Novo tempo para o Panathinaikos

No novo tempo, apesar dos perigos. Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta. Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver. Pra que nossa esperança seja mais que a vingança. Seja sempre um caminho que se deixa de herança…
Este é um trecho da letra de “Um novo tempo”, de Ivan Lins. E a torcida do Panathinaikos espera que sejam versos que retratem o futuro da equipe. Afinal, 2008 é o ano em que se comemora o centenário do clube de todos os atenienses (como diz o seu nome). Mas, em campo, acabou sendo tão decepcionante quanto os anteriores.
De toda a forma, este final de temporada 2007/8 está sendo bem movimentado para os Trifilis. Noticias que deixam os torcedores verdes de Atenas otimistas com o futuro próximo -e não apenas dentro de campo.
Claro que dentro de campo há uma boa notícia. Afinal, os Prasinoi se classificaram para a Uefa Champions League depois de uma ausência de duas temporadas. Pode parecer pouco, mas numa liga em que há três clubes grandes, e dois clubes se classificam para a maior competição de clubes do futebol europeu, ficar de fora da UCL sempre dá um gostinho de fracasso para a temporada anterior.
Nos últimos anos, o PAO havia perdido não apenas o status de clube capaz de rivalizar com o Olympiacos pela disputa dos títulos gregos, mas também havia perdido para o reestruturado AEK a condição de segunda força helênica.
Não que nesta temporada tenha sido muito diferente. Novamente, o Panathinaikos ficou com a terceira colocação da Super League. Mas, graças a nova regra da competição, os Trifilis conquistaram a vaga na Champions vencendo a disputa do Playoff. Assim, o clube grego com maior tradição em competições européias -único a alcançar uma final de Copa dos Campeões (em 1971) e duas semifinais (1984/5 e 1995/6)- volta à principal competição continental interclubes.
Mas a notícia que parece mais promissora está fora de campo. É óbvio que a dominação do Olympiacos (que venceu onze dos doze últimos campeonatos) não surge à toa. Sokratis Kokkalis, proprietário do Olympiacos, tem investido uma monta respeitável todo ano para que o clube de Pireu alcançasse tamanho sucesso.
Por outro lado, a família Vardinoyannis, dona de mais de 80% das ações do clube de futebol do Panathinaikos, reduziu o valor investido. Não havia problema de caixa, já que trata-se de uma das famílias mais ricas da Grécia. Porém, tentavam fazer do PAO um clube mais independente da fortuna da família.
O problema é que este movimento de redução de investimentos resultou em anos de decepções para o Panathinaikos, situação bem distante das glórias alcançadas nos anos 1980 e começo dos anos 1990, quando, turbinado pelos investimentos dos Vardinoyannis, os Prasinois tiveram uma época de ouro.
Cansados desta série interminável de derrotas do clube verde, alguns empresários formaram um grupo chamado PEK (Movimento de União do Panathinaikos, sigla original em grego) pedindo maior abertura nas decisões tomadas pela direção -ou, pelo menos, uma permissão para que se aumentasse o capital do clube com uma oferta de ações.
Entre os integrantes do PEK, destacam-se nomes como o de Andreas Vgenopoulos, cabeça do grupo, e de Pavlos Giannakopoulos, dono do clube de basquete do Panathinaikos -uma das potências européias do esporte.
Este movimento surgiu no começo do ano, e a princípio, foi recusada pelos Vardinioyannis. Porém, com o desenrolar da temporada -e com os resultados ruins obtidos em campo- as pressões aumentaram muito, com protestos de torcida, passeata nas ruas de Atenas, entre outros acontecimentos.
Depois de muitas pressões, no mês passado, os atuais gestores do futebol do Panathinaikos anunciaram que estariam abrindo mão do controle do clube, promovendo o aumento de capital do clube e retendo o equivalente a 50% das ações do clube. A previsão é que, depois desta oferta de ações, sejam injetados cerca de 80 milhões de Euros no PAO.
Os integrantes do PEK anunciaram nesta semana, então, que estariam participando desta oferta, passando, então, a ter ações e integrar o Conselho de Administração do Clube -que será ampliada para 20 cadeiras.
E, mesmo que Yiannis Vardinoyannis -representante da família no comando do clube- mantenha os seus 50% das ações do clube de futebol, isso não significa que ele poderá tomar decisões sozinho. Agora, será obrigado a conseguir maioria qualificada (2/3 dos votos) para tomar qualquer decisão.
Dentro de campo…
Estas mudanças já estão definidas, e só serão confirmadas no próximo dia 6 de junho, com a reunião extraordinária dos acionistas do Panathinaikos. Agora, falta definir quem irá comandar o clube dentro de campo. Foi cogitado o nome do sérvio Dusan Bajevic, que atualmente comanda o Aris Tessalônica.
Bajevic é uma referência no futebol grego -principalmente quando trata-se de um clube com dinheiro para investir que resolve procurar um técnico que monte um time campeão. Foi assim com o AEK, quando dirigiu o clube na campanha da última conquista da Alpha Ethiniki -em 1994. Foi assim com o Olympiacos em 1996, no início da série de títulos que perdura até hoje, e também foi assim com diversos outros clubes que o procuraram.
Não foi diferente com o Panathinaikos. O problema é que o contrato de Bajevic com o Aris Tessalônica continua em vigor, e um início de desentendimento entre as diretorias de ambos os clubes começou a surgir. Logo, Panathinaikos e Bajevic recuaram, o que significa que os Trifilis devem procurar um outro treinador.
Nomes? Ainda não foram ventilados na imprensa. Mas certamente deve ser algum técnico de impacto, capaz de construir um novo elenco. Um problema imediato para a diretoria é que a temporada 2007/8 começará mais cedo para o clube de Maroussi, já que a segunda fase eliminatória da Champions League será em meados de Julho. Até lá, o time deve estar montado, um técnico escolhido e a pré-temporada em fase adiantada (para não se dizer finalizada).
Se não fizer este início de trabalho bem feito, corre-se o risco de perder mais uma temporada. É tudo o que a torcida verde de Atenas não aguenta mais.
Dia da vingança? Não dessa vez.
E, no fim, não foi o dia da vingança. O Galatasaray fez dois gols na primeira etapa da partida contra o Genclerbirligi Oftasspor e garantiu a vitória. Praticamente ao mesmo tempo (na segunda metade do 1º tempo) o Fenerbahçe sofria dois gols do Trabzonspor, e dava adeus às chances de conquistar o título.
Assim, o título da Süper Lig turca vai para a parte aurirrubra do portal da Ásia. É o 17º título do clube, que volta a empatar com o rival Fenerbahçe em títulos turcos. E, com este resultado, o técnico tampão Cevat Guler mantém um aproveitamento impressionante de seis vitórias em seis partidas disputadas.
Fenerbahçe, Besiktas e Sivasspor acabaram o campeonato empatados em pontos. 73 pontos para cada clube. Novamente, o desempate veio na mini-liga. Os Canários Amarelos, com 12 pontos, ficaram com o vice-campeonato e a vaga na fase eliminatória da Champions League.
O Besiktas, com 3 pontos e deficit de dois gols no saldo, ficou com o terceiro lugar -e a vaga na 2ª fase eliminatória da Copa Uefa. E o Sivasspor, com 3 pontos e deficit de três gols no saldo, ficou com o quarto lugar -e a vaga na 2ª fase da Copa Intertoto.



