Europa

Mais um pequeno vai aprontar?

Nas últimas temporadas, as ligas de futebol dos países do Leste Europeu têm visto várias equipes de menor tradição conquistarem títulos pela primeira vez na história. Foi assim em 2010/11 com o Viktoria Plzen na República Tcheca e com o Otelul Galati na Romênia, para ficar apenas nos dois exemplos mais recentes e conhecidos. E na atual temporada quem deseja entrar no rol dos pequenos que surpreendem os grandes é o Ludogorets na Bulgária, que é vice-líder do certame, atrás apenas do CSKA Sofia.

Ainda é cedo para apontar o Ludogorets como um candidato ao título, visto que são apenas cinco rodadas disputadas e as quatro vitórias do time foram sobre os três últimos na tabela (Rakovski, Beroe e Svetkavitsa) e sobre o Slavia Sofia, atualmente o décimo primeiro. Além disso é a primeira vez na história que o clube fundado em 1945 disputa a divisão máxima da Liga Búlgara.

No entanto, a campanha do Ludogorets está muito acima das expectativas: 13 pontos entre os 15 disputados, 13 gols marcados e apenas um sofrido, o que o coloca como o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato até o momento. Isso sem falar nas duas goleadas aplicadas sobre Rakovski (4 a 0) e Slavia (6 a 0). Por enquanto o time tem feito o seu papel e batido os adversários que em tese seriam os seus concorrentes para escapar do rebaixamento. Se o time terá fôlego será outra história, mas o início promissor do Ludogorets tem certas semelhanças com os de outros campeões inéditos do Leste Europeu nos últimos anos, como vir de centros menores e ter um suporte financeiro por trás da boa campanha.

A equipe é da cidade de Razgrad, no nordeste da Bulgária e tem apenas 33 mil habitantes, sendo que 27% deles são de origem turca. Os grandes resultados como o acesso na temporada passada são frutos do investimento do novo dono da equipe, Kiril Domuschiev, que comprou o clube em outubro de 2010. Kiril Domuschiev é dono da Huvepharma, empresa búlgara ligada ao ramo farmacêutico e de suplementos alimentares. Atualmente a Huvepharma é a líder em seu segmento na Europa.

Logo que assumiu a presidência do Ludogorets, Domuschiev passou a investir pesado no clube que adquiriu, contratando jogadores com experiência na primeira divisão para conseguir o acesso, como o atacante Todor Kolev, vindo do Slavia Sofia. Na atual temporada, chegaram Gargarov, ex-CSKA Sofia, e autor de quatro gols, e Genchev, ex-Vaslui da Romênia, com dois tentos assinalados. Além da compra de jogadores com mais tarimba para o elenco, o novo dono pretende investir cerca de nove milhões no centro de treinamento e no estádio do time.

Domuschiev num primeiro momento não parece ter sua fortuna ligada a movimentos escusos como acontece com parte dos poderosos que resolvem investir no futebol. Um dos lemas de Domuschiev é desenvolver a própria Bulgária. Segundo ele a sua empresa (é sócio com o irmão Georgi) pretende investir cerca de 25 milhões de euros por ano na fábrica instalada na cidade de Razgrad. O poderoso acrescenta que a maior parte da mão de obra será de búlgaros. Os estrangeiros contratados viriam para aperfeiçoar e ensinar os trabalhadores búlgaros já que sua a empresa lida com alta tecnologia. No papel e no discurso está tudo muito animador, mas é bom ficar de olhos abertos para ver se Domuschiev não é de fato mais um aproveitador visando enriquecimento fácil e rápido. Ao que tudo indica o Ludogorets deve ser o seu brinquedo de divertimento, assim como acontece com a grande maioria dos times comprados por ricaços mundo afora. Ao menos que não seja por vias obscuras e que o patrão não se canse rapidamente do novo brinquedo, deixando o clube em terra arrasada caso desista do projeto.

Dentro de campo, quem tem se destacado também são três brasileiros: Guilherme Choco, Marcelinho e Juninho Quixadá. Guilherme Choco tem 21 anos, foi revelado na base do Santos, mas não fez nenhum jogo como profissional. O jovem está na sua segunda temporada na Bulgária e tem sido titular em quase todas as partidas do time. O meia Marcelinho tem 27 anos e foi revelado pelo São Paulo, mas também não chegou a figurar entre os profissionais. Nas duas últimas temporadas, Marcelinho vestiu a camisa do Bragantino na Série B do Brasileirão, antes de ser contratado pelo Ludogorets no meio de 2011. O atacante Juninho Quixadá também foi contratado junto ao Bragantino e já tem três gols marcados na competição.

O resto

A liderança da Liga está com o tradicional CSKA Sofia, maior campeão da Bulgária com 31 canecos, mas que não levanta a taça desde 2007/08. O time da capital é o único com 100% de aproveitamento após as cinco rodadas iniciais. O atual bi-campeão Litex Lovech é o terceiro e aparece como forte candidato a mais um caneco. Tem os mesmos 13 pontos do Ludogorets, mas perde no saldo de gols: 12 a 10. Seguindo a normalidade, CSKA Sofia e Litex Lovech seriam os dois principais candidatos ao título, juntamente com o Levski Sofia, que também faz uma boa campanha. O Levski está em quarto com 12 pontos, empatado com outras duas equipes: Cherno More e Chernomorets.

