Europa

Plano de flop do Chelsea para virar atleta olímpico pode dar certo?

Jogador está afastado dos gramados após ser flagrado no doping por substância proibida pela Wada

Janeiro de 2023 não é um passado tão distante. Foi naquele mês que o Chelsea desembolsou 70 milhões de euros (podendo chegar a 100 milhões de euros) pela contratação de Mykhailo Mudryk, na época, uma promessa do futebol ucraniano.

Mudryk chegou a Stamford Bridge com a aura de astro depois de brilhar no Shakhtar Donetsk com as suas atuações explosivas e ser pivô de uma grande disputa paa a sua contratação, visto que os Blues precisaram superar as ofertas do Arsenal.

Entretanto, a passagem pelos Blues não foi marcada por sucesso. E tudo piorou no fim de 2024, quando a Federação Inglesa suspendeu de forma preventiva o ucraniano após testar positivo no doping. A confirmação veio apenas em 18 de junho deste ano, com a FA acusando o jogador de doping.

Sem poder treinar com o Chelsea, o jogador poderia tomar rumos diferentes para sua carreira, segundo o jornal “Marca”. Conhecido por sua velocidade, incluindo atingindo máxima de 36,67 km/h em sua primeira partida pelo Chelsea, o ucraniano estaria disposto a mudar sua carreira para o atletismo.

De acordo com o jornal “Marca”, o ex-jogador já está treinando com a seleção nacional da modalidade, sob a tutela de ex-atletas olímpicos, visando uma participação nas Olimpíadas de Los Angeles, em 2028.

Para alcançar tão feito, ele terá que atender aos requisitos mínimos da World Athletics e escolher a modalidade que irá competir a tempo de participar das seletivas ucranianas, que devem acontecer em 2027.

Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, o atletismo será disputado durante a primeira semana, em uma mudança histórica no calendário das competições. A competição acontecerá dos dias 14 a 30 de julho de 2028.

Mykhaylo Mudryk em atuação pelo Chelsea (Foto: Imago)
Mykhaylo Mudryk em atuação pelo Chelsea (Foto: Imago)

O caminho para se classificar nas Olimpíadas

O caminho para Mykhailo Mudryk buscar a classificação nas Olimpíadas teria um grande objetivo: chegar ao índice olímpico.

O índice seria uma marca mínima de desempenho que o atleta deve atingir ou superar um tempo, distância ou pontuação específica definida pela World Athletics em competições qualificadas dentro do período determinado. Esse índice costuma ser determinado entre uma edição e outra.

Os índices para as Olimpíadas de 2028 ainda não foram divulgados, mas a expectativa é sejam semelhantes à edição passada, realizada em Paris, no ano de 2024.

Em 2024, por exemplo, para disputar os Jogos nos 100m rasos, por exemplo, era preciso alcançar a marca dos 10 segundos. Já para os 200m, era preciso alcançar os 20.16 segundos; nos 400m, 45 segundos.

Para conquistar o índice nos 100 metros rasos, um atleta precisa manter uma média de 36 km/h ao longo da curta prova. A velocidade máxima registrada por Mudryk até bate essa marca, mas o problema é manter o ritmo. De acordo com dados da Uefa, o ucraniano manteve velocidade média de 33,44 km/h durante a Eurocopa de 2024.

A velocidade média continuariam sendo um problema nos 200 metros, já que o índice contava com uma velocidade média de 35,7 km/h. A situação só passaria a ficar melhor para o ucraniano nos 400 metros, em que o índice representava “apenas” 31,96 km/h.

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Olimpíadas de 2028 será realizada em Los Angeles (Foto: IMAGO / Xinhua)

Caso não atinjam o índice, os atletas podem ser classificados pela sua posição no ranking mundial da World Athletics, que considera os desempenhos em diversas competições durante o período de qualificação. 

As janelas de classificação são realizadas durante um período específico, que varia de acordo com a prova. As maratonas, por exemplo têm um período mais longo. Entre as principais oportunidades estão os Campeonatos Mundiais.

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E o doping?

No caso de Mudryk, ainda existe o impeditivo do doping. Ainda sem ser julgado pelo caso, o ucraniano poderia pegar quatro anos de gancho. Segundo a imprensa inglesa, o atacante testou positivo para Meldonium, uma substância que promove aumento de massa muscular.

A substância entrou na lista de banidas da Agência Mundial de Controle de Dopagem (Wada) em 2016, um ano após um estudo comprovar que a substância “pode causar aumento de resistência em atletas, melhora na reabilitação após exercício, proteção contra stress e estimular a atividade de algumas funções do sistema nervoso”.

O caso mais famoso envolvendo a substância foi o de Marria Sharapova. Em 2016, a tenista foi suspensa por dois anos após um teste positivo durante o Aberto da Austrália. A suspensão acabou reduzida para 15 meses após a Corte Arbitral do Esporte entender que a russa não tentou ganhar vantagem de propósito.

De acordo com a defesa do atacante, ele teria recebido uma injeção de células estaminais após não se sentir bem na preparação da Ucrânia para uma Data Fifa, e as células poderiam ter origem em um boi que esteve em contato com o Meldonium.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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