Europa

O Olympiacos restabelece sua hegemonia na Grécia e comemora o bicampeonato nacional

Depois de títulos recentes de AEK e PAOK, o Olympiacos retoma a dinastia que só perdeu quatro taças desde 1997

O Campeonato Grego atravessou um biênio de novidades recentemente. O AEK Atenas conquistou o título em 2017/18, após uma reconstrução a partir da terceirona, em decorrência de seus problemas financeiros. Na temporada seguinte, o PAOK recuperou o troféu depois de uma seca que durou 34 anos. Porém, desde a campanha passada, o Olympiacos voltou a reinar na Super League. Neste final de semana, os alvirrubros selaram o bicampeonato nacional. A taça foi garantida com uma antecedência de sete rodadas, exatamente no clássico contra o Panathinaikos. O triunfo por 3 a 1 motivou a festa em Pireu.

O Olympiacos fez uma campanha soberana nesta edição do Campeonato Grego. Durante as sete primeiras rodadas, a liderança permaneceu nas mãos do Aris, o maior rival do PAOK em Salônica e que também passou por um processo de reconstrução depois de falir. No entanto, não demorou para que os alvirrubros tomassem a dianteira e mantivessem a primeira colocação com uma caminhada segura. O Olympiacos fechou a temporada regular com 16 pontos de vantagem sobre o Aris, então segundo colocado. A confirmação do feito no hexagonal decisivo da Super League parecia mera formalidade.

O Olympiacos tinha vencido Aris e AEK Atenas (este, por 5 a 1, na maior goleada do clássico desde 1972) nas duas primeiras rodadas da fase final. Já neste domingo, aconteceu o dérbi contra o Panathinaikos no Estádio Karaiskakis. Os alviverdes até abriram o placar em Pireu, com a eterna promessa Federico Macheda. Porém, Ahmed Hassan anotou dois gols e liderou a virada dos alvirrubros. Já nos acréscimos, Bruma fechou o placar aos bicampeões. Neste momento, o Olympiacos sustenta uma vantagem de 22 pontos sobre o Aris e não pode ser mais alcançado nas sete rodadas finais do Campeonato Grego. Renova uma hegemonia imponente.

O domínio do Olympiacos nas últimas duas décadas e meia impressiona. Os alvirrubros só não conquistaram quatro títulos do Campeonato Grego desde a temporada 1996/97: o Panathinaikos levou a melhor em 2003/04 e 2009/10, enquanto AEK Atenas e PAOK reinaram no país de 2017/18 a 2018/19. Até por isso, o “longo jejum” de duas temporadas sem o troféu provocou uma renovação em Pireu e uma retomada dos investimentos pelo magnata Evangelos Marinakis, o dono do clube. Assim, a sequência recente do Olympiacos na Super League é avassaladora. Em 2018/19, na perseguição ao PAOK, os alvirrubros já tinham vencido as dez últimas rodadas. Em 2019/20, os campeões sofreram apenas uma derrota em 36 rodadas, com 28 vitórias e uma vantagem de 18 pontos. Já na atual edição da liga, os bicampeões perderam só uma das 29 partidas e acumulam 24 triunfos.

O atual elenco do Olympiacos conta com suas figurinhas carimbadas. O zagueiro Sokratis Papastathopoulos, o lateral José Holebas, o volante Yann M’Vila e o meia Mathieu Valbuena são alguns dos jogadores mais rodados. Entre os gregos mais jovens, Kostas Fortounis, Andreas Bouchalakis e Georgios Masouras são outras lideranças importantes. Além disso, os alvirrubros também contam com muitos jogadores estrangeiros, incluindo o goleiro José Sá, o zagueiro Rúben Semedo, o meio-campista Mady Camara, o ponta Bruma e o centroavante Youssef El Arabi. Os principais artilheiros são El Arabi e Hassan, responsáveis por 30 dos 73 gols anotados pela equipe. Fortounis e Masouras também contribuem bastante no apoio. De todos esses destaques, Fortounis é o único que chegou ao elenco antes de 2018, o que indica a renovação massiva ocorrida para retomar o topo.

Já o treinador do Olympiacos é o português Pedro Martins, reforçando a ligação do clube com os comandantes da Península Ibérica. Desde 2010, os alvirrubros tiveram quatro técnicos espanhóis e outros cinco lusitanos, em lista seleta que inclui nomes como Ernesto Valverde e Leonardo Jardim. Antigo comandante do Vitória de Guimarães, Martins é um dos grandes responsáveis por esse processo de renovação recente, trazido exatamente após o título perdido para o AEK Atenas em 2017/18. Mesmo com a derrota para o PAOK na temporada seguinte, o técnico ganhou um voto de confiança da diretoria e correspondeu com o bicampeonato da Super League desde então. Completando quase três anos em Pireu, é o treinador mais longevo do clube neste século, o que indica seu moral.

A conquista do Olympiacos garante o clube também na Liga dos Campeões, mas apenas na segunda fase preliminar. O desempenho pouco expressivo dos gregos nas copas europeias tem derrubado o país no Ranking da Uefa, com dez posições perdidas desde 2012, atualmente no 20° lugar geral. Os alvirrubros, ao menos, representaram bem a Super League nos torneios continentais durante a atual renovação. A equipe alcançou as oitavas de final da Liga Europa na edição passada e também na atual, eliminando o Arsenal em 2019/20 e quase cometendo o crime de novo diante dos Gunners em 2020/21.

A questão maior que fica é mesmo sobre quem desbancará o Olympiacos no Campeonato Grego num futuro próximo. Há 25 anos, os alvirrubros tinham 25 títulos, contra 18 do Panathinaikos e 11 do AEK. Enquanto os rivais atenienses só levaram mais três taças desde então, o Olympiacos chegou a 46 títulos neste domingo. Apesar das façanhas recentes, AEK e PAOK não indicam um projeto tão sustentável para bater de frente com o time de Pireu. Talvez o atual bicampeonato seja o indício de algo maior – a um clube que, apenas neste século, já contabilizou um hepta, um hexa e um penta em três diferentes momentos na liga.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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