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Murray, sobre sua paixão pelo Hibernian: “Ajuda a se acostumar com a derrota desde pequeno”

Andy Murray é o líder do ranking masculino de simples do tênis, embora seus últimos resultados não tenham sido os esperados. Defendia o título em Wimbledon, mas foi derrotado nas quartas de final pelo americano Sam Querrey. Não disputa uma final desde fevereiro, quando venceu o ATP 500 de Dubai, seu único troféu em 2017. Derrotas doídas, com as quais aprendeu a lidar desde pequeno com a ajuda da sua paixão pelo futebol. Com a sua paixão pelo Hibernian, como relatou nesta entrevista ao jornal The Scotsman.

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O avô de Murray era Roy Erskine, ex-lateral escocês que começou a sua carreira no Hibernian e levava a família inteira para assistir às partidas. Murray participava da caravana, com o pai, a mãe Judy, os tios e tias, e o irmão Jamie. Mas o clube de Edimburgo venceu todos os seus títulos escoceses bem antes de o campeão olímpico nascer, embora ele tenha tido a oportunidade de comemorar a conquista da Copa da Escócia, ano passado.

No geral, porém, ao contrário do seu currículo de 655 vitórias e 184 derrotas, o Hibernian perde mais do que ganha. “Isso realmente o ajuda a se acostumar com a derrota desde pequeno”, afirmou o escocês. Ao mesmo tempo, de acordo com o jornal, Murray também aprendeu a alegria de vencer com os eventuais triunfos do seu clube de coração.

O tenista tinha cinco ou seis anos quando foi ao seu primeiro jogo de futebol e gostava da atmosfera familiar. Mas o barulho era um pouco alto demais para uma criança. “Eu me lembro do meu pai me dizendo que, quando eu comecei a ir aos jogos, quando o Hibs marcava, e todo mundo começava a gritar, eu começava a chorar. Era muito alto para mim”, conta. “Este não é mais o caso quando vou às partidas. Eu não choraria agora vendo um jogo de futebol”.

A vida de Murray poderia ter sido muito diferente se ele não tivesse sofrido uma lesão no tornozelo um dia antes de viajar para Tampa, nos Estados Unidos, para um mês de treinamentos de futebol. Ele batia a sua bolinha, afirma que era um atacante forte que gostava de fazer gols, e disputava os dois esportes paralelamente até precisar tomar uma decisão. Tinha entre 14 e 15 anos. “Eu não consegui jogar futebol ou tênis por seis semanas”, disse. “Foi quando eu conversei com meus pais e foi realmente assim: chega, você tem que escolher entre os dois. Se quiser jogar tênis mais seriamente, não pode se machucar jogando outros esportes”.

Murray lembra outro episódio quando, depois de uma sessão de 40 minutos de tênis, seu pai apareceu para levá-lo ao treino de futebol. “Quando eu estava saindo, disse ao meu pai: ‘Não quero jogar futebol. Era uma hora e meia de treinamento e estou jogando apenas 40 minutos de tênis, e sou muito melhor no tênis que no futebol”, afirmou. Sábia decisão, afinal, além de se tornar líder do ranking e ganhar uma medalha de ouro olímpica de simples, Murray conquistou mais três torneios de Grand Slam, os mais importantes do circuito.

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Mas também poderia ter sido artilheiro do Rangers. “O time local em que eu jogava fornecia jogadores para o Rangers, então eu fiz uma sessão de treinamentos na frente de alguns olheiros do Rangers. Depois da sessão, meus pais foram questionados se eu queria treinar na escola de excelência do Rangers. Mas isso foi também na época em que eu estava decidindo o que fazer. Eu não poderia fazer isso e também jogar tênis”, explicou.

A paixão pelo futebol nunca diminuiu. Murray continuou batendo uma pelada até os 24 ou 25 anos, quando problemas físicos nas suas costas passaram a ser um problema. Jogava cinco contra cinco, o famoso five a side britânico, uma ou duas vezes por semana, e mais três ou quatro partidas de 11 contra 11. Uma equipe de jogadores de tênis e treinadores contra equipes locais de Londres. “Eu parei de jogar, mas sinto falta”, afirmou o tenista.

Andy Murray pode aguardar com expectativa a próxima temporada do futebol escocês. O Hibernian foi campeão da segunda divisão e conquistou o acesso para medir forças com o Celtic e o Rangers, e o líder do ranking masculino espera que, desta vez, com menos derrotas do que ele está acostumado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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