Europa

Nasser Al-Khelaifi defende modelo do PSG e critica Superliga: “Sem visão financeira de longo prazo”

O presidente da Associação de Clubes Europeus também defendeu a introdução de um teto salarial como controle de finanças

A Superliga Europeia, que segue viva na imaginação dos presidentes de Real Madrid, Barcelona e Juventus, não tem visão financeira de longo prazo e ignora que o futebol é um “contrato social, não um contrato legal”, mas o modelo do Paris Saint-Germain é bom para todo o ecossistema do futebol, especialmente o francês, afirmou o presidente da Associação de Clubes Europeus e do PSG, Nasser Al-Khelaifi.

Com o colapso da Superliga, Al-Khelaifi foi elevado ao principal cargo da Associação dos Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês), no lugar de Andrea Agnelli, da Juventus, que ao lado de Joan Laporta, do Barça, e Florentino Pérez, do Real Madrid, insistem com o projeto que foi rejeitado por praticamente todo mundo, com base em um contrato que os integrantes assinaram antes de pularem do barco.

Eles aguardam uma decisão da Corte Europeia de Justiça dentro do próximo ano para tentar ressuscitar a Superliga. “Com ESL (European Super League) ou sem ESL – eu odeio dizer Superliga -, você está falando de três clubes. Eles sabem que não têm chance. Pessoas estão morrendo na Ucrânia e não têm onde dormir e estamos lutando pela Superliga?”, questionou o dirigente em entrevista à BBC.

“O problema com os clubes da ESL é que eles não têm estabilidade. Eles não tem uma visão financeira de longo prazo. Eles continuam lutando sobre o contrato legal. O que eles esquecem é que o futebol é um contrato social, não um contrato legal. Eles estão acenando com um pedaço de papel”, acrescentou.

“Florentino Pérez falou comigo no jogo da Champions League (entre PSG e Real Madrid, pelas oitavas de final) e disse ‘temos que chegar a um ponto em que podemos falar com você’. Eu fui muito duro com ele. Eu disse que estava feliz em conversar, mas se ele for fazer coisas pelas minhas costas, não estou interessado”, completou.

Al-Khelaifi não é necessariamente contra a ideia por trás da Superliga – aumentar o número de partidas entre os principais clubes da Europa -, mas acredita que tem que ser um sistema aberto, com chances para todos. “Eu quero jogar essas partidas, as grandes partidas, claro que sim. Eu sei o que o público quer. Mas não podemos dizer: ‘você é um clube pequeno, você está fora’. Tem que ser um sistema aberto, sob a entidade administrativa, com respeito para todo mundo”, disse.

“Eu poderia ter embolsado o cheque de € 400 milhões (da Superliga). Eles me convidaram. E quando eu disse não, eles disseram que não me convidaram – isso resume tudo. Se eu tivesse pensado apenas em mim, eu poderia ter feito isso. Especialmente durante a pandemia. Mas e o ecossistema e os torcedores e os valores que você representa?”, afirmou.

Esse mesmo ecossistema do futebol pode ser prejudicado pela inflação de valores que os investimentos desregulados do PSG nos últimos anos ajudaram a causar ou pela desigualdade de um time que tem 18 dos 20 maiores salários da Ligue 1. Mas aí, Al-Khelaifi discorda.

“Imagine se não houvesse investimento nos últimos anos. O futebol teria entrado em colapso, eu prometo. Somos um fundo de investimento (a Qatar Sports Investments, dona oficial do PSG). Compramos o clube por 70 milhões de euros. Desde então, recebemos ofertas de vários bilhões. É a marca que construímos como um investimento de verdade – nos times masculino e feminino. As pessoas criticam porque é dinheiro soberano (de um país)”, afirmou.

“Mas e outras formas de propriedade – a entrada de fundos de private equity no esporte é sobre o bem social? E clubes endividados por indivíduos privados – isso é bom? O Barcelona é um clube societário com € 1,5 bilhão em dívidas – isso funciona? Nosso investimento no PSG não ajuda apenas um clube. Imagine se o PSG não estivesse na liga francesa. Onde a liga acharia um fundo de investimento para investir € 1,5 bilhão, que irá aos clubes menores? Quando você olha para o total do que estamos fazendo, subimos o nível”, acrescentou.

Al-Khelaifi também disse que o teto salarial que será proposto pela Uefa e parece ter apoio da ECA, em substituição ao Fair Play Financeiro, não foi orquestrado por ele, mas começou na gestão anterior. Seria uma maneira mais branda de controlar as finanças dos clubes europeus do que as propostas que o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, vinha considerando.

“Você acha, mesmo eu sendo o presidente da ECA, que um clube pode fazer alguma coisa que os outros 246 clubes e todos os envolvidos não querem? É loucura – mas as pessoas acham que eu tenho algum grande plano. Como presidente de clube, se me disserem que há um teto salarial, sou o primeiro a aceitar”, encerrou.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo