Europa

O futuro está na juventude

Fernando Santos começou seu trabalho à frente da seleção grega de forma oscilante. O português chegou ao comando do time após o fim da “dinastia” de Otto Rehaggel, que desde 2001 era o técnico do time. Contudo, depois de uma bela vitória contra a Sérvia em amistoso disputado em Belgrado, o Navio Pirata empatou suas duas partidas válidas pelas Eliminatórias da Euro 2012.

Em sua estreia na seleção, o português decidiu não fazer grandes invencionices. Enquanto os sérvios colocaram vários jovens para iniciar a partida, os gregos vinham com os veteraníssimos Karagounis, Katsouranis e Salpingidis, dentre outros. Uma das poucas novidades, Michalis Sifakis, do Aris, deixou o titular durante a Copa do Mundo, Alexandros Tzorvas, no banco de reservas. Já Sotiris Ninis, Vasilis Torosidis e Nikolaos Spiropoulos, que assim como Sifakis foram reservas na África do Sul, começaram no 11 inicial.

Caras novas mesmo só começaram a aparecer a partir do segundo tempo. E mesmo assim, algumas nem tão novas, como o veterano Pantelis Kafes, campeão da Euro 2004 que retornou à seleção depois de um período ausente das convocações. Ao menos a partida serviu para marcar as estréias dos defensores Giannis Maniatis e Stergios Marinos e do meio-campista Giannis Papadopoulos, todos com menos de 23 anos de idade.

No primeiro jogo válido pelas Eliminatórias da Euro, no entanto, os novatos sumiram de vez. Theofanis Gekas voltou a jogar entre os titulares, com o jovem Sotiris Ninis retornando ao banco. E o time de “dinossauros” pouco fez contra a inexpressiva seleção da Geórgia, mesmo jogando em pleno Georgios Karaiskakis, em Pireu.

Logo nos momentos iniciais, o Navio Pirata começou pressionado, após sofrer um gol de Iashvili, que, aos três minutos de bola rolando, aproveitou bobeira da zaga para tocar por entre as pernas de Sifakis. Depois disso, posse de bola predominantemente grega, mas nenhuma chance de gol real além de chutes de longa distância. Somente ao 27 do segundo tempo é que o empate veio. Konstantinos Mitroglou, única novidade da noite e que havia acabado de entrar, arriscou de calcanhar e, no rebote, Spiropoulos balançou as redes.

Para a partida seguinte, percebendo o fracasso inicial, Fernando Santos promoveu mudanças. E justamente Spiropoulos foi quem saiu, dando lugar a Georgios Tzavellas, que fazia a sua segunda partida na seleção. Mais à frente, Tziolis reforçava o meio-de-campo com a saída de Gekas. As alterações melhoraram a postura defensiva grega, anulando quaisquer tentativas de infiltração dos croatas. O ataque, porém, manteve a ineficiência costumeira e o placar encerrou os 90 minutos ainda zerado.

São apenas três jogos, pouco para qualquer análise mais profunda, mas que já permitem as primeiras avaliações sobre o trabalho de Fernando Santos. Assim como na Copa do Mundo, o Navio Pirata continua envelhecido, principalmente do meio para a frente. O processo para encontrar novos nomes foi iniciado pelo próprio Rehaggel. O português, no entanto, terá trabalho duro de deixar de lado jogadores como Karagounis e Katsouranis, aquém do que já representaram para o time há alguns anos. Caso queira alterar um pouco as características da seleção, marcada pelo zelo defensivo, Santos precisa acelerar a renovação desde já.

Um bom criadouro de novos valores, aliás, vem do Campeonato Europeu Sub-21. A Grécia foi um dos destaques na primeira fase da competição, deixando para trás Inglaterra e Portugal para chegar à liderança do Grupo 9. Em oito partidas disputadas, os jovens sofreram apenas um revés.

Dentre os comandados por Georgios Georgiadis, que assumiu o time depois da saída de Nikos Nioplias para o Panathinaikos, alguns atletas começam a despontar. Giorgos Ioannidis e Elini Dimoutsos estiveram presentes também no vice-campeonato europeu sub-19 em 2007. Vasilios Koutsianikoulis, pré-convocado para a Copa do Mundo, ganhou destaque no próprio PAOK, ex-clube de Santos. E Kyriakos Papadopoulos, zagueiro de 18 anos que estreou na Super League quando tinha apenas 15, foi levado por 2 milhões de euros pelo Schalke, apesar das poucas partidas realizadas quando estava no Olympiacos.

Além destes, outros como Mitroglou, Ninis e Papastathopoulos, que já estão integrados ao elenco principal desde os últimos meses de Rehaggel, também fizeram boas partidas no torneio sub-21. E se o presente do Navio Pirata continua ainda com muitos dos medalhões que fizeram história em tempos passados, os seus substitutos começam a aparecer nas seleções mais jovens. Agora é esperar que a transição entre os diferentes quadros gregos seja bem feita.

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Equipe Trivela

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