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Os 50 anos de Enzo Scifo, o meia cerebral de quatro Copas e grandes gerações belgas

A atual seleção belga possui uma enorme badalação em seu entorno. E com seus motivos. No entanto, limitar a história dos Diabos Vermelhos é um tremendo erro. Até porque o futebol local já contou com outras gerações tão ou mais talentosas do que a atual. Na década de 1980, por exemplo, a Bélgica chegou a uma decisão de Eurocopa e a uma semifinal de Copa do Mundo. E, entre tantos nomes célebres, um começava a despontar: Vincenzo Scifo. O talentoso meia recebeu o prêmio de revelação do Mundial de 1986, onde eclodiria como futuro maestro da equipe nacional. Tornou-se um dos maiores símbolos da seleção, com quatro Copas no currículo e uma coleção de lances de craque. Ídolo que completa 50 anos nesta sexta-feira.

Dá até para dizer que Scifo ficou um pouco abaixo das expectativas que criou durante o início, mas não há como negar a carreira de respeito que construiu. O meia surgiu como um fenômeno no Anderlecht, estreando na equipe principal aos 17 anos. Conquistou três títulos nacionais em sua primeira passagem pelo clube, além de ter sido vice-campeão da Copa da Uefa. Ascensão que logo o levou à seleção principal. O garoto já era titular do time na Euro de 1984 e ganhou destaque na Copa de 1986, marcando dois gols na campanha. O suficiente para se colocar como um dos jogadores mais cobiçados do futebol europeu.

Em 1987, rumou à Internazionale, mas não se firmou como o esperado. Em seus clubes, rodou pela Ligue 1 e pela Serie A. Defendeu Bordeaux, Auxerre, Monaco (com o qual foi campeão francês) e Torino, vivendo os melhores momentos com os grenás. Ganhou a Copa da Itália em anos duríssimos no futebol local, além de liderar o Toro até a final da Copa da Uefa de 1992, em time que também contava com Marchegiani, Mussi, Lentini e Casagrande – além de Vieri no banco. Contudo, outra vez o craque acabou com o vice, derrotado pelo Ajax na final. Enquanto isso, Scifo se mantinha intocável na seleção. Referência dos Diabos Vermelhos quando sofriam uma gradual renovação, foi titular nos Mundiais de 1990, 1994 e 1998 – vestindo a camisa 10 nos dois primeiros e sendo capitão em alguns jogos. Só não repetiu o sucesso de 1986, sem ir além das oitavas de final.

Durante o final da carreira, Scifo ainda voltou ao Anderlecht, para ser campeão belga mais uma vez, além de defender o Charleroi. Pendurou as chuteiras com 84 partidas e 18 gols pela seleção, atualmente o quinto com mais participações. Além disso, chegou a aparecer entre os indicados à Bola de Ouro em quatro oportunidades – e em seu melhor ano, 1990, foi o sexto mais votado. Números que servem para ressaltar sua grande trajetória. E que, ainda assim, não conseguem dimensionar tão bem a sua grande qualidade técnica.

Scifo Copas

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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