O dia depois do clássico

Não poderia haver melhor forma de retornar da longa pausa de inverno: os campeonatos suíço e austríaco voltaram à ativa no último final de semana com dois clássicos valendo a liderança. E se o placar foi o mesmo, o saldo das equipes foi bastante diferente – enquanto uns se encaminharam para o título, outros voltaram à briga ou se distanciaram dela. Sinal de que a velha máxima do futebol que diz que em clássico não há favorito vale em qualquer canto do mundo.
Para o alto e avante
“Super Touros”. É assim que boa parte da imprensa austríaca chama o time do Red Bull Salzburg. Após a vitória contra o Rapid Viena, no sábado, na RB Arena, a equipe de Co Adriaanse abriu sete pontos para o atual campeão e virtualmente não vê adversários à altura de tirar-lhe o segundo título desde a mudança de nome, em 2005.
O Salzburg ainda não perdeu para o Rapid nesta temporada – foram duas vitórias em casa e um empate fora, exatamente os sete pontos que separam as duas equipes. Graças ao regulamento de quatro turnos, o quarto jogo acontece em Viena na 33ª rodada, mas até maio os Grün-Weißen ainda enfrentam outro dérbi da capital e podem até ser ultrapassados pelos rivais violetas ou pelo Sturm Graz. As três equipes estão empatadas com 42 pontos e os dois adversários diretos se enfrentariam neste final de semana, mas a partida foi adiada por causa do mau tempo.
O clássico deste domingo colocou frente a frente não só Janko e Maierhofer, os dois artilheiros do campeonato, mas também serviu para testar os goleiros. Helge Payer estreou nesta temporada pelo Rapid, após um longo tratamento de problemas no sangue. Do outro lado, o sueco Eddie Gustafsson debutou em substituição a Timo Ochs, contundido. Mas foi Payer quem mais teve trabalho no início do jogo. Logo de cara, o arqueiro teve de defender um voleio de Janko e um tiro à queima roupa do camaronês Somen Tchoyi.
A dupla estava empolgada e não demorou muito para que as falhas defensivas do Rapid começassem a aparecer. Em um intervalo de dez minutos, Tchoyi aproveitou a indecisão da zaga após cobrança de lateral e limpou dois zagueiros pra abrir o placar. A bola parada provou ser crucial quando, instantes depois, Hannes Eder subiu errado, perdeu o tempo da bola no cruzamento e só assistiu Janko matar no peito e anotar seu 31º gol na temporada. Com meia hora de jogo, o Red Bull não goleava por detalhes.
O capitão Steffen Hofmann ainda salvou uma cabeçada de Zickler em cima da linha, e o Rapid aguentou outros dez minutos de pressão para diminuir com Boskovic, de cabeça. Em uma partida bastante movimentada, os Hütteldorfer quase empataram no chute do jovem estreante Yasin Pehlivan, de 20 anos, que foi elogiado por sua atuação defensiva no meio-campo. Janko ainda perderia um pênalti na segunda etapa, chutando caprichosamente no ângulo, mas a bola acertou o travessão.
Enquanto o Rapid junta os cacos e se motiva com o fato de que, no ano passado, venceu 11 dos últimos 13 jogo, sabe que Áustria Viena e Sturm Graz estão firmes na briga pelo título. Já o Red Bull, por enquanto, voa solitário na primeira posição, preocupando-se somente com os rumores que vêm da Holanda dizendo que o PSV estaria disposto a tudo para contar com Adriaanse o quanto antes.
Meio corpo de vantagem
“De volta ao páreo”, estampou o Blick em sua edição de segunda-feira. No terceiro clássico da temporada, o FC Basel foi novamente superior e descontou três pontos dos cinco que tinha de vantagem o Zürich, ficando agora muito próximo do rival com outro confronto direto por acontecer, na antepenúltima rodada, na casa do adversário.
Apesar da derrota, o Zuri não está em crise. Do outro lado, o triunfo serve para acalmar os ânimos, já que este foi o primeiro resultado positivo dos atuais campeões em 2009 – nas duas rodadas anteriores, empate em casa com o Grasshoppers e derrota fora para o Young Boys. Isso sem contar que, no último jogo de 2008, uma goleada para o lanterna Luzern ficou sem explicação. Some-se a isso derrotas para equipes da segunda divisão nos amistosos de janeiro e você terá dimensão da importância da vitória no clássico.
O clima era tenso no St. Jakob-Park antes do jogo, já que o Young Boys goleara o FC Aarau por 4 a 0 e ultrapassara os Bebbi na segunda posição. Cientes da responsabilidade, os donos da casa partiram para cima, mas levaram um balde de água fria logo aos 14 minutos, quando Eric Hassli matou no peito um lançamento em profundidade e tocou na saída de Summer, para fazer um belíssimo 12º gol na temporada, isolando-o na artilharia.
Sentado na arquibancada, o técnico da seleção suíça Ottmar Hitzfeld viu um atordoado Basel ser acuado em seu próprio campo por um adversário superior física e tecnicamente, tanto que ao final do primeiro tempo o placar de 1 a 0 era mais comemorado pelos donos da cada do que pelos visitantes, afinal o estrago poderia ter sido muito maior.
A bronca de Christian Gross no intervalo, àquela altura sabendo que seu cargo estava por um fio, deve ter sido enorme. Na volta para o segundo tempo, o Basel foi para cima e empatou aos dez minutos, com Gjasula completando livre, de primeira, cruzamento de Safari. O jogo mudou quando Stahel foi expulso, e o Zürich se fechou de vez para segurar o empate.
Zanni também levou o vermelho e igualou em dez para cada lado, mas ao final da partida viu-se claramente a superioridade mental do Basel: o time visitante, irritado com a arbitragem, se desconcentrou completamente e não foi surpresa quando, aos 34 minutos, o australiano Chipperfield subiu sozinho para cabecear e virar o placar.
Com o resultado, o páreo está completamente aberto e apenas três pontos separam o Zurich do Young Boys. Para um campeonato que se desenhava, em seu início, como previsível e certo de nova vitória do Basel, os azarões têm garantido bastante emoção. Mas caso os atuais campeões conquistem o bi, será creditado a este clássico o momento da virada, provando que mesmo quem não chega a um clássico como favorito pode sair dele fortalecido.
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