Europa

Noruega abre campanha nas eliminatórias para a Copa com protesto contra condições de trabalho de imigrantes no Catar

Antes de dar início à sua campanha de eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 com vitória por 3 a 0 sobre Gibraltar, a seleção norueguesa se organizou para protestar contra as condições precárias de trabalho dos imigrantes no Catar, país que sediará o Mundial do próximo ano. Titulares e reservas vestiram uma camiseta que dizia: “Direitos humanos, dentro e fora do campo”.

Na véspera da ação, Martin Odegaard, uma das principais estrelas da Noruega, havia destacado que, ao contrário do que se imagina, há muitos atletas que se preocupam, sim, com as acusações que recaem sobre o Catar sobre as condições a que submete seus trabalhadores imigrantes responsáveis pela construção dos estádios.

“Tenho a impressão de que muitos jogadores estão interessados nisso, se importam com isso e querem fazer algo para tentar contribuir de forma positiva”, afirmou o jogador do Real Madrid, que joga atualmente por empréstimo no Arsenal. Técnico da seleção norueguesa, Staale Solbakken explicou que se tratava de “fazer pressão sobre a Fifa para que ela seja ainda mais direta, ainda mais firme em relação às autoridades do Catar, que imponha exigências mais rigorosas”.

No início do mês, o Tromso, clube da primeira divisão norueguesa, havia pedido à Federação Norueguesa que considerasse um boicote à Copa do Mundo de 2022 no caso de classificação da equipe nacional. Segundo a BBC, outros clubes da elite norueguesa fizeram o mesmo.

Recentemente, em fevereiro de 2021, uma matéria do jornal inglês Guardian indicou que mais de 6.500 trabalhadores imigrantes de países como Índia, Nepal, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka morreram no Catar desde 2010, quando o país ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022. Os números vêm de estatísticas colhidas por estes cinco países.

O governo do Catar, que ao longo da última década tem usado o futebol como terreno de soft power, melhorando sua própria imagem culturalmente a partir da compra do PSG, da realização da Copa do Mundo e de edições do Mundial de Clubes, além de receber diversos grandes clubes europeus em viagens de pré-temporada, negou os números e afirmou que a taxa de mortalidade dessas comunidades “está dentro da faixa esperada para o tamanho e a demografia da população”.

Vale ressaltar, no entanto, que grupos de direitos humanos têm feito há anos denúncias constantes de violação dos direitos desses trabalhadores. Mais recentemente, nesta semana, a Anistia Internacional pediu para que a Fifa pressionasse o Catar a prometer reformas trabalhistas antes do Mundial de forma a combater a exploração e o abuso dos profissionais.

Ainda que seu código disciplinar preveja a punição em casos de protesto de natureza não-esportiva, a Fifa afirmou que não irá investigar a ação da seleção norueguesa. “A Fifa acredita na liberdade de expressão e no poder do futebol como uma força para o bem”, disse a entidade em comunicado, sem fazer menção à situação denunciada pelos noruegueses.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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