Europa

Paris: Kompany culpa os políticos e o descaso pelo avanço do terrorismo em Bruxelas

A segunda cidade mais citada nas repercussões dos atentados de Paris, que mataram 130 pessoas, foi Bruxelas. Uma célula belga que opera na capital belga está no centro das investigações sobre os responsáveis pelos atos de terror. Vincent Kompany a conhece muito bem. Nasceu e cresceu nela. E em uma excelente entrevista à CNN, deu ótimas declarações sobre as raízes do extremismo em Bruxelas e como os políticos têm que ser responsabilizados por isso.

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A entrevista inteira tem 22 minutos e pode ser vista no vídeo ao final do texto. Basta clicar no “cc” para pegar as legendas em inglês. Retiramos e traduzimos os melhores trechos de Kompany sobre terrorismo, que estão no começo da conversa com a jornalista.

“Algo dentro de mim acredita que era previsível, realmente previsível. Era inevitável. Porque eu só via políticos nos nossos bairros (periféricos) a cada seis anos, quando eles precisam pedir votos. Uma vez o outro, algo brotava do chão e alguém cortava um laço vermelho para dizer que havia feito aquilo para a comunidade. Mas eu nunca via uma preocupação real, uma vontade genuína de fazer parte daqueles bairros.

A razão de ter me machucado tanto é que os terroristas não são pessoas de uma facção religiosa, são pessoas que saíram dos trilhos e foram doutrinadas por outras. Acho que não podemos chamar os executores dos ataques de muçulmanos. Estamos dando muito crédito para eles, chamando-os pelo nome que querem ser chamados. Se alguma coisa, é o Estado Criminoso.

Lembro que uma coisa recorrente era algum sentimento de injustiça. As crianças tinham a chance de entrar em contato com diferentes culturas de outras áreas do país. Você naturalmente voltaria ao momento em que teria que tomar a decisão de ser radical ou se preferia deixar que o mundo continuasse existindo e participar dele de uma outra maneira. Se você não tiver esses gatilhos ao seu redor – e é o que acontece em muitos bairros de Bruxelas -, não vê os fatos para relacionar com aquilo que os políticos falam na televisão. Logo, quando toma a decisão, é tarde demais para voltar e você já está fazendo algo estúpido.

Tudo que ouvimos são declarações de guerras. Guerras contra quem? No final das contas, você está lutando apenas contra o seu próprio povo”.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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