramba, aqui é bem pior que o Brasil”, pensei. Além disso, sou bastante assediado quando saio, é até difícil ir ao shopping. É preciso sempre estar de bom humor para tirar tantas fotos e dar autógrafos.

– Nos últimos dias, chegou a notícia da campanha do meio-campista Cristian, do Fenerbahçe, que manifestou sua vontade de retornar ao Brasil. Como você vê essa situação?
Conversamos um pouco quando eu enfrentei o Fenerbahçe, não tenho muito contato. Mas é uma opção que vai de cada pessoa. Ele é um grande jogador e sabe o que é melhor para ele.  Eu, particularmente, não seguiria pelo mesmo caminho, ainda mais depois da grande decepção que tive na última vez em que atuei no Brasil.

– O Trabzonspor teve um excelente início na Liga dos Campeões, mas perdeu a força na reta final da fase de grupos. Quais eram as expectativas da equipe na competição?
Não foi uma chave fácil a que tivemos. Quando entramos na Champions, falaram muito que a gente ia terminar na última colocação, que não íamos ganhar de ninguém, mas fomos lá e surpreendemos. No último jogo da fase de grupos, contra o Lille, nós buscamos o gol, mas acabamos eliminados pela vitória do CSKA Moscou no outro jogo. Agora vamos com tudo para a Liga Europa. O elenco está motivado e quer dar o seu melhor contra o PSV.

– Como você percebe o resultado das investigações sobre a manipulação de resultados? Após tantas reviravoltas nos últimos meses, acha que é possível esperar por punições severas?
Eu acho que, se tiraram o Fenerbahçe da disputa da Liga dos Campeões, também tinham que rebaixar o clube no Campeonato Turco. Se está certo que eles participaram do esquema, a melhor opção era o rebaixamento. Não tenho muito contato com a situação, ainda mais porque não falo turco. No clube mesmo, se comenta pouco sobre o assunto. Aqui no Trabzonspor, chegaram a afirmar que o presidente também fez parte da manipulação, mas não provaram nada. Ninguém aqui está preocupado por isso.

– Quais os objetivos do Trabzonspor para a segunda metade da temporada?
A gente perdeu muitos pontos em casa e também contra times medianos. Não queremos mais tropeçar nessas partidas, já que agora elas estão fazendo falta. Os próximos meses serão bastante decisivos. Primeiro, o plano é ficar entre os quatro primeiros no Campeonato Turco e classificar para os playoffs finais. A liga está bastante equilibrada e vamos com tudo em busca desse objetivo.

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