Europa

Maior campeão búlgaro, CSKA Sofia está à beira do abismo

O declínio do comunismo no leste europeu significou também a perda de prestígio de muitos clubes dominantes sob a Cortina de Ferro. Equipes sustentadas por órgãos estatais e que, não por menos, tiveram extremas dificuldades de se sustentar com a queda dos governos. Fundado pelo exército, o CSKA Sofia perdeu força na Bulgária, ainda que tenha se mantido na briga pelos títulos. Todavia, o abismo agora parece inevitável aos vermelhos.

O CSKA está à beira da falência. Técnico da equipe, Hristo Stoichkov anunciou a bancarrota na última semana, embora a diretoria não tenha confirmado – a intenção dos donos atuais é repassar todas as ações do clube ao próprio Stoichkov, que já manifestou sua insatisfação sobre o trabalho realizado pelos dirigentes. Caso não cumpra seus débitos, o clube corre o risco de ser rebaixado à quarta divisão búlgara, o primeiro nível amador do país.

A grande solução apontada para salvar o CSKA seria a fusão com outro clube que dispute a primeira divisão. O prazo final para a junção é o dia 20 de julho, quando se encerra o prazo de documentação dos participantes do torneio. E a acusação dos vermelhos é a de que a federação estaria dificultando o processo.

Em represália à postura da federação, cerca de mil torcedores do CSKA atacaram a sede da entidade no domingo. Segundo o Ministro do Interior da Bulgária, 15 pessoas foram detidas pela polícia. Os revoltados quebraram vidros, mancharam paredes e atiraram fogos de artifício contra o prédio.

Em nota oficial, o CSKA condenou a atitude dos protestantes: “Nós estamos certos que milhões de torcedores do CSKA não admiram esse comportamento. O CSKA provou que pode construir, não destruir. O clube não está envolvido nem mesmo indiretamente com este vandalismo contra a sede da federação”.

Maior campeão búlgaro e duas vezes semifinalista da Liga dos Campeões, o CSKA tem mais três semanas para aguardar seu desfecho. Diante do improvável pagamento da dívida, o que resta é a brecha da federação a favor da fusão. No entanto, vandalismos como o deste final de semana só tendem a dificultar ainda mais a situação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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