Europa

O mosaico de “Round 6” não intimidou o Fener, que conquistou uma épica virada na casa do Galatasaray

O Fenerbahçe tinha dez homens e tomava pressão, mas conseguiu o gol da vitória aos 49 do segundo tempo, encerrando o jejum de quatro anos e meio no confronto

O seriado “Round 6” virou uma febre mundial nos últimos meses. E nem demorou para que ele ganhasse uma referência nas arquibancadas, num dos maiores clássicos do mundo, o Galatasaray x Fenerbahçe. A provocação inspirada na produção sul-coreana aconteceu na Türk Telekom Arena, casa do Galatasaray: a torcida dos Leões afirmou que “o jogador 1907” (data de fundação do Fenerbahçe) estava “eliminado”. Porém, a história em campo seria bem diferente. O Fener até começou perdendo, mas arrancou o empate com Mesut Özil e, mesmo depois de ter um jogador expulso, conseguiu a vitória de maneira épica, num momento em que tomava pressão. O gol aos 49 do segundo tempo permitiu que os Canários anotassem 2 a 1 no placar e pudessem brincar de “Batatinha Frita 1, 2, 3” sem muito medo. O troco veio no Twitter do clube, editando as cores do mosaico e dizendo que o “jogador 1905” (fundação do Galatasaray) é que estava fora do jogo. Foi a primeira vitória auriazul no dérbi desde abril de 2017, encerrando o pior jejum da equipe no confronto em quase 70 anos.

O Galatasaray começou melhor o dérbi e construiu a vantagem inicial rapidamente. Sofiane Feghouli já tinha forçado uma grande defesa do goleiro Berke Özer, até que o placar fosse inaugurado aos 16 minutos, quando a pressão se tornou crescente. Num ataque rápido, Kerem Aktürkoglu tabelou e apareceu na área sozinho para definir rasteiro. O Fenerbahçe se recuperou com o empate aos 31. Irfan Can Kahveci deu um lindo drible no campo de defesa e lançou com maestria, encontrando Özil em disparada. O armador partiu sozinho diante de Fernando Muslera e, com o goleiro ajoelhado, ficou fácil de bater no alto.

O segundo tempo começou aberto, com boas chances para os dois lados. O Galatasaray, mesmo assim, era mais perigoso. Özer faria outra grande defesa em chute colocado de Alexandru Cicaldau e parou Mbaye Diagne no mano a mano. No miolo da zaga auriazul, Kim Min-jae (por ironia do destino, um sul-coreano) ainda realizou alguns bloqueios vitais pelo Fenerbahçe. E o clima do dérbi pegaria fogo depois dos 35 minutos. Começou com a expulsão de Marcel Tisserand, aos 37, que tomou o segundo amarelo e deixou o Fener com dez homens. Logo depois, numa bola alçada na área, Diagne até marcou o segundo gol do Galatasaray. Porém, a arbitragem marcou um empurrão e anulou o tento, gerando revolta no banco dos Leões.

Tudo indicava que o Galatasaray poderia vencer, com um homem a mais, e outro lance claro surgiu aos 45, quando Aktürkoglu carimbou o pé da trave. Porém, aos 49, a virada do Fenerbahçe aconteceu. O zagueiro Marcão fez o corte parcial, mas a bola ficou com Diego Rossi, que percebeu Miguel Crespo passando livre. O português invadiu a área e bateu cruzado. Muslera ainda desviou a bola, que tocou na trave e entrou. Na comemoração, Crespo botou os dedos nos ouvidos, enquanto uma chuva de copos vinha das arquibancadas. Daqueles jogos que acabam entrando para os anais do dérbi, ainda mais depois de oito partidas consecutivas sem ganhar dos rivais. No fim, Muslera até foi para a área, mas os Canários comemoraram o triunfo feito um título.

A situação dos rivais na tabela nem é tão boa assim, já que o Trabzonspor lidera com 30 pontos. O Fenerbahçe, ao menos, se recuperou de uma série recente sem vitórias e aparece na quinta colocação, com 23 pontos. O Galatasaray é apenas o oitavo, com 21 pontos. Já o atual campeão Besiktas, que perdeu para o Alanyaspor neste sábado, tem somente 20 pontos.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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