Europa

O retorno emocional de Eriksen à seleção dinamarquesa só não foi perfeito por causa da Holanda

Vitória da Laranja ficou em segundo plano após gol de Eriksen, que saiu do banco para marcar

Se alguém dissesse, no natal de 2021, que Christian Eriksen voltaria à atividade por clube e seleção, poucos acreditariam. Recuperado e com acompanhamento ostensivo após ser ressuscitado em campo por conta de um problema cardíaco, o meia dinamarquês tornou a vestir a camisa da seleção menos de um ano depois, e com direito a gol no retorno. O resultado? Detalhe.

Classificados para a Copa do Mundo, os dois times entraram em campo sem peso algum para um amistoso em Amsterdã, na Arena Johan Cruyff. E nesse contexto, a Holanda não fez questão de ser uma anfitriã muito educada. Foi para o intervalo com 3 a 1 de vantagem, gols de Steven Bergwijn, Nathan Aké e Memphis Depay (Jannik Vestergaard fez o dos visitantes), estava esbanjando em uma atuação segura contra um adversário que fez campanha fantástica nas Eliminatórias.

A torcida holandesa gostou do que viu em volume de jogo, finalizações e presença ofensiva. O resultado era justo, e o segundo tempo serviria apenas para que se prestasse o devido respeito ao grande desempenho do time de Louis van Gaal, que diga-se, estava sendo cobrado para performar justamente dessa forma. Mas quando as equipes voltaram para os 45 minutos finais, a história mudou de foco.

Christian Eriksen, que está recuperando a forma com a camisa do Brentford, entrou em campo. Você lembra bem o que aconteceu da última vez em que ele esteve em campo pela Dinamarca, e quem viu ao vivo, não se esquece jamais. Por esse motivo, o amistoso em si não era mais o foco da noite. Aclamado pelo público, por uma mensagem no telão e por milhões de pessoas ao redor do mundo, Eriksen saboreou seu renascimento. E em menos de um minuto em campo, retribuiu o carinho: recebeu no meio da área e achou um belíssimo chute no alto da meta de Mark Flekken.

Quem não vibrou, precisa rever seus conceitos. Poderíamos falar também do quarto gol holandês, marcado por Bergwijn, que respondeu pela seleção à má fase que vive no Tottenham e ganha alguma confiança para o pós-Data Fifa, mas sinceramente, quem se importa? Eriksen voltou e o sonho de estar na Copa do Mundo não é mais apenas uma projeção otimista. É uma realidade.

Se foi 4 a 2, 5 a 1, 7 a 1 para os holandeses, pouco importa. A história estava toda com Eriksen em seu retorno e é isso que será lembrado hoje, não os gols marcados pela Holanda, que mereceu vencer. O protagonismo é de um homem que chocou o mundo e voltou para contar a história. Aquele que viveu um drama por dez minutos e quase foi aposentado para preservar sua saúde. Mas o mundo não é um lugar tão ruim assim, ao menos por hoje. A Dinamarca pode contar novamente com seu camisa 10 e isso é um alívio tremendo para qualquer fã de Eriksen, para qualquer fã de futebol.

Pergunte a qualquer atleta da Dinamarca se hoje haverá tristeza no vestiário com a derrota. A resposta deve ser uma só: jamais. Normalmente, amistosos não servem para muita coisa se não como testes, meras exibições de talento. A Holanda entrou para ganhar e conseguiu o que queria. A Dinamarca entrou para devolver a Eriksen o que a vida quase tirou dele em Copenhagen, no último verão europeu. E todos nós conseguimos o que queríamos, afinal. Bem vindo de volta, Christian.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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