Viktoria Plzen

E o Viktoria Plzen já garantiu que não sairá da sua estreia na fase de grupos da Liga dos Campeões sem conquistar um mísero ponto. Os tchecos empataram em 1 a 1 com o BATE Borisov em casa. Se por um lado o Plzen não sairá sem pontuação alguma, por outro o resultado deixou a equipe numa situação bem complicada para conseguir a terceira vaga e disputar a Liga Europa.

Em tese esse era o jogo mais acessível para o Plzen conseguir uma vitória na principal competição europeia e até mesmo terminar a rodada inicial na liderança, já que no outro duelo do grupo Milan e Barcelona empataram. Para ficar em terceiro na chave, os tchecos agora terão que vencer na Bielorrússia (considerando que ocorram de fato quatro vitórias de Milan e Barcelona sobre Plzen e BATE) para sonhar com a vaga. Outra alternativa é um novo empate e então a decisão iria para o saldo de gols.

O duelo foi bem equilibrado, mas o BATE Borisov mostrou ser uma equipe mais experiente (com Kezman no comando de ataque), sabendo também pressionar o adversário, tanto que chutou mais vezes a gol do que os tchecos, além de buscar o empate na segunda etapa com o brasileiro Renan Bressan. Parte da pressão que o Plzen não exerceu como gostaria se deu porque, devido à pequena capacidade de seu estádio (7.400 torcedores), o time foi obrigado a jogar em Praga, longe de sua torcida. Mesmo com o estádio de Praga lotado era natural que o Plzen sentisse o fato de não poder atuar no seu próprio campo.

O destaque dos tchecos mais uma vez foi o atacante Bakos, autor do único gol já nos acréscimos do primeiro tempo. Bakos já havia sido o artilheiro da equipe nas fases eliminatórias da competição com seis gols.

Dinamo Zagreb

E como era de se esperar o Dinamo Zagreb não conseguiu superar o Real Madrid e saiu derrotado em casa por 1 a 0 pela Liga dos Campeões. Contudo a partida do Dinamo não deixou os torcedores desanimados, pelo contrário, a expectativa é de que a equipe não seja um saco de pancadas tão grande no grupo.

O técnico Krunoslav Jurcic resolveu manter as características do seu time e não retrancou o Dinamo, medida que seria tomada pela maior parte dos treinadores diga-se. Manteve o 4-4-1-1, com Sammir por vezes encostando no atacante solitário Rukavina para formar uma dupla de frente.

E se é verdade que os croatas saíram derrotados e o goleiro Kelava foi forçado a fazer boas defesas (trabalhou bem mais do que Casillas), é verdade também que o Dinamo conseguiu criar suas chances de gols, que não saíram devido a má pontaria de seus avantes. Rukavina perdeu gol cara a cara com Casillas no primeiro tempo quando ainda estava 0 a 0 e na segunda etapa os croatas pressionaram bastante os merengues, sobretudo após a expulsão de Marcelo por volta de 25 minutos. O gol não saiu, mas a postura do Dinamo não foi de equipe pequena satisfeita em perder de pouco para o gigante, inclusive não seria nenhum absurdo se o time encontrasse o seu gol de empate.

A estratégia ofensiva de Jurcic se mostrou bastante eficaz, já que os merengues, apesar de algumas chances criadas, não conseguiram impor uma pressão muito grande, em parte também devido à má jornada de figuras importantes dos comandados de Mourinho, como Cristiano Ronaldo e Ozil.

Jurcic apostou numa defesa mais adiantada e próxima da linha de meio de campo. Esse posicionamento foi uma faca de dois gumes. Por um lado quando os homens de frente do Real se movimentavam e trocavam de posições a retaguarda croata deixava muitos espaços, principalmente entre a dupla de zaga formada por Tonel e Vida. Por outro o Dinamo tinha facilidade para sair nos contra-ataques quando recuperava a bola, principalmente porque Jurcic apostou num meio mais leve, privilegiando a saída de bola à marcação, com destaque para o bom volante central Badelj, responsável por ditar o ritmo da equipe.

Na primeira etapa quando tinha a posse de bola, o Dinamo até trocava passes em alguns momentos, mas na maioria das vezes buscava a enfiada de bola para Sammir, visando os ataques em velocidade. Depois da expulsão de Marcelo, o Dinamo se manteve ainda mais no campo de ataque, cercando a área adversária, foi para o famoso abafa, mas faltou penetração para incomodar mais a defesa merengue. As alterações na segunda etapa até tornaram a equipe ainda mais ofensiva, mas o Dinamo esbarrou nas suas próprias deficiências ofensivas, como o arremate a gol. De todo modo, foi um bom primeiro teste para os croatas.

Otelul Galati

O Otelul Galati foi outro time a não sair com um resultado satisfatória nessa rodada inicial de Liga dos Campeões. Os romenos perderam para o Basel fora de casa por 2 a 1, com dois gols do veterano Frei. Penna descontou para o Otelul.

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