Europa

O AEK Atenas arranca uma virada histórica e coloca em xeque a dinastia do Olympiacos

Temporada após temporada, o AEK Atenas concretiza a sua reconstrução. Falido, o time acabou rebaixado à terceira divisão do Campeonato Grego em 2013. Reconstruiu-se a partir dos torcedores e de antigas referências do clube. Desde então, os aurinegros asseguraram dois acessos consecutivos, retornaram à elite nacional e se classificaram duas vezes à Liga Europa, bem como conquistaram a Copa da Grécia em 2016. Mas não há prova maior da redenção do que a ocorrida neste domingo, no Estádio Olímpico de Atenas. Em jogo repleto de emoção e tensão, o AEK derrotou o Olympiacos por 3 a 2. Ratificou o seu lugar na liderança da Super League, enquanto aumentou a crise sobre os atuais heptacampeões nacionais.

Com dois empates nas duas rodadas anteriores, o Olympiacos entrou em campo pressionado. E parecia disposto a conquistar a vitória sem maiores dificuldades. Marko Marin abriu o placar com um belíssimo toque por cobertura, enquanto Vadis Odjidja-Ofoe ampliou a diferença logo no primeiro minuto do segundo tempo. A reação do AEK começou apenas aos 19, com Lazaros Christodoulopoulos. Mas o futebol ficou em segundo plano logo depois. Confrontos ao redor do estádio levaram a polícia a atirar bombas de gás lacrimogêneo, que afetaram os jogadores e paralisaram o jogo por cerca de 15 minutos.

Quando a partida voltou, o AEK consumou a sua virada. O empate saiu dez minutos depois da retomada, aos 35, em cobrança de falta pontentíssima de Christodoulopoulos. Já o gol decisivo aconteceu aos 44, em belíssima trama coletiva dos aurinegros, após roubada de bola no campo de ataque. Marco Livaja foi fundamental no lance, ao fintar o marcador na entrada da área e cruzar para Petros Mantalos completar na raça, no segundo pau. Festa imensa dos atenienses. Ao final, ainda rolaram duas expulsões, uma para cada lado.

Desde a rodada retrasada, o AEK desfruta de uma liderança raríssima em sua história recente. São 13 pontos em cinco partidas. Treinados por Manolo Jiménez, os aurinegros começam a acreditar que a retomada das glórias é possível. Já o Olympiacos, que viveu uma campanha errante na temporada passada, apesar do título, se afunda ainda mais na crise interna. Aparece na quarta colocação, somando oito pontos, atrás ainda de PAOK e Panionios. Com o Panathinaikos lutando pela sobrevivência (o dono do departamento de futebol anunciou na última quinta que está deixando o clube) e à beira da zona de rebaixamento, o cenário se abre. Ao que parece, uma das ligas mais monótonas da Europa pode viver uma das temporadas mais imprevisíveis de sua história. Bom para o futebol.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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