Europa

O Olympiacos restabelece sua soberania no Campeonato Grego e já emenda o tri

Com Pedro Martins à frente da equipe desde 2018, o Olympiacos volta a dar as cartas com tranquilidade na Super League

O Campeonato Grego teve alguma alternância de campeões no final da última década. O AEK Atenas encerrou um jejum de 24 anos em 2017/18, antes que o PAOK voltasse a festejar a taça em 2018/19 e encerrasse seus 34 anos de espera. Aqueles tropeços do Olympiacos, todavia, serviam mais como uma exceção. Os alvirrubros atravessam a era mais vitoriosa de sua história desde a segunda metade da década de 1990 e não demorariam a restabelecer sua hegemonia. A reconstrução do clube de Pireu, aliás, volta a se provar com uma nova sequência de taças. Nesta quarta-feira, o Olympiacos comemorou o tricampeonato, acumulado desde 2020. São 47 títulos nacionais da agremiação, sendo 22 deles faturados nas últimas 26 edições da Super League.

O Olympiacos tem como grande trunfo, além da tradição e do tamanho de sua torcida, o poderio financeiro. A Thrylos é bancada por Evangelos Marinakis, empresário que também é dono do Nottingham Forest. Com um dos homens mais ricos da Grécia em seu apoio, os alvirrubros passaram ilesos pelas crises econômicas recentes do país e escaparam de instabilidades comuns aos seus principais concorrentes. Os cofres seguem cheios em Pireu e isso permite a montagem de elencos bem mais fortes, assim como a contratação de bons técnicos. Isso sem falar no favorecimento histórico que um dos clubes mais poderosos do país também recebe das arbitragens, em uma liga que não é exatamente conhecida por sua lisura.

Um diferencial do Olympiacos nesse momento é a continuidade no comando. Os alvirrubros são uma máquina de moer técnicos, mesmo com os títulos acumulados nas últimas décadas. Desde o início do século, 21 treinadores principais passaram pelo Estádio Karaiskakis, e isso sem contar os interinos. Os comandantes não costumam durar mais do que um ano e nenhum deles tinha somado 100 jogos à frente da equipe numa mesma passagem desde 2000. Até por isso, o português Pedro Martins representa uma quebra. O atual comandante da Thrylos está no cargo desde 2018 e supera as 200 aparições à beira do campo. Até perdeu o título para o PAOK em sua primeira temporada, mas seguiu em frente e trabalhou em todo o atual tricampeonato.

O Campeonato Grego atualmente adota um formato em que todos os participantes se enfrentam em dois turnos e os seis melhores na tabela participam de um hexagonal final, também em dois turnos. Nas duas temporadas anteriores, o Olympiacos terminou a fase de classificação com boa folga e disparou ainda mais na etapa final. Foi um pouco parecido com o que aconteceu na atual campanha. A Thrylos somou 65 pontos na fase inicial, 12 a mais que o PAOK, com apenas uma derrota em 26 partidas. A liderança foi preservada no hexagonal, apesar da segunda derrota na campanha. Os alvirrubros somam atualmente 76 pontos, 16 a mais que o PAOK, e não podem ser mais alcançados nas quatro rodadas finais.

O jogo do título aconteceu exatamente diante do PAOK, no Estádio Toumba. O Olympiacos conseguiu vencer em Salônica por 2 a 1. Os dois times vinham de encontros tensos, depois de se enfrentarem na semifinal da Copa da Grécia e os alvinegros se classificarem com dois empates. Membros dos alvirrubros fizeram afirmações discriminatórias sobre os tessalonicenses e a rivalidade escalou nos últimos dias. Dentro de campo, porém, o time de Pedro Martins cumpriu sua parte e buscou o resultado de virada. Thomas Murg marcou o primeiro do PAOK, mas Rony Lopes e Oleg Reabciuk deram o triunfo para o Olympiacos. Foi o suficiente para comemorar o título na casa dos rivais.

Pedro Martins merece elogios pelo trabalho em Pireu. O antigo técnico do Vitória de Guimarães tem contrato até 2024 e demonstra um controle sobre o Olympiacos que não é o padrão. Já em campo, a lista de destaques é ampla. A defesa contou com a segurança do goleiro Tomas Vaclik, assim como as contribuições de Sokratis Papastathopoulos e Kostas Manolas – ainda que o segundo tenha se lesionado. No meio, jovens como Mady Camara e Aguibou Camara demonstram potencial, em setor liderado por Yann M’Vila e pelo capitão Andreas Bouchalakis. Mais à frente, Mathieu Valbuena é outro símbolo recente do clube, mas sem tanta influência dessa vez. Youssef El Arabi, Georgios Masouras e Tiquinho Soares acabaram sendo fontes mais importantes de gols.

O desafio para o Olympiacos é conseguir se sair melhor nas competições continentais. Durante os últimos anos, apesar de algumas boas classificações na Liga Europa, o time se ausenta com mais frequência da fase de grupos da Champions. Na atual temporada, inclusive, o PAOK chegou às quartas de final da Conference – numa campanha mais longa do que qualquer outra dos alvirrubros nesse século. Falta garantir mais pontos no coeficiente, o que impacta numa queda dos gregos dentro do Ranking da Uefa. Não à toa, o Olympiacos começará sua empreitada na próxima Champions apenas na segunda fase preliminar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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